4 de junho de 2026

 Por mais incrível que possa parecer os Neopentecostais utilizam um conceito básico da filosofia marxista, para fazer exatamente ao contrário.

Por mais incrível que possa parecer os Neopentecostais utilizam um conceito básico da filosofia marxista, para fazer exatamente ao contrário.

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Muitos vão achar que este título é uma mera provocação para chamar atenção de leitores, porém vou provar que não, que na realidade os pastores neopentecostais se servem do conceito de práxis para combater a luta e classes e por isto que ganham espaço perante as religiões cristãs tradicionais, há umas “propositais e explícitas forçadas” na correlação, mas peço indulgência aos leitores.

O mais difícil de encontrar na obra de Marx são definições simples, claras e acadêmicas de seus conceitos, simplesmente porque Marx nunca pretendeu ser um filósofo, mas sim um revolucionário, porém no seu pequeno texto intitulado “Teses sobre Feuerbach” se vê indiretamente o conceito de “Práxis” sob o ponto de vista Marxista, vou simplesmente colocar algumas destas teses para depois seguir no texto:

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2ª) Tese: “A questão de saber se existe verdade objetiva no pensamento humano não é uma questão de teoria, mas uma questão prática. É na Práxis, o homem deve provar a verdade, isto é, a realidade e o poder, que esse pensamento é este mundo. A controvérsia sobre a realidade ou não realidade de um pensamento isolado da prática é uma questão puramente escolástica .

6ª) Tese: “Feuerbach resolve a essência religiosa na essência humana. Mas a essência do homem não é uma abstração inerente ao indivíduo isolado. Na sua realidade, é o conjunto de relações sociais.

Feuerbach, que não faz críticas a esse ser real, é obrigado:

1) Ignorar o curso da história e tornar o espírito religioso uma coisa imutável, existindo por si mesmo, assumindo a existência de um indivíduo humano abstrato e isolado.

2) Considerar, portanto, o ser humano apenas como “gênero”, como uma universalidade interna, muda, vinculando de maneira puramente natural os muitos indivíduos.

7ª) Tese: “Feuerbach não vê, por isso, que o próprio “sentimento religioso” é um produto social e que o indivíduo abstrato que analisa pertence na realidade a uma determinada forma de sociedade.

11ª) Tese: “Os filósofos apenas interpretaram o mundo de maneira diferente; mas é importante mudá-lo.

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Antes de seguir vou colocar uma pequena advertência, cuidado com as traduções do marxists.org para o português, pois em outra parte das “Teses sobre Feuerbach”, as palavras „bürgerlichen Gesellschaft“ são traduzidas para “sociedade civil”, um verdadeiro crime de tradução, esta expressão não era utilizada por Marx e muito menos tem o mesmo sentido, por outro lado mostra que o tradutor quer fortalecer o discurso de Gramsci.

Mas voltando ao ponto central do artigo, os pentecostais e diria os seus ritos.

O pragmatismo dos pentecostais no uso da religião é algo fantástico, principalmente que eles simplesmente em seus cultos e seus ritos adaptam maravilhosamente o que parece estar escrito na bíblia, ou seja, se for para pedir dinheiro aos fiéis desencravam de alguma parte da bíblia a obrigatoriedade dos mesmos a pagaram dízimos, mesmo que na bíblia não fosse exatamente como eles pregam, mas a práxis religiosa diz que pastor sem dinheiro não consegue fazer nada e muito menos sustentar sua família com luxo.

Da mesma forma, a teologia da prosperidade, se lermos todo o novo testamento a mensagem clara e explícita deste é que a pobreza que herdará os céus, mas isto é um mero detalhe teológico e dá origem ao que Marx falou, a discussões meramente escolásticas. Como eles na verdade não são marxistas, eles escondem a metade da frase, ou seja, a busca da verdade pela Práxis, pois esta busca pode dar origem a pensamentos sobre a luta de classes, o erro que a teologia da libertação católica fez.

A sétima tese de Marx, se lida de forma bem enviesada se encaixa perfeitamente na ação dos neopentecostais, ou seja, poderia ser reescrita pelos pastores como:

“Que os católicos e demais religiões protestantes tradicionais não enxergam que o “sentimento religioso” é um produto social de uma determinada forma de sociedade.”

A sexta tese, se encaixa diretamente na crítica as religiões tradicionais, que estão muito interessadas na busca da essência humana, mas na verdade o que é importante são as formas dos cultos e dos ritos para dar uma ideia de religiosidade intensa dos fiéis.

Porém a tese onze é a mais clara de todas, também dando uma “leve” torcidinha teremos:

“Que os padres e pastores tradicionais procuram interpretara a religião; mas que é importante mesmo é mudá-la ao seu benefício.”

Mas voltando a uma digressão de forma mais séria, o conteúdo é o mesmo, poderíamos explicar o sucesso nos ritos neopentecostais pelos seguintes pontos:

1) Os ritos e cultos neopentecostais não estão nem aí para o que está escrito na bíblia, como ela é um livro muito extenso e cheio de contradições, o importante é resumir como o mais importante seja o PENTECOSTES, pois este fala na chegada do espírito santo para os fiéis e eles além se divertirem com a ressureição falam em línguas, gritam, louvam o senhor, tem revelações e daí por diante. Ou seja, não precisam pensar muito sobre todo o resto da bíblia pois deus falará direto a eles.

2) Se nos ritos e cultos, os fiéis acharem bom a introdução até de práticas ditas “pagãs”, com danças e músicas que emulam ritos de outras religiões não cristãs, não importa, o que interessa é que dá certo.

3) Se as pessoas querem é falar em línguas que ninguém entende, mesmo que isto contrarie o próprio pentecostes, não tem importância, o importante é que fala as línguas (mesmo que esteja falando por mentira ou por outras psicopatias mais graves) e que se sinta EMPODERADO em relação aos outros.

4) Resumindo, a prática dos cultos é mais importante do que as reflexões sobre eles, pois ele eleva o astral dos crentes e os deixam felizes, o resto é teoria, mas o que interessa é diferentemente do que o marxismo, uma práxis sem muita teoria.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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