Crônica da confraternização de fim de ano do BRD, por Rui Daher
“Minha pedra é ametista, minha cor amarelo … das Sloppers das almas”.
Pensaram o quê? Com tantos funcionários terrenos e celestes, o BRD não faria sua festinha de fim de ano, ainda que este 2019 merecesse que todos nós, brasileiros conscientes ou de esquerda, nos sentemos em vasos sanitários e e defecássemos para aqueles que, hoje em dia, nos desgovernam? Mas assim somos, carneirinhos burgueses e digitais que nos tornamos.
Vejam ceis! Escrevo para o site de CartaCapital, desde sua criação, molti anni fa. Nele, politizo o Brasil agropecuário. Sou, também, assinante e “sócio” (?) da revista impressa. Nela, fico sabendo que a próxima edição, terá como tema “Ele não”.
Cabotino pensei, é comigo, digital relativizado e nunca presente na impressa, a ponto de viverem a me perguntar, “mas escreves mesmo lá?”
Sim, mas só que não. Trata-se da genial ideia que tiveram de, na edição de final de ano, não falarem de Jair Bolsonaro. Desconhecê-lo, relativizá-lo, como se as folhas e telas da grande mídia fossem repetir tal genialidade e tirarem os atuais 1/3 de popularidade, ou mais, do Regente Insano Primeiro.
Conto lá que 19 articulistas (por que não arredondaram para 20?) não mencionarão as peripécias de Jair e clã. Fácil para eles, impossível para mim, ranheta que sou.
Como o GGN não me pede isso, propus que “Ele sim” fosse o tema da confraternização do BRD.
No domingo, vieram do celestial “Dominó de Botequim”, Darcy Ribeiro, Ariano Suassuna, Luiz Melodia, Dr. Walther Moreira Salles, Alfredinho ‘Bip-Bip’, a madrinha Beth Carvalho. Sem que eu pedisse, trouxeram Ivan Lessa e Tarso de Castro, meus ídolos jornalistas no combate ao fascismo, em épocas mais conturbadas.
Entre os terráqueos, vieram João Bosco, Aldir Blanc, Vanderlei Luxemburgo, e sambistas das casas de marimbondos.
A comemoração seguiu entre decalitros de chope, cachaça e, babaca eu, proibido de tudo, à exceção de duas taças diárias de vinho – recomendação psiquiátrica e da família. Recôndita injustiça.
Alô, região salineira ou outras de minhas andanças caboclas, campesinas e sertanejas. Abandoná-los? Nunca!
Após 44 anos de diabetes, cardiopatias – três pontes coronárias – e vários golpes de direita, aqui continuo, graças a esse bebericar. Depois de quase 30 anos de golpe financeiro, ainda pertenço à população “economicamente ativa”.
Para 2020, só peço consideração. Finitude é assim. Cansa.
Bom Natal, fácil isto; Feliz Ano Novo, mais difícil.
Beijos. Inté.
Comentários fechados.