Jornal GGN – A bolsa brasileira fechou as operações em queda nesta quinta-feira, e não conseguiu sustentar o patamar de 56 mil pontos apurado ao longo dos últimos dias, em sessão afetada pelo quadro externo.
O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) encerrou as operações em queda de 1,52%, aos 55.962 pontos e com um volume negociado de R$ 6,304 bilhões. Com isso, o índice acumula queda mensal de -8,69% no mês, e um ganho anual de 8,65% no ano e de 3,13% em 12 meses. No índice doméstico, os setores com mais fracos desempenhos foram Petróleo/Petroquímico; Bancos; Consumo; e Holding Financeira.
“O Ibovespa principiou cadente e operou em campo negativo ao longo de todo o pregão”, diz o BB Investimentos, em relatório. “Simplesmente, o índice doméstico
colou sua trajetória no comportamento negativo do Dow Jones”.
Os índices em Nova York caíram e encerraram em suas mínimas do dia. “Apesar de declarações de membros regionais do Fed, os agentes ainda temem que o órgão possa estar mais próximo de antecipar a elevação da taxa de juros, haja vista os recentes melhores indicadores econômicos – vale lembrar que amanhã sairá novo dado preliminar do PIB do segundo trimestre dos EUA”, dizem os analistas. O cenário eleitoral não deixou de ser acompanhado, uma vez que os analistas aguardam a publicação de nova pesquisa Datafolha.
Entre os indicadores divulgados no dia, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que a taxa de desemprego, pesquisada nas seis maiores regiões metropolitanas do País, foi de 5% em agosto, versus 4,9% em julho, e que o rendimento médio real dos trabalhadores aumentou 1,7% em agosto, para R$ 2.055,50, ante a baixa de 0,2% em julho. Nos Estados Unidos, as solicitações de seguro-desemprego subiram a 293 mil (+12 mil), no dado semanal até o último dia 20, ante os 281 mil (revisto de 280 mil) mensurados na semana anterior. Os pedidos de bens duráveis recuaram 18,2% em agosto, contra alta de 22,5% em julho. Já excluindo o segmento de transportes, o indicador variou +0,7% em agosto, versus -0,5% em julho.
Quanto ao câmbio, o dólar comercial fechou em alta de 1,95%, cotado a R$ 2,43 na venda. Com isso, a moeda atingiu sua maior alta diária desde o dia 5 de novembro do ano passado (1,98%) e o maior valor de fechamento desde 3 de fevereiro deste ano (R$ 2,44).
Na quarta-feira (24), o Banco Central havia anunciado a oferta de contratos de dólar em leilões. Além da intervenção diária, que continua no mesmo volume desde junho, o BC tem realizado leilões adicionais para estender o vencimento de outros contratos. Tal oferta mais que dobrou, passando de 6 mil contratos para 15 mil ofertados por dia. Contudo, segundo informações da agência de notícias Reuters, tal valorização estaria relacionado ao aumento de demanda dos investidores, que compram moeda para “se proteger” de um eventual avanço de Dilma Rousseff nas próximas pesquisas eleitorais – a atual presidente do Brasil e candidata à reeleição tem sido criticada por investidores e especialistas por causa da condução da política econômica no país, considerada muito intervencionista.
Em meio a tal movimentação, o Banco Central vendeu todos os contratos em um leilão de swap cambial (equivalente à venda de dólares no futuro), além de um leilão extra para rolar contratos que vencem em outubro. No leilão diário, foram vendidos 3,5 mil contratos com vencimento em 1º de junho de 2015, e outros 500 com vencimento em 1º de setembro do ano que vem, em operação que movimentou o equivalente a US$ 198,2 milhões. No leilão de rolagem, foram vendidos 2 mil contratos para 3 de agosto de 2015 e 13 mil para 1º de outubro de 2015, com volume correspondente a US$ 739 milhões.
Na agenda de indicadores, os agentes aguardam os preços ao produtor, dados de empréstimos e crédito do Banco Central e a definição da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo). No exterior, destaque para os gastos pessoais e o PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos, além dos dados de confiança do consumidor na França e na Alemanha e os lucros industriais na China.
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