26 de junho de 2026

Histórico: Ângela Davis E O Futuro Da Luta Contra O Racismo

Angela Davis: As negras brasileiras representam o futuro do movimento
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A ativista, professora e filosofa norte-americana responde perguntas sobre racismo, mulheres e o sistema carcerário em coletiva de imprensa no dia da Mulher Negra Latino-Caribenha.

Por Alessandra Monterastelli*

Angela Davis esteve nesta terça-feira (25) na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, para uma conferência em homenagem ao Dia da Mulher Negra Latino-Caribenha.

Ativista feminista, Angela Davis é um ícone da luta pela defesa dos direitos civis da população negra nos Estados Unidos. É responsável por diversas análises de como o racismo, o capitalismo e o sexismo são condições estruturantes nas relações humanas, sendo assim responsáveis por gerar formas combinadas de opressão. Fez parte do grupo Panteras Negras e do Partido Comunista dos Estados Unidos; foi presa e perseguida em 1970, o que resultou na campanha mundial “Libertem Angela Davis” na época.

Em um vídeo gravado e divulgado pela Mídia Ninja, a professora e ativista reconhecida mundialmente pela luta contra o racismo e o machismo respondeu diversas perguntas feitas por estudantes e jornalistas.

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Em seguida, Angela fez uma conferência no salão nobre da Reitoria da universidade. O título da palestra foi “Atravessando o tempo e construindo o futuro da luta contra o racismo”, , que é resultado de uma parceria entre o Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (NEIM/UFBA), com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). A instituição propôs a vinda da filósofa para ministrar um curso a um grupo de sua comunidade universitária, e a organização feminista Odara, Instituto da Mulher Negra.

“As mulheres negras brasileiras representam o futuro do movimento de mulheres negras”, disse ela durante a palestra.

Na coletiva, a primeira pergunta pedia a opinião de Davis em relação à arte difundida e utilizada dentro dos movimentos sociais, ao que a autora disse acreditar ser de extrema importância. Lembrou que na época da escravidão a música foi um fator determinante para o movimento abolicionista: “Qualquer movimento que tenha expectativa de provocar uma mudança duradoura, deveria reconhecer a importância da comunicação entre diferentes gerações”.

“Certamente as novas gerações tem muito a aprender com o conhecimento acumulado de gerações anteriores, mas principalmente vice e versa”, declarou, lembrando a importância da juventude nas lutas sociais. “Os jovens não tem medo de buscar o novo”.

Um dos principais temas do debate foi o sistema carcerário, que Davis afirmou ser industrial, relembrando sua ligação com o racismo institucional. “A punição associada ao encarceramento tem mantido ligações muito óbvias com o sistema de escravização. Haviam aqueles que argumentavam que o sistema escravocrata deveria ser mantido como instituição, mas que deveria se transformar em uma instituição mais humanizada. Nós defendemos que argumentar em prol da reforma carcerária é simplesmente um argumento que visa manter o racismo e a repressão do aprisionamento”.

Defensora do fim do atual modelo de sistema penitenciário, a professora afirmou que esse seria o método para “reformar a sociedade de forma que não haja mais a necessidade da manutenção de medidas de repressão, para construir uma sociedade sem racismo, sem estruturas hetero-patriarcais e capitalistas, onde a reabilitação seja livre e o sistema de saúde gratuito”.

Quando questionada sobre o caso de Rafael Braga, jovem negro e único manifestante preso nas manifestações de junho de 2013 sem as devidas investigações, e a possibilidade de apoio de instituições internacionais a casos como esse, a ativista concordou que “há de fato uma necessidade em desenvolvermos coalizões de âmbito internacional em busca da libertação de prisioneiros” e comentou que, segundo ela, o ex-presidente norte-americano Barack Obama “poderia ter tomado decisões mais firmes em relação a outorgar clemencia aos prisioneiros políticos”.

Angela Davis também comentou do seu entusiasmo com a Bahia e o Brasil: “eu me sinto muito entusiasmada em função da cultura, dos movimentos políticos e do comprometimento desses movimentos com as pessoas”.

* Alessandra Monterastelli é estagiária do Portal Vermelho

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