
Jornal GGN – Após os resultados das urnas no último dia 5, que apontam uma larga diferença entre Aécio Neves e Marina Silva, os institutos de pesquisas de opinião foram criticados pela falta de exatidão nos estudos. Apesar disso, tanto o presidente do Ibope quanto o do Datafolha defenderam a metodologia empregada nos trabalhos, e ressaltaram que é difícil captar a mudança constante do eleitorado fortemente influenciável pelo que circula na internet e TV.
Sugerido por Braga-BH
Ibope e Datafolha admitem falta de exatidão, mas defendem métodos
Do Último Segundo
Carlos Augusto Montenegro, do Ibope, e Mauro Paulino, do Datafolha, explicam que institutos se defrontam com variáveis
Ainda que os institutos de pesquisa vendam exatidão nas pesquisas veiculadas pela imprensa, o resultado real confrontado ao dos levantamentos – mesmo os feitos no dia do pleito – voltaram a mostrar distorções com a realidade. As críticas aos institutos de pesquisas se avolumaram após o primeiro turno das eleições, em especial depois da virada de Aécio Neves (PSDB) sobre Marina Silva (PSB) na sucessão presidencial.
“Se essa conversa acontecesse às 15h de ontem [domingo, 5, dia do pleito] estaríamos tratando aqui de um cenário diferente. Nós conseguimos captar a virada do Aécio sobre a Marina. Na quinta-feira [2 de outubro], dia do debate da Globo, Marina tinha 24% contra 19% de Aécio. Na sexta, pós debate e pós pesquisa, que pauta de alguma forma a informação do eleitor, Aécio já tinha vantagem de 27% a 24%”, explica Carlos Augusto Montenegro, presidente do Ibope.
Montenegro enfatiza que o eleitor “está decidindo cada vez mais em cima da hora” e os institutos não conseguem captar essa mudança. “Tenho que fechar até 14h, 15h a pesquisa boca de urna, para que a TV possa divulgar. Nós perdemos aí algumas horas para ter uma fotografia mais exata”, prossegue Montenegro.
Outros exemplos que colocaram em xeque as pesquisas eleitorais ocorreram nos Estados. No Rio de Janeiro, por exemplo, Marcelo Crivella (PRB) tirou Anthony Garotinho (PR) da fase final contra Luiz Fernando Pezão (PMDB). No Rio Grande do Sul, mais surpresas: José Ivo Sartori (PMDB) foi ao segundo turno contra Tarso Genro (PT), governador e candidato à reeleição. Ao longo da campanha, Tarso teve como adversária mais constante a candidata Ana Amélia Lemos (PP).
Para o presidente do Ibope, os debates, as pesquisas, a própria internet e os telejornais têm tido um papel cada vez maior na decisão final do eleitor. “No debate da Globo, com os candidatos ao governo do Rio, o Crivella foi muito bem. Somado a isso, Pezão cresceu e tirou votos do Garotinho. Esse movimento, nós não conseguimos captar. Além do mais, aqui no Rio, a abstenção e os votos brancos e nulos que somaram 40%. Quando fazemos uma pesquisa, consideramos que todos os eleitores vão votar”, explica.
Perguntado se os institutos de pesquisa do País deveriam rever seus métodos, Carlos Augusto Montengro rejeitou a tese. “A nossa metodologia é reconhecida mundialmente. Nós fazemos milhares de entrevistas”, finalizou.
Datafolha
“Pesquisas avaliam o voto convicto, o não convicto (que é volúvel) e os indecisos”, disse à TV Folha o diretor do Instituto Datafolha, Mauro Paulino, na última segunda-feira (06). “Os não convictos podem mudar de voto [têm mais chance de mudar], são numerosos e vêm aumentando a cada eleição. É um comportamento crescente. É reflexo da maturidade política”, disse o diretor do Datafolha, acompanhando a tese de Carlos Montenegro.
Paulino também concorda que as pesquisas eleitorais também são um dos elementos que influenciam a decisão final do eleitor. “As pesquisas influenciam [o voto] cada vez mais e é bom que influencie. Faz parte da democracia”, justifica.
O diretor do Datafolha sugere que devem surgir no horizonte ameaças à divulgação de pesquisas eleitorais. “Vão surgir novas ameaças de acabar com as pesquisas. Isso sempre aparece depois das eleições. Vão tenta proibir [por lei] e vão propor criação das CPI das Pesquisas”.
Montenegro admite que há erros e concorda que os questionamentos aos resultados sempre existiram. Mas o presidente do Ibope pondera que “já foram muito maiores no passado do que hoje em dia”.
Na sua defesa dos levantamentos de 2014, Mauro Paulino comentou que as “pesquisas presidenciais concordaram. Foi a eleição que houve menos polêmica em relação ao resultado. Nunca os jornalistas tiveram tanto acesso aos tracking, mostraram as mesmas tendências, evidência de que resultados estavam corretos. A ultrapassagem [de Marina Silva por Aécio] se deu entre quinta e sexta e [foi] alavancada final no dia da eleição”, afirmou.
Repercussão
Para o professor de Ética e Filosofia Política da Universidade de São Paulo (USP), Renato Janine Ribeiro, a sociedade brasileira vem se transformando e talvez as amostras de grupos dos institutos de pesquisa não tenham acompanhado esse fenômeno, “o que não é culpa dos institutos”, sublinha.
Outro ponto apontado por Janine Ribeiro é que fenômenos de última hora também podem influenciar o eleitor, lembrando que a explosão de uma bomba no País Basco (Espanha) acabou pautando uma mudança na formação do parlamento local em 2008.
O professor da USP, no entanto, alerta que as pesquisas claramente influenciam o voto do eleitor e lembrou que a eleição ao Senado por São Paulo em 2010 foi marcada por “falhas metodológicas das pesquisas”. Naquela eleição, Netinho di Paula (PCdoB) era seguido por Orestes Quércia (PMDB) e por Aloysio Nunes (PSDB). “Naquela eleição o terceiro colocado foi o eleito e não dá pra confiar numa pesquisa dessas”, enfatiza Janine Ribeiro.
Questionado se defende ou não limites à divulgação de pesquisas, o professor diz não ter opinião formada, mas admite a discussão do assunto. “Embora elas pautem o voto, proibi-las pode fazer com que um universo pequeno de clientes, como partidos, bancos e empresários, possam usar os dados em seu próprio benefício”, aponta Janine Ribeiro.
O professor da USP se diz incapaz de comentar que contribuição alterar as margens de erro das pesquisas poderia dar para um resultado mais fiel das mesmas. “É uma questão estritamente técnica. Mas imagine uma margem de erro de cinco pontos. Quem iria se interessar por esse produto?”, questiona.
Sérgio T.
7 de outubro de 2014 3:30 pmVou entrar no espírito…
Vou entrar no espírito da coisa!
Tony
7 de outubro de 2014 10:41 pmOutra…
“Considerando a margem de erro posso ter 10 ou 20” by Zé Simão
gaúcho
7 de outubro de 2014 3:32 pmFicou claro que as pesquisas
Ficou claro que as pesquisas não servem pra nada.
Cristiana Castro
7 de outubro de 2014 4:13 pmBem isso. Mas, se não servem
Bem isso. Mas, se não servem para nada não há qq razão para serem divugadas. A verdade é que servem sim para ludibriar o eleitor e fizeram questão de escancarar isso nessas eleições. Aliás, parece que resolveram escancarar é tudo mesmo. Essas pesquisas são registradas no TSE, o Brasil inteiro viu que deram em nada. Onde está o Ministério Público para denunciar esses institutos?
eu
7 de outubro de 2014 3:35 pmA verdade é que as pessoas
A verdade é que as pessoas não consideram a influencia das pesquisas no “voto Util”, que viu que aecio passou a Marina votou nele.
Para mim deveriam proibir pesquisa 3 dias antes da eleição.
Ugo
7 de outubro de 2014 3:57 pmcrer
A segurança das urnas eletrônicas e também do sistema a computar os resultados afirma-se ser indevassável. É então o único sistema do mundo a prova de hacker, bancos organismo de estados que vez ou outra são invadidos deverão consultar os nossos gênios da lâmpada para copiar tão estrondoso feito.
O que conheço deste ambiente me permitem duvidar de qualquer tipo de segurança garantida, e me afastam de qualquer operação comercial via internet, afinal sempre em todos os sistemas a ultima peçinha do quebra cabeça é um ser humano, portanto.
Como exercício eu diria que os data ibopes poderiam criar o ambiente para justificar os resultados que a maquininha apenas confirmaria.
A pergunta de sempre: por qual razão países de tecnologia em criptografia avançadíssimos não usam este meio de votação?
Barreto
7 de outubro de 2014 4:08 pmDesacreditadas
Deixei de confiar em pesquisas eleitorais na eleição da Erundina para prefeita.
Nas de audiência televisiva; no dia que a globo, fora do ar, liderou o ranking.
Ivan de Union
7 de outubro de 2014 5:22 pmContinuo nao acreditando nos
Continuo nao acreditando nos numeros de Aecio nem por dinheiro. Mas nao MESMO.
Jota
7 de outubro de 2014 11:14 pmEu tambem não acredito!
Eu tambem não acredito! Vamos abrir os olhos PT…..
Zanchetta
7 de outubro de 2014 5:40 pmFoi dada a explicação oficial
Foi dada a explicação oficial do porquê o Aécio tinha números tão baixos nas pesquisas
Quando o pesquisador passava na casa de quem votava no Aécio não tinha ninguém, pois estavam trabalhando….
Ugo
7 de outubro de 2014 5:47 pmna entrega
Donde concluimos que o único sempre em casa ero o zanchetta.
altamiro souza
7 de outubro de 2014 7:21 pmos número são sempre
os número são sempre manipulados. não são?
as pesqisas só refletem os paradoxos
e contradições dos próprios institutos
e da própria sociedade em que são
feitas e divulgadas essas pesquisas.
mello
7 de outubro de 2014 7:36 pmCaras de pau. Nem se
Caras de pau. Nem se envergonham do vexame que passaram. Deviam é fechar as portas ! A crediblidade deles é igual ” votação do Felix >
Miguel A. E. Corgosinho
7 de outubro de 2014 8:20 pmAs pesquisas têm uma lógica
As pesquisas têm uma lógica com o contratante: de que o pedido de suas estatísticas podem induzir a formação de votos de um determinado candidato, em relação a mudança de opinião para um outro, na preferência da mídia.
Serão procurados os eleitores de baixo nível de escolaridade, que não tenham ideias de virtudes; enquanto a mídia desqualifica a vantagem dos adversãrios por ponto percentual de sua audiência.
As respostas das perguntas de avaliação do governo criam uma rejeição de autoridade, porque permeia a aprovação do ouvintte, opondo-se a este, no caso de presidente(a), a forma mais radical de transmitir as conclusões de juízo do foro intimo.
Por que, então, o sigílo absoluto das pessoas reservado apenas ao dia da votação?
Tony
7 de outubro de 2014 8:25 pmPT bobeia demais…
Um partido do tamanho e grandeza do PT não pode, em hipótese alguma, partir de uma base 5% de intenções no seu Estado de origem. Nunca!
Voto anti-Alckmin foi para Skaf.
Porque o partido não representou junto ao TSE imediatamente? vá entender…
Tony
7 de outubro de 2014 8:32 pmMáfia
“Ibope e Datafolha admitem imprecisão, mas defendem métodos”‘ … mafiosos e totalmente alinhados com os dos meios de comunicação e oposição.
Só erram contra o PT ou nunca contra a direita…
O caso de Katia Abreu também foi outro escândalo!
Zanchetta
7 de outubro de 2014 8:21 pmTotalmente alinhado com a
Totalmente alinhado com a oposiçäo. O Aécio que o diga…
Anarquista Lúcida
7 de outubro de 2014 8:48 pmAcho q o sustentar otimismo tb pode ser uma arma
O VoxPopuli fez mal ao PT, nas eleiçoes passadas, ao suscitar um clima de “já ganhou”. Dessa vez acho que tb houve isso, até porque dar a Dilma uma posiçao quease ganhando no primeiro turno e simultaneamente mostrar Aécio passando Marina pode ter levado o voto anti-PT a migrar todo para Aécio.
Sobre haqueamento de urnas, se houve, pelo que ouvi (lugares em que houve problemas com as urnas, aqui no Rio) , acho que, neste primeiro turno, foi mais contra Marina do que contra Dilma. Mas no segundo turno claro que será contra Dilma…
Marco St.
7 de outubro de 2014 8:52 pmPassatempo exclusivo para
Passatempo exclusivo para delegados e agentes da polícia federal;
Liguem os pontinhos.
Pesquisas fraudadas do Ibope e Datafolha……………………..fortes oscilações do dólar e da Petrobrás……………………….novos milionários na Bolsa…………………………………..$$$$$$$$$$$$$$$$$$…………………………………….Pesquisas fraudadas do Ibope e Datafolha……………………fortes ocilações………………
Uma farra!
Roberto São Paulo-SP 2014
7 de outubro de 2014 9:33 pmVai demorar para os Institutos recuperarem a credibilidade
As pesquisas eleitorais tem grande importância na definição das alianças partidária, tanto no momento de formação das coligações, como nas alianças partidária quando ocorre o segundo turno.
Por um bom tempo todo mundo vai pensar duas ou mais vezes diante dos resultas das pesquisas eleitorais.
Helio J. Rocha-Pinto
7 de outubro de 2014 10:36 pmVoter suppression?
“Voter suppression is a strategy to influence the outcome of an election by discouraging or preventing people from exercising the right to vote.”
http://en.wikipedia.org/wiki/Voter_suppression
É uma estratégia um tanto desconhecida no Brasil porque é mais fácil de ser implementada em países de voto facultativo. Mas considerando biometria, urnas eletrônicas com comportamento suspeito, votos invalidados acima da média histórica e mudanças súbitas nos percentuais de voto comparado às intenções, acho que devemos considerar com seriedade a possibilidade disso ter sido adaptado e aplicado a essas eleições.
Geraldo Chaves
7 de outubro de 2014 10:36 pmO engraçado que ninguém
O engraçado que ninguém levanta essa “OUTRA” possibilidade pois falta um BRIZOLA hoje em dia.:
Link: http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/o-parodoxo-de-aecio-ou-por-que-investigar-os-resultados-do-primeiro-turno/
Link: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-urna-eletronica-brasileira-e-um-caso-para-o-procon/
janes salete
7 de outubro de 2014 10:53 pmErraram todas e foi
Erraram todas e foi proposital. Ninguém ficaria desconfiado do número de votos de última hora no aócio, o candidato deles. Por isso, erraram em quase todos os estados, só não em sp. tem ingênuo que não acredita, então tá…..
Maria Carvalho
8 de outubro de 2014 1:29 amBom lembrar!
A Globo e a Proconsult
Por Luiz Egypto em 06/07/2004 na edição 284
http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/a-globo-e-a-proconsult
(Alckmin é reeleito e garante 6º mandato consecutivo do PSDB em SP)
http://eleicoes.uol.com.br/2014/noticias/2014/10/05/alckmin-e-reeleito-e-garante-6-mandato-consecutivo-do-psdb-em-sp.htm)
Alexandre Weber - Santos -SP
8 de outubro de 2014 2:59 amTem gente que não erra
Previsões do primeiro turno: Google Trends (e Vidente Carlinhos)?
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Os resultados do primeiro turno saíram e, mesmo com as evidências de ontem que apontavam para uma alta de Aécio Neves, surpreenderam: o candidato mineiro amealhou quase 34% dos votos, quando há pouco se estimava que conseguiria 15%! Os modelos de previsão, apesar de favorecerem Aécio quando atualizados com as pesquisas de sábado, não conseguiram capturar a magnitude da mudança, apontando para estimativas entre 21 a 26%.
Faz parte. Prever em meio a tanta incerteza (e pesquisas de metodologia duvidosa) é uma tarefa ingrata.
Por outro lado, o Google Trends (depois de corrigido com a dica do Gabriel Ferreira – valeu!) trouxe um indício bastante forte da subida de Aécio. E com uma coincidência aritmética, digamos, “mística”, quase ao estilo Vidente Carlinhos. Uma regra de 3 com os dados do trends de sexta, considerando 40% para Dilma como base, trazia valores estimados de 35% para Aécio e 21% para Marina. Quase cravado.
Evidentemente, isso não passou de sorte, pois utilizando os dados disponíveis agora você estimaria que Aécio ultrapassou Dilma. Mas tampouco é somente algo curioso. Isto mostra o potencial do Google Trends no auxílio do “nowcasting” das eleições, complementando os resultados das pesquisas para entender as tendências do eleitorado. O grande desafio aqui é separar o sinal do ruído, tanto das pesquisas, quanto das redes sociais e dos mecanismos de buscas, além de saber como juntar essas evidências de forma complementar e coerente.
No caso do Google, certamente o teor das buscas importa, lembre do caso do Pastor Everaldo. E as buscas relacionadas que mais estavam crescendo eram aquelas que diziam respeito aos números dos candidatos. Ou seja, tinham relação direta com intenção de voto.
Demarchi
8 de outubro de 2014 3:00 amO parodoxo de Aécio, ou: pq investigar os resultados do 1º Turno
Aécio ganhar 14,5 pontos percentuais em 72h, sem nada capaz de explicar tal ascensão, “desafia a lógica e os fatos”, diz professor, estranhando o silêncio sobre a diferença entre votos dados ao tucano e o que previam as pesquisas.
Bajonas Teixeira de Brito Junior * – Congresso em Foco
Imagine-se que um grupo de especuladores do mercado financeiro se dispusesse a manipular a eleição presidencial brasileira. Supondo que isso seja tecnicamente possível, pelo menos a quem se disponha a investir alguns milhões de dólares para ganhar de volta algumas centenas, talvez sequer fosse percebido pelas antenas sensíveis do país. A julgar pela excitação infantil dos comentaristas da Globonews ontem enquanto avançava a apuração da eleição presidencial, a capacidade de dar uma braçada contra a maré ― não diremos nadar, o que seria pedir demais ― foi definitivamente extinta da mídia brasileira. Ao invés de analisarem a situação, repetiram o mesmo mantra da “desidratação de Marina” e fingiram que Dilma não existia. Tudo parecia tão óbvio que dava para desconfiar.
Na segunda-feira (6) posterior ao resultado do primeiro turno, a bolsa subiu quase sete pontos e o dólar caiu significativamente. O contrário tinha acontecido na semana passada, na segunda, 29 de setembro, com baixas febris em ações, incluindo bancos privados (o Unibanco caindo 7.03%, o Bradesco recuando 7,03%) e estatais, como a Eletrobrás e a Petrobras (essa liderou a queda com 11,7%). O Banco do Brasil também caiu, 8,54%. Manipular nesse cenário, o da sétima economia mundial e um dos países com menor nível de controle e fiscalização, não promete pouco. As manipulações existem, ou melhor, as manipulações são a normalidade do nosso dia a dia. A imprensa, os partidos, os candidatos, os marqueteiros manipulam. O que foge à normalidade não é a manipulação, mas as grandes manipulações.
No Brasil, basta lembrar as bombas nas torres de transmissão de Furnas Centrais Elétricas em setembro de 1998. Em escala internacional, e incomparavelmente mais sofisticada, tivemos em abril de 2013 a invasão da conta do Twitter da agência norte-americana Associated Press (AP) e a informação de que a Casa Branca sofrera um atentado, e que Barack Obama estaria entre os feridos. O índice Dow Jones chegou a perder 130 pontos, e foram atingidos também o S&P 500 e o índice Nasdaq. Com o desmentido da Associated Press, as ações voltar a subir. Quem comprou na baixa e vendeu na alta, no breve espaço entre a notícia e o desmentido, obteve lucros astronômicos.
“Quem toma a sério a ideia de que, numa reta final sem novidades, o pacato e sorridente Aecinho poderia passar de 15% para 33,5% em três semanas?”
Penso que quem admitir, por hipótese, uma manipulação nas eleições brasileiras acreditará menos em milagres do quem tomar a sério a ideia de que, numa reta final sem novidades, depois de debates sem sobressaltos, na ausência de escândalos e comoções, o pacato e sorridente Aecinho poderia dar um salto tão extraordinário, mais que dobrando suas intenções de voto, e passando de 15% em 12 de setembro para 33,5% em 5 de outubro. Uma bagatela de 18,5 pontos a mais em coisa de três semanas. Quem algum dia apostaria em tamanho despautério? O panteão reunido das entidades sobrenaturais mineiras – O Chupacabra, a Mula sem Cabeça e o Zé Arigó ― não seria capaz de produzir tal prodígio. Ainda mais que não ungiram Aécio nem em seu próprio estado, onde Dilma ganhou.
Antes de entrar na análise propriamente dita, me parece interessante observar que o termômetro mais sensível que temos para a eleição, o seu impacto sobre o Facebook, não mostrou qualquer alteração em benefício de Aécio. No domingo, constava que na última semana Dilma apareceu nele com quase 11 milhões de menções (46%), Marina, com pouco mais de 6,5 milhões (28%), e Aécio com quase 6 milhões (26%). Nas últimas 24 horas antes da eleição, que poderia ter mostrado fortíssima oscilação em favor de Aécio, também nada de excepcional se verificou: Dilma teve 4 milhões de menções (49%), Marina 2,2 milhões (27%), e Aécio 2 milhões (24%).
Se algo pode ser deduzido daí, é que Dilma cresceu 24 horas anteriores à eleição, enquanto Marina e Aécio mostraram uma discreta imobilidade. Nunca, porém, que Aécio disparara em uma velocidade tão grande que não deixaria digitais, rastros ou qualquer marca no Facebook.
Podemos aproximar mais a linha do tempo, reduzindo as margens para analisar melhor o paradoxo aeciano. Na pesquisa Datafolha do dia 30 de setembro, Aécio apareceu com 20% das intenções de voto. Bastante distante do resultado final de 33,5%. Um crescimento de 20 para 33,5 pontos percentuais em uma semana certamente é coisa raríssima nos anais da crônica de eleições pelo mundo. Talvez na derrota de Cidadão Kane nas eleições em que era favorito absoluto. Mas ali tem o escândalo de uma vedete dentro do armário, que os inimigos vão buscar. E, como dizem os franceses, foi preciso fazer só o óbvio: cherchez la femme. Mas aqui estamosMuito além de cidadão Kane. Nada disso ocorre. Não há vedete nem dançarina, nenhum escândalo, nenhuma revelação chocante. A situação desafia todos os cânones da fria razão. Recapitulemos brevemente os dados mais significativos sobre a evolução dos candidatos.
Na pesquisa do Datafolha de 10 de setembro, tínhamos Dilma com 36%, Marina com 33% e Aécio com 15%. Já dois dias depois, em 12 de setembro, na pesquisa do Ibope, Dilma subiu para 39%, Marina caiu para 31% e Aécio continuou com seus 15%. Nova pesquisa do Datafolha em 19 de setembro, mostrou que essa tendência se confirmava: Dilma 37%, Marina, 30%, e Aécio, 17%. Dentro da margem de erro, Dilma poderia estar com 39, dois pontos para mais. Aécio com 19, e Marina, com 28. Seria o esperado. É quase o que se tem na pesquisa do Datafolha de 23 de setembro: Dilma aparece com 38%, Marina 29% e Aécio 19%. Assim, verifica-se uma tendência à queda de Marina, refletindo os tropeços que trouxeram luz sobre as inconsistências da candidatura.
Até aqui, salvo a virada messiânica que fez Marina ascender às grimpas, explicável numa população supersticiosa que se alimenta de novelas há tanto tempo, tudo é bem plausível. Até mais que isso, a queda de Marina parecia refletir uma guinada em direção à realidade contra o encantamento do mundo. O surto, tudo indicava, tinha dado lugar à lucidez meridiana.
Para confirmar esse diagnóstico, tivemos duas pesquisas atestando a mesma tendência, ambasdivulgadas no sábado dia 4, ou seja, um dia antes da eleição do domingo, 5. A pesquisa Ibope, dava Dilma com 46% dos votos válidos e Aécio com 27% e o Datafolha apurava 44% dos votos válidos para Dilma e 26% para Aécio. Desprezando o fato de que as pesquisas não tratam ambas de votos válidos, mas ficando apenas na proporcionalidade que indicam, Dilma foi de 37 a 46, entre 19 de setembro e 04 de outubro, subindo 9 pontos. Aécio, foi no mesmo período de 19 a 27, ganhando 8 pontos. Nada, portanto, que fugisse ao script da nossa vã filosofia e da clarividência científica. Artigo sobre a pesquisa no G1 começava com as seguintes palavras:
“Pesquisas Ibope e Datafolha divulgadas neste sábado (4) mostram que a candidata Dilma Rousseff (PT) continua na liderança isolada na disputa pela Presidência da República, mas ainda não tem pontuação suficiente para vencer no 1º turno.”
Note-se que é dito que Dilma ocupa a “liderança isolada”. Por mais que o movimento fosse de ascensão para Aécio, não chegava a ser um movimento vertiginoso e irrefreável. Tanto mais que Dilma movia-se também em sentido ascendente.
Portanto, a subida de Aécio não se explica por uma brusca queda de Dilma. Agora, a passagem de Aécio, tomando os dados do Ibope, de 19% no dia 2 de outubro para 33,5% no dia 5, desafia toda sanidade. São as leis do mundo reais, tridimensional, movido por causas e efeitos, que são vilipendiadas. Em suma, a subida de 14,5 pontos em três dias, 72 horas, é ridícula. Nem Marina, com a hecatombe da morte de Eduardo Campos, passou por uma virada tão estrambótica. Há ainda o agravante de que no caso de Aécio, nada de comovente ocorreu. Nenhum fenômeno (natural ou sobrenatural) que pudesse abalar, chocar, desestabilizar uma parte do eleitorado foi verificado. Foram debates mornos, nada eletrizantes. Como é possível que, em condições tão sóbrias e mundanas, tão contidas dentro das rédeas da previsibilidade, o cavalo do imprevisível tenha desembestado?
Aécio não teve nenhum desempenho brilhante nos debates. Nem Dilma foi submetida a qualquer rolo compressor. Nada ocorreu fora do riscado. Tudo normal. Ora, a natureza não dá saltos. E como explicar tanta bananada para tão pouca banana, como dizia minha avó? Se trata de um efeito sem causas? Mas não existem efeitos sem causas, assim como não existe mula sem cabeça. Até a mágica, que parece não ter causas, é feita a partir de truques de manipulação muito concretos.
Se o empate técnico de Marina e Aécio só foi registrado na pesquisa divulgada na quinta-feira dia 2, vamos crer que na data da eleição, três dias depois, Aécio estaria com 34% dos votos e Marina com 21%, ou seja, uma diferença de 13 pontos percentuais em 72 horas? E logo Aécio, tão pacato, tão pouco dado a arroubos e sobressaltos. Como seria ele capaz de provocar esse estouro da boiada? Isso é absurdo. Por mais que o Brasil esteja habituado, faz muito tempo, às formas mais variadas de demência, despautério, despropósito, alucinação e o mais, não se deve aceitar passivamente uma situação tão despropositada. Seria o cúmulo da ingenuidade correr para dizer que os institutos de pesquisa erram quando, para qualquer observador sereno, são os fatos, em especial as percentagens, que se mostram suspeitos.
“Nos lugares em que se esperaria uma maior maturidade da classe média, ela se mostrou o segmento social mais perdido”
Da minha parte, não sei por que o silêncio paira tão espesso sobre fatos tão óbvios, e ninguém levanta a voz para dizer que o rei está nu. Talvez isso se deva ao fato de a classe média brasileira, o locus de onde costuma sair aquilo que se chama opinião pública, tenha perdido de vez a capacidade de refletir.
Dificilmente essa eleição deixará de entrar para a história brasileira como um ponto de mutação. Não evidentemente da política, que continuará marcada pela força do latifúndio (agronegócio), das empreiteiras e da corrupção. O que se cristalizou com uma força assustadora foi o completo esvaziamento do senso da classe média ― não estou falando em senso crítico, mas apenas na modesta capacidade de julgamento normal, médio, de qualquer cidadão. Esse déficit parece ter sido mais sentido nos centros mais urbanizados onde, pelas teorias clássicas da sociologia, seria menos esperado. Ou seja, nos lugares em que se esperaria uma maior maturidade da classe média, ela se mostrou o segmento social mais perdido.
Certamente essas eleições se desenvolveram como Janus, com duas faces, uma muito marketizada, colorida e sorridente, e outra tenebrosa, pontuada pela desesperança e pela cruel constatação da falta de opção. O eleitor se viu emparedado entre o deserto e a miragem, e talvez, no fim, tenha preferido mergulhar no delírio. Basta analisar minimamente o perfil dos candidatos para ver que “grandes são os desertos”.
Raspando um pouco a maquiagem colorida, os candidatos aparecem como figuras essencialmente retrógradas e exemplos muito límpidos da velha tradição da política brasileira. A tradição dos herdeiros e apadrinhados. Dilma, evidentemente, sem nunca ter ocupado cargo eletivo, nem de vereadora, chegou à presidência por milagre emanado de Lula. Aécio, que também nunca precisou fazer força pelo voto, embora tenha sido eleito várias vezes, é o neto ungido pelo avô Tancredo. Na verdade, é quase um sarcófago vivo que carrega as cinzas e as relíquias de prestígio do antepassado. Marina (a única para quem a alcunha de herdeira seria forçada, ao menos até sua parceria com a herdeira do Itaú) é a fiel depositária de vontade póstuma de Eduardo Campos que, por sua vez, foi o delfim do avô, Miguel Arraes, e, por fim, Luciana Genro, que aparece na rabeira, é filha de Tarso Genro, governador, ex-ministro da Educação, ex-ministro das Relações Institucionais, ex-ministro da Justiça, ex-presidente nacional do PT. Nesse quadro, ainda mais considerando a falta quase completa de programa inovador dos partidos, não se vê nada que pudesse apontar alguma luz no fim do túnel.
Em torno desses personagens com clara fixação nas modalidades antigas de identidade política, uma classe média tresloucada se viu chamada a decidir. Ela poderia ter sido o fiel da balança, mas foi na verdade o biruta de aeroporto, aquela touca sem cabeça que indica para onde apontam os ventos. Assim, essa cabeça de vento, sem peso, sem decisão, sem lastro, apontou em diversas direções, subindo e descendo à força das imagens construídas pelo momento, pelas ênfases da mídia ou pelo pânico de boiada. Extremamente gelatinosa e volúvel, essa classe média migrou de Aécio para Marina, por motivos messiânicos logo depois da morte de Eduardo Campos. O avião que caiu dos céus seria a estrela cadente, sinal celeste seguro de que Marina era a eleita do senhor.
Agora é ver se o resultado das eleições será aceito por todos os brasileiros, como se o país fosse formado por milhões de aloprados espalhados por vasto território. Quem cala consente e aceita. O mais provável é que o fetichismo da modernidade cosmética, das urnas eletrônicas hermeticamente lacradas e da infalibilidade dos tribunais superiores, como a antiga infalibilidade do papa, já de antemão tenham vacinado o eleitorado contra qualquer fagulha reflexiva. Mas se até os Estados Unidos não se vexou de proceder a uma recontagem de votos, reconhecendo que através dela se conferia legitimidades às eleições presidenciais, não se vê motivos que impediriam de colocar a questão para o Brasil.
* Bajonas Teixeira de Brito Junior é doutor em Filosofia, duas vezes premiado pelo Ministério da Cultura por seus ensaios sobre o pensamento social e cultura no Brasil, professor universitário e escritor.
http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/o-parodoxo-de-aecio-ou-por-que-investigar-os-resultados-do-primeiro-turno/