4 de junho de 2026

O desejo pela conclusão esconde as verdadeiras perguntas, por Mônica deBolle

Em artigo, economista e professora da SAIS/John Hopkins University busca explicar o fenômeno do ressurgimento do nacionalismo

Jornal GGN – O trecho de uma carta do presidente argentino Juan Perón ao amigo e presidente chileno Carlos Ibañez explica muito da América Latina: embora políticas econômicas que desrespeitam limites estejam fadadas a fracassar, todos temem a economia simplesmente por não entendê-la – e essa afirmação é ainda mais verdadeira quando trocamos economia por política.

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Em artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, Monica DeBolle – economista e professora da SAIS/John Hopkins University – aborda um ensaio considerado fundamental para se entender os dias de hoje: The Search for Paradigms as a Hindrance to Understanding (A Busca de Paradigmas como um Obstáculo à Compreensão), escrito pelo pensador norte-americano Albert O. Hirschman em 1970.

Em seu texto, ele procurava comparar dois estudos elaborados por cientistas norte-americanos para criticar a tendência de se dar respostas rápidas a problemas complexos – na ocasião, a Revolução Mexicana e a violência na Colômbia. Contudo, o pensador já havia detectado uma tendência na forma da busca por paradigmas unificados capazes de provar teorias ao invés de se buscar o entendimento da realidade.

A economista diz que esse ensaio é fundamental para entender a atualidade, seja a turbulência social na América Latina como o caos das eleições britânicas e até mesmo o ressurgimento do nacionalismo. Segundo a articulista, não faltam respostas, mas as perguntas não têm sido feitas do jeito adequado.

“As perguntas que estão em falta são: como explicar o ressurgimento do nacionalismo em países tão distintos quanto a Índia e os EUA? Por que a América Latina passa por tamanha turbulência agora, sobretudo considerando que desigualdade e reviravoltas externas sempre marcaram a região? Por que pensar que há explicações aprumadas para problemas tão distintos e confusos, babélicos até?”, afirma DeBolle.

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  1. Zé Sérgio

    18 de dezembro de 2019 2:47 pm

    “…sobretudo considerando que desigualdade e reviravoltas externas sempre marcaram a região?…” SEMPRE? Sempre é muito tempo. Sempre é o tempo que se esquece que a Europa entre 1850 e 1950, passa por miséria, guerras, turbulências, desemprego, imigrações em massa como nenhuma outra na História da Humanidade. A Maioria rumo à estabilidade, vanguarda e progressismo que América Latina representavam. Mesmo depois de se atolarem na aventura trágica de 2 grandes guerras, continuaram com atraso e miséria seculares. Plano Marshall salva tamanha desigualdade e reviravoltas que arrastavam o Socialismo para dentro da Europa, dando certa estabilidade, que foi duramente defendida contra inúmeros e sistemáticos ataques terroristas e lutas políticas que amedrontavam toda Europa até os anos de 1990. Aldo Moro em 1978, era tão falsamente propagada estabilidade europeia? Sempre é um tempo que não existe.

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