Por mais incrível que possa parecer os Neopentecostais utilizam um conceito básico da filosofia marxista, para fazer exatamente ao contrário.
Muitos vão achar que este título é uma mera provocação para chamar atenção de leitores, porém vou provar que não, que na realidade os pastores neopentecostais se servem do conceito de práxis para combater a luta e classes e por isto que ganham espaço perante as religiões cristãs tradicionais, há umas “propositais e explícitas forçadas” na correlação, mas peço indulgência aos leitores.
O mais difícil de encontrar na obra de Marx são definições simples, claras e acadêmicas de seus conceitos, simplesmente porque Marx nunca pretendeu ser um filósofo, mas sim um revolucionário, porém no seu pequeno texto intitulado “Teses sobre Feuerbach” se vê indiretamente o conceito de “Práxis” sob o ponto de vista Marxista, vou simplesmente colocar algumas destas teses para depois seguir no texto:
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2ª) Tese: “A questão de saber se existe verdade objetiva no pensamento humano não é uma questão de teoria, mas uma questão prática. É na Práxis, o homem deve provar a verdade, isto é, a realidade e o poder, que esse pensamento é este mundo. A controvérsia sobre a realidade ou não realidade de um pensamento isolado da prática é uma questão puramente escolástica .”
6ª) Tese: “Feuerbach resolve a essência religiosa na essência humana. Mas a essência do homem não é uma abstração inerente ao indivíduo isolado. Na sua realidade, é o conjunto de relações sociais.
Feuerbach, que não faz críticas a esse ser real, é obrigado:
1) Ignorar o curso da história e tornar o espírito religioso uma coisa imutável, existindo por si mesmo, assumindo a existência de um indivíduo humano abstrato e isolado.
2) Considerar, portanto, o ser humano apenas como “gênero”, como uma universalidade interna, muda, vinculando de maneira puramente natural os muitos indivíduos.”
7ª) Tese: “Feuerbach não vê, por isso, que o próprio “sentimento religioso” é um produto social e que o indivíduo abstrato que analisa pertence na realidade a uma determinada forma de sociedade.”
11ª) Tese: “Os filósofos apenas interpretaram o mundo de maneira diferente; mas é importante mudá-lo.”
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Antes de seguir vou colocar uma pequena advertência, cuidado com as traduções do marxists.org para o português, pois em outra parte das “Teses sobre Feuerbach”, as palavras „bürgerlichen Gesellschaft“ são traduzidas para “sociedade civil”, um verdadeiro crime de tradução, esta expressão não era utilizada por Marx e muito menos tem o mesmo sentido, por outro lado mostra que o tradutor quer fortalecer o discurso de Gramsci.
Mas voltando ao ponto central do artigo, os pentecostais e diria os seus ritos.
O pragmatismo dos pentecostais no uso da religião é algo fantástico, principalmente que eles simplesmente em seus cultos e seus ritos adaptam maravilhosamente o que parece estar escrito na bíblia, ou seja, se for para pedir dinheiro aos fiéis desencravam de alguma parte da bíblia a obrigatoriedade dos mesmos a pagaram dízimos, mesmo que na bíblia não fosse exatamente como eles pregam, mas a práxis religiosa diz que pastor sem dinheiro não consegue fazer nada e muito menos sustentar sua família com luxo.
Da mesma forma, a teologia da prosperidade, se lermos todo o novo testamento a mensagem clara e explícita deste é que a pobreza que herdará os céus, mas isto é um mero detalhe teológico e dá origem ao que Marx falou, a discussões meramente escolásticas. Como eles na verdade não são marxistas, eles escondem a metade da frase, ou seja, a busca da verdade pela Práxis, pois esta busca pode dar origem a pensamentos sobre a luta de classes, o erro que a teologia da libertação católica fez.
A sétima tese de Marx, se lida de forma bem enviesada se encaixa perfeitamente na ação dos neopentecostais, ou seja, poderia ser reescrita pelos pastores como:
“Que os católicos e demais religiões protestantes tradicionais não enxergam que o “sentimento religioso” é um produto social de uma determinada forma de sociedade.”
A sexta tese, se encaixa diretamente na crítica as religiões tradicionais, que estão muito interessadas na busca da essência humana, mas na verdade o que é importante são as formas dos cultos e dos ritos para dar uma ideia de religiosidade intensa dos fiéis.
Porém a tese onze é a mais clara de todas, também dando uma “leve” torcidinha teremos:
“Que os padres e pastores tradicionais procuram interpretara a religião; mas que é importante mesmo é mudá-la ao seu benefício.”
Mas voltando a uma digressão de forma mais séria, o conteúdo é o mesmo, poderíamos explicar o sucesso nos ritos neopentecostais pelos seguintes pontos:
1) Os ritos e cultos neopentecostais não estão nem aí para o que está escrito na bíblia, como ela é um livro muito extenso e cheio de contradições, o importante é resumir como o mais importante seja o PENTECOSTES, pois este fala na chegada do espírito santo para os fiéis e eles além se divertirem com a ressureição falam em línguas, gritam, louvam o senhor, tem revelações e daí por diante. Ou seja, não precisam pensar muito sobre todo o resto da bíblia pois deus falará direto a eles.
2) Se nos ritos e cultos, os fiéis acharem bom a introdução até de práticas ditas “pagãs”, com danças e músicas que emulam ritos de outras religiões não cristãs, não importa, o que interessa é que dá certo.
3) Se as pessoas querem é falar em línguas que ninguém entende, mesmo que isto contrarie o próprio pentecostes, não tem importância, o importante é que fala as línguas (mesmo que esteja falando por mentira ou por outras psicopatias mais graves) e que se sinta EMPODERADO em relação aos outros.
4) Resumindo, a prática dos cultos é mais importante do que as reflexões sobre eles, pois ele eleva o astral dos crentes e os deixam felizes, o resto é teoria, mas o que interessa é diferentemente do que o marxismo, uma práxis sem muita teoria.
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