17 de junho de 2026

Bolsonaro vai cair abraçado a Guedes?, por Ricardo Cappelli

Enquanto o fanatismo ideológico afunda a economia, o pescoço esticado na guilhotina é o de Bolsonaro.

Bolsonaro vai cair abraçado a Guedes?

por Ricardo Cappelli

A queda de Guedes parece questão de tempo. Sua reunião com os movimentos que estão convocando o ato do dia 15 foi um recibão. O ministro afirmou que “temos apenas 15 semanas para mudar o país”. Declaração de quem sabe que sua ampulheta virou.
Bolsonaro nunca foi um liberal. Deputado, votou contra a agenda de FHC.
Surfista profissional, o presidente olhou para o mar, percebeu a direção do vento e resolveu comprar a onda que o “posto Ipiranga” lhe vendeu. Com o “pibinho” de 2019 e o horizonte nublado ainda mais pelo coronavirus, não há qualquer sinal de que o ministro vá entregar o que prometeu.
Pragmático, Jair sabe que a linha de enfrentamento com o sistema só se sustenta com apoio popular. No “parlapresidencialismo” brasileiro, o presidente não pode dissolver o Congresso, mas o parlamento está sempre “afiando facas”, aguardando a popularidade do presidente derreter.
Mas a regra é clara: só cai o presidente que é abandonado pelo povo.
Enquanto o fanatismo ideológico afunda a economia, o pescoço esticado na guilhotina é o de Bolsonaro. Isolado, sabe que se sua popularidade despencar seu fim pode ser o mesmo de Collor e Dilma. Ele vai ficar olhando?
Só parecem existir dois caminhos: o fechamento democrátio – para o qual ainda lhe falta força – ou a mudança da política econômica.
No projeto autoritário de poder do Capitão a economia é meio, não fim. Com um governo repleto de militares nostálgicos, ele pode trocar a atual política econômica pelo “liberalismo desenvolvimentista do Milagre Brasileiro dos Anos de Chumbo”?
Entre 1969 e 1973 o Brasil cresceu, em média, mais de 10% ao ano. Os economistas divergem sobre a natureza e as conseqüências do “Milagre”. Segundo Delfim Neto, “o Milagre Brasileiro e os Anos de Chumbo foram simultâneos. Ambos reais, coexistiam negando-se. Passados mais de trinta anos, continuam negando-se. Quem acha que houve um, não acredita (ou não gosta de admitir) que houve o outro”.
É óbvio que vivemos num contexto macroeconômico completamente diferente, mas o que fazer com a economia derretendo e uma nova crise global batendo à nossa porta?
Continuar apostando na miragem da retomada do crescimento via investimento privado com a demanda esmagada por milhões de desempregados e subempregados?
Ninguém no Planalto tem consciência deste cenário? Se houver uma virada na política econômica com a injeção de 30 bi em programas habitacionais e de infraestrutura, a Faria Lima, reduto dos financistas, vai se revoltar e aderir ao “Volta Lula”?
A redução da taxa de juros e os ajustes já promovidos abriram a possibilidade de se sonhar com algum espaço fiscal. Nosso mercado interno continua sendo uma alavanca potente.
O casamento entre a extrema-direita e o capitalismo de estado é velho conhecido da história. Foi o “milagre” econômico do Terceiro Reich que ergueu os alicerces de Auschwitz sob aplausos do povo alemão.
Consultando um renomado economista progressista sobre esta hipótese, recebi a seguinte resposta: “se Bolsonarro seguisse os programas econômicos de Hitler e Mussolini viraria mito”.
Absurdo? Oremos.

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  1. Rui Ribeiro

    5 de março de 2020 10:10 am

    Acho que a frase “se Bolsonaro seguisse os programas econômicos de Hitler e Mussolini viraria mito” é ambígua. Da forma como a frase está redigida dá a entender que se o Bolsomerda seguisse os programas econômicos do Hitler, o Mussolini viraria mito.

    Acho que a frase perderia sua ambiguidade se fosse escrita da seguinte forma:

    “Se o Bolsonaro seguisse os programas econômicos do Hitler e DO Mussolini, ele viraria mito”.

    Esse tipo de dúvida gramatical sempre me persegue. Desculpe essa intervenção, Capelli, e gostaria de ouvir sua opinião sobre isso, por favor.

  2. Naldo

    5 de março de 2020 10:11 am

    Ora….o indigitado já entregou o pescoço de cada trabalhador para a guilhotina dos podres abutres rentistas após a destruição da previdência. . era o que queriam…..o cidadão pode ir pra maiami, oropa, ou pra pqp, aproveitar os frutos da desgraça que plantou, que sempre será lembrado com carinho pela vara nauseabunda e fétida disfarçada em perfume francês..assim como o ociologo, que os permitiu receber centenas de bilhões em lucros sem pagar um centavo de imposto…..seus retratos estarão um ao lado do outro nos escritórios da malta canalha ….

  3. Lúcio Vieira

    5 de março de 2020 10:54 am

    O caminho do Bolsonaro deverá ser o da força bruta, pois caso o seu povo estivesse acompanhando-o, a tal da Aliança do Mal não teria sido este retumbante fracasso de público.

  4. Marcelo Dorneles Coelho

    5 de março de 2020 11:19 am

    A frase referida não é de Delfim, mas de Élio Gaspari, em sua conhecida obra sobre a ditadura militar. Aliás, riquíssima em informações e…lastimável em interpretação, bastando dizer que o jornalista não se refere uma única vez ao que ocorreu em 1964 como golpe. A esquerda precisa se refortalecer, apresentando um projeto para além do lulismo e mostrando que o casamento do ultraliberalismo com a extrema direita só vai acirrar a desigualdade e impor amarras ao crescimento do país. Com todo o respeito a quem pensa diferente, os protestos previstos para este mês podem propiciar ocasiões para começar a divulgar elementos de tal proposta alternativa.

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