4 de junho de 2026

A Mulata, de Mello Moraes Filho e Xisto Bahia, na interpretação de Clara Petraglia

Resgate de Luciano Hortencio

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A MULATA – Mello Moraes Filho – Xisto Bahia

Eu sou mulata vaidosa,

Linda, faceira, mimosa,

Quaes muitas brancas não são!

Tenho requebros mais belos,

Se a noite são meus cabelos,

O dia é meu coração.

 

Sob a camisa bordada,

Fina, tão alva, arrendada, bis

Treme-me o seio moreno:

É como o jambo cheiroso,

Que pende ao galho frondoso bis

Coberto pelo sereno.

 

Nos bicos da chinellinha,

Quem voa mais levezinha, bis

Mais levezinha do que eu?

Eu sou mulata tafula,

No samba, rompendo a chula, bis

Jamais ninguém me venceu.

 

Ao afinar da viola,

Quando estalo a castanhola, bis

Ferve a dança e o desafio.

Peneiro n’um mole anseio,

Vou mansa n’um bamboleio bis

Qual vai a garça no rio.

 

Aos moços todos esquiva,

Sendo de todos captiva, bis

Demoro os olhares meus ;

Mas, se murmuram : maldita!

Bravo, mulata bonita! bis

Adeus, meu yoyô, adeus.

 

Minhas yayás da janella

Me atiram cada olhadella, bis

Ai dá-se mortas assim .

E eu sigo mais orgulhosa

Gomo se a cara raivosa bis

Não fosse feita pra mim.

 

Na fronte ainda que baça,

Me assenta o torço de cassa, bis-

Melhor que croa gentil.

E eu posso dizer ufana, bis

Que, qual mulata bahiana, bis

Outra não ha no Brasil.

 

Nos meus pulsos delicados

Trago corais engraçados, bis

Contas d’ouro e coralinas.

Prendo meu panno á cintura, bis

 Que mais realça á brancura, bis

Das salas de rendas finas.

 

Se arde um desejo agora,

De meus affectos senhora, bis

Sei encontra-lo no amor.

Minh ‘alma é qual borboleta, bis

 Que voa e voa inquieta,  bis

Pousando de flor em flor.

 

Meus brincos de pedraria

Tombam, fazendo harmonia, bis

Com meu cordão reluzente.

Na correntinha de prata, bis

Tem sempre e sempre a mulata, bis

Figuinhas de boa gente.

 

Eu gosto bem d’esta vida,

Que assim se passa esquecida, bis

De tudo que é triste e vão.

Um dito repenicado,

Um mimo, um riso, um agrado, bis

Captivam meu coração.

 

Nos presepes da Lapinha,

Só a mulata é rainha, bis

Meiga a mostrar-se de novo.

De minha face ao encanto,

Vai-se o fervor pelo santo, bis

Pra o santo não olha o povo.

 

Minha existência é de flores,

De sonhos, de luz, de amores, bis

Alegre como um festim.

Escrava, na terra um dono,

Outro no céu sobre um throno, bis

Que é meu Senhor do Bomfim.

 

Na fronte ainda que baça,

Me assenta o torço de cassa, bis

 

Melhor que croa gentil.

E eu posso dizer ufana, bis

Que, por mulata bahiana, bis

Outra não ha no Brasil.

 

Obs: Clara Petraglia interpreta apenas algumas estrofes e não segue a sequencia original.

Luciano Hortencio

Música e literatura fazem parte do meu dia a dia.

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2 Comentários
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  1. Odonir Oliveira

    23 de junho de 2017 7:54 pm

    Nesses tempos em que se discute tanto o politicamente correto

    as marchinhas tão inocentes e brejeiras são documentos histórico-sociais de um tempo. Bom.

    Abraço.

    Di Cavalcanti

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=HrTyIs4zx2o%5D

  2. lucianohortencio

    23 de junho de 2017 11:50 pm

    Mulata – ano de 1906

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=j7YFbIFFHeo%5D

    Obrigado.

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