5 de junho de 2026

Os índios têm problemas com os não-índios desde o descobrimento, diz Toni Lotar, da Fundar

Maíra Vasconcelos entrevista o vice-presidente da Fundação Darcy Ribeiro (Fundar), que esmiuçou o atual momento político dos movimentos indígenas em confronto direto com as políticas e discursos anti-indígenas do governo de extrema direita de Jair Bolsonaro.

Os índios têm problemas com os não-índios desde o descobrimento, diz Toni Lotar, da Fundar

por Maíra Vasconcelos

“Os índios estão muito preocupados, porque eles nunca viram alguém explicitamente fazer as declarações que o presidente faz, até mesmo de incitação ao ódio e ao preconceito”.

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Conversei com o indigenista e vice-presidente da Fundação Darcy Ribeiro (Fundar), Toni Lotar[1], que esmiuçou o atual momento político dos movimentos indígenas em confronto direto com as políticas e discursos anti-indígenas do governo de extrema direita de Jair Bolsonaro. A importância do necessário entendimento, por parte da população brasileira, sobre as questões indígenas e ambientais, a demarcação das terras indígenas, por exemplo, como fundamentais protetores da biodiversidade do país. E que a luta por essa conscientização passe necessariamente pela comunicação de massa. “A conquista de espaços na grande mídia é fundamental para conscientizar o povo”.

Lotar falou também sobre a campanha do cacique Raoni para o Nobel da Paz 2020, outra forma de luta dos movimentos indígenas para ganhar visibilidade midiática, além de ser uma reação aos ataques frontais do governo contra a população indígena.

Sobre o atual governo e as políticas públicas direcionadas aos povos indígenas.

Os índios têm problemas com os não-índios desde o descobrimento, em 1500. Mas nunca houve um governo tão hostil e tão declaradamente anti-indígena e preconceituoso como esse governo atual. Os governos anteriores, alguns não fizeram nada, outros fizeram pouco, outros alguma coisa, mas nunca houve alguém que manifestadamente se declarasse anti-indígena como o presidente atual. É uma atitude que chega a ser bizarra. Aliás, o governo atual também é bizarro nas áreas de educação, cultura e meio-ambiente, entre outras políticas preconceituosas e retrógradas que tem encaminhado ao Congresso.

Quem são os aliados de Bolsonaro?

Neste governo tem aquele Nabhan Garcia, que é um líder ruralista, representante do setor mais radical da União Democrática Ruralista (UDR), conhecido há anos como um ruralista agressivo e envolvido com milícias e violência rural, e que está infiltrado no governo, na Secretaria Nacional de Assuntos Fundiários (SEAF). Foi para ele que o Bolsonaro tentou passar, no início do ano passado, a área de demarcação de terras da FUNAI (Fundação Nacional do Índio).

Me parece que, dentro do governo federal, os dois principais agentes do mau são o Nabhan, nessa área fundiária, que representa os piores interesses do agronegócio predatório, pois nem todo empresário do agronegócio é predador. Boa parte deles sabe que existem protocolos na Europa, que passam por questões de sustentabilidade ambiental. Agora, o Nabhan é da linha do laissez-faire laissez-passer, do vamos em frente que tudo pode.

O outro é o Ricardo Sales, atual ministro do Meio-ambiente, que simplesmente desmontou o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), desmontou o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), flexibilizou a legislação de agrotóxico, fragilizando esses órgãos de proteção ambiental. Enfim, a impressão que se tem é que os dois são os principais agentes intelectuais do processo e que a predação ambiental do Brasil e o ataque aos povos indígenas passam por essas duas figuras nefastas.

FUNAI: descaracterização e aparelhamento anti-indígena.

No meio disso, o aparelhamento da FUNAI também está sendo feito através da nomeação de pessoas notoriamente anti-indígenas. No tempo do Temer, por exemplo, houve o aparelhamento, mas era um pessoal mais motivado pela corrupção do que por uma ação deliberadamente anti-indígena. Havia manipulação daqueles editais da FUNAI, de hora de voo, de compras. E fizeram isso na era do Temer, com a SESAI (Secretaria Especial de Saúde Indígena), com aquelas licitações de medicamentos, e passava por aquelas empresas terceirizadas que forneciam frotas de veículos para atender as aldeias dentro do princípio da saúde indígena diferenciada.

Com a entrada do Bolsonaro, o que era um mecanismo de aparelhamento e sucateamento voltado para corrupção, tornou-se um aparelhamento feito por inimigos confessos dos índios, direcionado para desmontar a política indigenista historicamente voltada para a proteção dos direitos dos povos indígenas, garantidos pela Constituição Federal de 1988.

O presidente atual da FUNAI é um delegado (Marcelo Augusto Xavier, delegado da Polícia Federal) que atuou em uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), anos atrás, contra a FUNAI e o CIMI (Conselho Indigenista Missionário). Ele foi membro da acusação contra a atuação da FUNAI. Uma diretora nomeada para o departamento de demarcação de terras indígenas, parece até que já saiu, tem como única ligação em seu currículo profissional com os índios, era uma ação contra uma demarcação de terra indígena. 

Assim, a FUNAI, hoje, além de estar sucateada, do ponto de vista de orçamento, está dirigida por pessoas aliadas a políticas anti-indígenas que estão tentando cooptar uma pequena minoria de povos e de lideranças não representativas, alinhando-se e fazendo coro junto ao Bolsonaro, nessa questão de mineração, de agricultura de soja, monocultura e garimpo em terra indígena. Isso é um negócio que existe em bem poucas áreas indígenas.

Inclusive, os Parecis, lá do Mato Grosso, são parceiros antigos do sistema de arrendamento de suas terras, desde o tempo do pai do Blairo Maggi, que já era do ramo. Ele é a segunda geração. Quando o pai era ainda o gestor das fazendas, ele fez uma parceria com a população Parecis, que estava na fronteira das terras deles. Essas famílias arrendaram grandes áreas de terras indígenas para plantar soja e milho. Tudo isso, dando em contrapartida um pagamento pelo arrendamento da terra.

“A FUNAI, hoje, além de estar sucateada, do ponto de vista de orçamento, está dirigida por pessoas aliadas a políticas anti-indígenas”.

É por isso que os Parecis aparecem nessas manifestações, junto com uns poucos índios cooptados, que declaram apoio ao governo. Inventaram até uma associação de agricultores indígenas para assinar cartas de apoio ao governo. Então, isso funciona assim.

O movimento indígena, Raoni, e a luta contra o governo Bolsonaro.

Esse é um governo, realmente, assustador para os povos indígenas e para os ambientalistas. Os índios estão muito preocupados porque eles nunca viram alguém explicitamente fazer as declarações que o presidente faz, até mesmo de incitação ao ódio e ao preconceito. Isso de que os índios estão cada vez mais parecendo-se a seres humanos, por exemplo, é inaceitável ainda mais dito por um presidente da República. Por isso, o movimento indígena está se mobilizando para se unir contra essas ameaças e traçar uma estratégia de ação comum.

O grande Encontro de Lideranças[2] que o cacique Raoni promoveu na aldeia de Piaraçu, foi o encontro visando unificar e fortalecer o movimento indígena nacional, que durante a reunião manifestou o total reconhecimento do Raoni como o maior líder indígena do Brasil. É o maior líder indígena do planeta: Raoni, 89 anos de idade e 60 anos de luta. Ele começou lá atrás, em 1953, quando os irmãos Villas-Bôas fizeram o contato com seu povo Mebengroke, que é mais conhecido como Kayapó, mas a autodenominação é Mebengroke. Kaiapó era uma designação que outros índios davam a esse povo.

O Raoni começou sua trajetória lá atrás, aprendeu português, participou com os irmãos Villas-Bôas de vários processos de atração de outros povos para evitar maiores mortandades. Em 1978, teve aquele filme[3], “Raoni”, quando o líder indígena nunca tinha saído do seu território, que foi exibido no festival de Cannes e disputou o Oscar de melhor documentário, tornou-o conhecido mundialmente. Nós, da Fundação Darcy Ribeiro, estamos articulando para relançar o filme, ainda este ano, apoiando a sua digitalização. Faz parte do calendário programado para alavancar o Raoni rumo ao Nobel da Paz de 2020.

Como surgiu a campanha do Raoni para o Nobel da Paz?

O Nobel da Paz é uma ideia que eu tinha há muitos anos. No ano passado, quando o Raoni percebeu essa problemática nova do governo Bolsonaro, ele estava recolhido na sua aldeia. Fazia alguns anos que ele não saía, mas ele percebeu que teria que voltar ao mundo para denunciar essas novas ameaças, por causa das falas agressivas e das políticas que o governo começou a divulgar e que ameaçavam como nunca a preservação da Amazônia e os direitos conquistados pelos povos indígenas na Constituinte de 1988.

Logo no primeiro dia do governo Bolsonaro, dia 2 de janeiro de 2019, o primeiro ato foi aquela tentativa de divisão da FUNAI. O presidente lançou uma medida provisória que fracionava e tirava a FUNAI do Ministério da Justiça. Passaria uma parte para a ministra Damares (Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos), e outra parte da FUNAI, responsável pela demarcação de terras indígenas, para o ministério da Agricultura. Quer dizer, era colocar a raposa para cuidar do galinheiro. Como que um ministério vocacionado para atividades agrícolas iria coordenar a demarcação de terra indígena. Ele não conseguiu fazer isso porque depois o Congresso não aprovou e o Supremo Tribunal Federal (STF) se manifestou contra.

O Raoni percebeu isso, esse grande risco para os indígenas, pois é uma política muito escancarada. Esse governo não tem nenhum pudor em fazer certas coisas, ele explicita. Foi quando o Raoni resolveu sair da aldeia e voltar para o mundo para denunciar novamente essas ameaças. Ele fez uma primeira viagem à Europa, em maio de 2019, reunindo-se com o Papa, o Macron (atual presidente da França), com o prefeito de Bruxelas e o príncipe de Mônaco.

Ele sentiu que era necessário voltar ao mundo para fazer essas novas denúncias. Denunciar essa nova fase de ataques violentos aos povos indígenas e à Amazônia, ameaças dramáticas à sustentabilidade da Amazônia brasileira, com a liberação de projetos de mineração, do garimpo e a retomada de usinas hidrelétricas, coisas jamais perpetradas por nenhum governo anterior.

No ano passado, ele fez três viagens internacionais, duas para a Europa e uma para os Estado Unidos. Inclusive, a última viagem foi na oportunidade daquela fala destemperada do Bolsonaro na ONU[4], quando, pela primeira vez, um presidente na abertura da ONU destratou alguém. Isso nunca tinha acontecido. Ele se referir ao Raoni da maneira como se referiu, levando uma menina que não tem nada a ver com liderança indígena que saiu da aldeia criança, desde então, mora em São Paulo, em Embu das Artes.

Com a visibilidade internacional que Raoni obteve com essas viagens, sentimos que era o momento, com seus 89 anos de vida e 60 anos de luta pelas causas indígena e ambiental, de formalizar a candidatura dele ao Nobel da Paz. Sua indicação ao Nobel foi articulada pela Fundação Darcy Ribeiro. Porque o Darcy Ribeiro, além de ter trabalhado 10 anos com o Marechal Rondon, desde 1947, no antigo SPI (Serviço de Proteção dos Índios), e de ter fundado o Museu do Índio, ali ao lado do Maracanã, em 1953, foi ele quem em 1961 redigiu o decreto de criação do Parque do Xingu, para o então presidente Jânio Quadros assinar. Essa foi a primeira terra indígena oficialmente homologada por um presidente do Brasil.

Quando veio o governo militar, o SPI foi extinto e se transformou em FUNAI. Então, a FUNAI é a sucessora do SPI que o Rondon criou em 1910. Em 1947, o Darcy, recém-saído da USP, como antropólogo, foi contratado pelo Rondon para criar no SPI, o Serviço de Estudos e Pesquisas Etnográficas. Ele e a esposa dele, na época, a também antropóloga Berta Ribeiro. A primeira terra indígena demarcada do Brasil foi a do Xingu, cujo decreto foi redigido pelo antropólogo. Ele convenceu o Jânio Quadros a assinar.

Estão ocorrendo mudanças no movimento indígena por causa das ações do governo Bolsonaro?

Exatamente. São novas estratégias que estão surgindo em função da agressividade desse atual governo. A candidatura do Raoni ao Nobel da Paz 2020 emerge disso. Ela é fruto disso. Ele estava lá tranquilo na aldeia dele, mas percebeu a gravidade da situação e teve que sair, voltar ao mundo para fazer as denúncias. Indicá-lo ao Nobel da Paz gerou um reconhecimento mundial. A indicação do cacique Raoni não foi para 2019, ele foi indicado para o Nobel de 2020. O prazo de indicação de cada ano termina em 31 de janeiro e a indicação dele foi feita em setembro do ano passado. Então, já não era mais para 2019, era 2020.

Ele está concorrendo agora. Mas, como a notícia vazou para a imprensa, houve uma grande aceitação no mundo inteiro. Me lembro que a primeira notícia quem publicou foi a agência Reuters e em 72 horas estava no New York Times, The Guardian, Le Monde, no mundo inteiro, em todos os jornais do Brasil.

Ele, junto da adolescente sueca Greta Thunberg, chamada pejorativamente de pirralha pelo presidente Bolsonaro, eram os dois favoritos das bolsas de apostas de Londres e Nova York. Isso tudo apenas 15 dias após ter vazado a notícia do Nobel. Isso também ajudou a blindar o Raoni, e deu a ele ainda mais visibilidade, credibilidade, respeito e reconhecimento internacional do seu trabalho. Quando o presidente destratou o Raoni na ONU, o movimento indígena se juntou para fortalecer e reconhecê-lo como a principal liderança indígena do Brasil. E o próprio Sting, que tinha saído pelo mundo com ele em 1984 para fazer aquela captação de recursos, que acabou gerando a demarcação da terra indígena Kayapó, também se manifestou contra essa fala do presidente na ONU.

O ápice desse movimento foi esse encontro agora que o Raoni convocou na Aldeia de Piaraçu, onde compareceram mais de 600 lideranças do Brasil inteiro, no qual foi feito o Manifesto de Piaraçu, relacionando as principais demandas e preocupações atuais dos povos indígenas. Durante este Encontro, também ficou reafirmado que os povos todos reconhecem no Raoni a sua grande referência, a sua maior liderança, manifestando também apoio total à sua indicação ao Nobel da Paz.

O encontro na aldeia de Piaraçu.

Era um desejo antigo do Cacique Raoni de fazer uma reunião de lideranças na sua aldeia, mas, com essa situação atual, o que era para ser uma reunião do povo Kayapó, virou uma grande reunião nacional, como nunca houve. Tem aquelas reuniões que acontecem em Brasília, os ATLA (Acampamentos Terra Livre), que a APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) organiza todos os anos e vão lá dois, três mil índios, realizado em Brasília. Uma reunião como essa, com 600 lideranças representando 47 povos indígenas do Brasil inteiro, dentro de uma aldeia no meio da floresta, nunca tinha acontecido.

Foi um evento que o Raoni convocou para criar uma união de todo o movimento indígena nacional. Compareceram as diretorias das principais organizações indígenas do país, APIB, COIAB, ATIX, FEPOIMT, lideranças tradicionais, caciques do Alto e do Médio Xingu, as lideranças todas dos Kayapó ali do Mato Grosso e do Pará, dos Xikrin, dos Munduruku, dos Tapirapé, dos EnaweneNawe, Arara, veio todo mundo. Foi uma reunião espetacular e isso fortaleceu muito o movimento, porque havia muitos organismos atuando isoladamente, o encontro juntou todo mundo. O grande polo de atração do movimento foi o Raoni.

Ontem, ele chegou em Oxford para ser protagonista em um seminário que a Universidade de Oxford está realizando em torno à temática ambiental e indígena. É parte da agenda que ele vai seguir ao longo do ano inteiro. Na volta, ele vai formar uma comitiva de lideranças tradicionais para entregar às autoridades do Brasil o manifesto de Piaraçu. O manifesto será entregue ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e ao presidente do STF, entre outras autoridades.

Ele vai formar uma comitiva com outras lideranças tradicionais que estiveram no encontro de Piaraçu e outras notáveis que também deverão se juntar ao Raoni. O Cacique vai cumprir novamente este ano uma agenda política em defesa dos povos indígenas e da preservação da Amazônia.

A pressão política dos organismos internacionais.

O governo começa a sentir a pressão internacional. Em Davos, o ministro da Economia esteve lá, querendo exibir a reforma da previdência e tomou uma dura dos grandes fundos de investimento. Foi avisado que só receberão investimentos os países que tiverem selo ambiental. Foi avisado ao Paulo Guedes, no mesmo local, bem como ao presidente do Banco Central, de que se não tivermos políticas sustentáveis e de preservação da Amazônia e outros biomas não haverá investimento externo no Brasil.

Por isso, inventaram às pressas esse Conselho da Amazônia[5], que nasceu do nada. O Conselho da Amazônia, ainda sem estrutura, foi delegado ao vice-presidente, o general Hamilton Mourão, para ser o coordenador. Junto com isso, uma força nacional de proteção ambiental, que são medidas para tentar reverter esse posicionamento do capital internacional, de que com essas políticas do presidente Bolsonaro, o dinheiro não virá. E se o dinheiro não vier, o Brasil não vai rodar, o crescimento não vai acontecer e o desemprego não vai baixar.

Uma outra ameaça é o boicote dos países da União Europeia à compra dos produtos agropecuários brasileiros, o que também está preocupando a turma do agronegócio estruturado. Essa turma, na qual se inclui o próprio Blairo Maggi e a ex-ministra Kátia Abreu, já manifestou sua preocupação com essas políticas e essas falas do governo. Esses empresários investiram milhões e milhões para mecanizar agricultura, visando mercado externo; com a soja se faz óleo na Europa, se alimenta o gado na China. Se vier um boicote de compra, esses empresários do agronegócio quebram. Porque essa pauta das mudanças climáticas é uma pauta de preocupação mundial, é um problema do planeta. Não é um problema do Brasil e da Amazônia. A situação é muito grave!

A bancada ruralista tem mais de 300 deputados federais no Congresso. Eles é que deram suporte à eleição do Bolsonaro. Mas parte deles começa a ficar muito preocupada. A própria ministra da agricultura, Tereza Cristina, refutou uma fala do ministro Guedes em Davos. Quando o Guedes[6] lançou aquela pérola de que é a pobreza que desmata, nem a ministra da Agricultura se segurou, ela desmentiu. Pobreza não desmata, como assim? O que desmata são os garimpeiros, os madeireiros, os grileiros, os criadores de gado em regime de pastagens extensivas. Não é nem o pessoal do agronegócio consciente que investe em produtividade em áreas que já estão desmatadas. Garimpo ilegal, mineração sem consulta prévia aos povos, isso, sim, para eles é preocupante.

Há uma política concreta do governo contra os povos indígenas, com projetos de lei sendo enviados ao Congresso.

 Só não vai faltar violência contra os povos indígenas, isso vai continuar a aumentar. O Bolsonaro assinou o projeto para regulamentar o garimpo, a mineração e a geração de energia em terras indígenas. Uma estratégia do movimento indígena é cobrar do presidente da Câmara, Rodrigo Maia[7], o compromisso que ele assumiu com o próprio Cacique Raoni e outras lideranças indígenas, no final de 2019, de não pautar projetos desse teor, que ameaçam o meio-ambiente e os direitos constitucionais dos povos indígenas.

Outra estratégia é pressionar para que o Parlamento Europeu e os grandes fundos de investidores internacionais ameacem boicotar produtos agropecuários brasileiros e bloqueiem a remessa de novos investimentos ao Brasil como já foi dito ao ministro Paulo Guedes, durante o Fórum de Davos, em janeiro deste ano.

Como já disse, os grandes fundos internacionais de investidores já declararam que sem “Selo ambiental” não haverá mais envio de recursos a países que não tiverem uma política ambiental sustentável. Esse recado o ministro Paulo Guedes ouviu pessoalmente em Davos e o Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, ouviu por telefone de grandes banqueiros e investidores institucionais.

A comunicação midiática e os movimentos indígenas

A grande mídia também está sendo atacada pelo presidente Bolsonaro. Ele ataca a Folha, o Estadão, as organizações Globo, ele ataca todo mundo, ataca o partido que o elegeu e abandonou. O presidente se tornou um inimigo confesso da imprensa, fazendo boicote de publicidade governamental nos jornais e revistas, ameaçando impedir que a Rede Globo renove a concessão. Ele é um inimigo autoritário e declarado também da grande mídia. Essa é uma variável.

A outra variável é que o tema é tão alarmante, a questão das mudanças climáticas é tão óbvia, é tão urgente e tão disseminada, que é pauta obrigatória da grande mídia. Ela não tem como fugir dessa temática, é uma questão que está no mundo inteiro, não é pauta brasileira, é pauta mundial. 

Com essa unificação, essa nova forma de atuação do movimento indígena, contando com a penetração que o Raoni tem na mídia nacional e internacional, porque o Cacique é um personagem que, em função da sua história, é midiático. Aonde ele vai, as câmeras, os holofotes, os microfones, os pedidos de selfie se deslocam. Ele é um ídolo, uma lenda viva. É uma figura emblemática, no mundo inteiro.

O Raoni tem aberto muito espaço na mídia, com seu posicionamento, inclusive, claramente, sobre o governo atual. Ele é um guerreiro destemido, tem 89 anos, nunca temeu nada. Não é agora que ele vai se intimidar com um presidente desse tipo. Num vídeo gravado durante o encontro de Piaraçu ele fala: “Bolsonaro, se você continuar falando coisa ruins e fazendo coisa errada, eu vou aí, eu vou aí falar direto com você!”. Dentro da tradição das grandes lideranças indígenas não tem esse negócio de mandar recado por terceiros. É olho no olho.

O Raoni tentou falar com o Bolsonaro no início do ano passado. O presidente recusou qualquer contato. O que ele fez foi apresentar alguns índios cooptados sem nenhuma representatividade, e na abertura da ONU cometeu aquela injúria. Pegar uma personalidade, um patrimônio da humanidade, um patrimônio do Brasil, que é o Cacique Raoni Metuktire e desancar ele no púlpito da ONU, isso é algo inadmissível. Raoni é como Madre Teresa de Calcutá e o Papa Francisco. É uma pessoa que, ao longo da vida dele, não tem uma mácula sequer. Pobre, mora na aldeia, vive lá com uma pequena aposentadoria, do tempo que ele era servidor da FUNAI. Vêm agora utilizando de fakenews para dizer que ele toma champagne no apartamento em Paris. Chega a ser ridícula uma leviandade dessas.

 “Bolsonaro, se você continuar falando coisas ruins e fazendo coisa errada, eu vou aí, eu vou aí falar direto com você!”.

Naquele momento, acho que foi um erro grosseiro do presidente ter puxado esse ataque frontal a uma figura tão respeitável como é o Raoni. Tanto é que está aí: é um candidato forte a ganhar o Nobel da Paz, desse ano. Não tenho dúvida em relação a isso.

O Raoni está determinado a empreender o que for necessário para reverter o quadro atual para que os direitos indígenas sejam respeitados, que as demarcações de terra não retroajam e a preservação da Amazônia seja colocada em uma pauta efetiva. Aos 89 anos, com muito vigor, muita motivação, ele tem uma forte capacidade espiritual. Quando ele foi percebido pelo povo dele, quando era criança, pelo avô, que foi uma grande liderança, o Raoni já tinha características espirituais iguais, de pessoa com o dom da fala, o dom de criar consensos, resolver conflitos e de gerar a paz. Ele tem uma força não só política como também espiritual. E isso os povos indígenas reconhecem, ele é uma figura mítica. Esse lado mítico é totalmente respaldado pela história de vida dele. Não tem nada, nada, nada na história de vida do Cacique que o desabone.

Darcy Ribeiro não morreu – Sobre a Fundar

O presidente Bolsonaro ataca o cacique Raoni como ataca o Paulo Freire, não sei como ainda não atacou o Darcy Ribeiro. Mas deverá atacar. Pela Fundação Darcy Ribeiro estamos com uma estratégia de trazer de volta as ideias do Darcy. Ele foi o criador da UnB (Universidade de Brasília), foi o primeiro reitor da UnB, quem criou no governo do Rio de Janeiro, quando era vice-governador, a filosofia da educação em tempo integral, com os CIEPs (Centros Integrados de Educação Pública).

O Darcy não morreu, suas ideias continuam vivas e mais atuais do que nunca. Essa junção de Darcy Ribeiro com Raoni é um elo muito forte. O Darcy trabalhou e começou sua vida profissional com o Rondon que foi seu grande ídolo.

A Fundação Darcy Ribeiro tem como missão preservar e implementar o legado de Darcy, que foram inúmeros. Ele foi um antropólogo brilhante, um grande estadista, um educador, um homem de cultura. No Rio de Janeiro, ele criou a primeira secretaria estadual de cultura do Brasil.

Darcy foi um ambientalista pioneiro, ele tombou essas áreas do litoral de Angra dos Reis, de Paraty, isso tudo que está tombado até hoje, esses parques que tem aqui, que agora o Bolsonaro quer transformar na Cancun brasileira; isso, na época que ele era vice-governador. Darcy foi um grande escritor com uma obra etnográfica e literária importante e consistente. Maíra é um de seus livros mais importantes. Por isso, dizemos que Darcy não morreu, pois seu ideário continua vivo e muito atual nestes tempos de poucas ideias.

A FUNDAR também está se reestruturando, por causa das políticas anti-democráticas do novo governo?

A Fundação como outras instituições dedicadas a educação e a cultura está sem recursos. Com essa política cultural que impediu os projetos culturais de existirem, estão hoje totalmente restritos. A Fundação está com pouco recurso, mas, mesmo assim, nós vamos empreender projetos, ações, para revitalizar agora o memorial Darcy Ribeiro, que fica dentro do campus da UnB; o memorial foi feito com a coordenação do Darcy. É um prédio redondo, o qual ele reconstitui uma oca do povo ianomâmi, lá do Alto Roraima, é uma coroa circular, com um jardim central. Em parceria com a reitoria da UNB, estamos elaborando uma programação Darcyniana nesse prédio. Vamos reviver as ideias e a paixão que nosso patrono Darcy Ribeiro tinha pelo Brasil e pelo povo brasileiro.  

Também faremos iniciativas como essa de apoiar o Raoni e temos outros projetos em parceria com ele também. Queremos lançar com o Cacique parlamento indígena, em abril, sediado no Memorial Darcy Ribeiro. A estratégia da Fundação será reviver a inteligência e as ideias de Darcy Ribeiro. Vamos trazer isso de volta, promover seminários de reflexão sobre educação, o que ele pensava sobre educação, cultura, indigenismo, os problemas brasileiros, o povo brasileiro. Vamos trazer isso que não depende tanto de recurso, mas de vontade e conteúdo. E conteúdo o Darcy esbanja, é só revisitar a obra dele, não precisa ir muito longe.

A estratégia da Fundação Darcy Ribeiro passa por isso. Vamos colocá-la a serviço do Brasil. É um momento onde o Brasil está muito carente de ideias, as ideias são chulas, pobres, preconceituosas e retrógradas. Então, um pensador brasileiro como foi o Darcy está super atual. Na hora que você coloca para fora as ideias dele, parece que ele está vivo escrevendo hoje.

Uma máxima de trinta anos atrás, era que se não se fizessem escolas não haveria dinheiro para construir tanto presídio para prender tanto bandido. São 700 mil presidiários que o Brasil tem hoje. São as profecias de Darcy, mesmo não sendo o Nostradamus, ele pensou o Brasil com muita sabedoria e afeto.

Somos seguidores do ideário de Darcy Ribeiro. Ele achava a educação importante, e a educação está em crise no Brasil. Ele achava a cultura importante, e a cultura está em crise no Brasil. Darcy achava a preservação de terras indígenas importante, e isso está em ameaça junto com as ameaças ao meio-ambiente. Então, estamos alinhados com a missão de trazer suas ideias para inspirar as novas gerações de brasileiros.

Você consegue imaginar o que Darcy diria nesse momento político do país?

Ele(risos)… estaria soltando o verbo, com aquela verborragia que lhe era peculiar, estaria falando todos os dias, para todos os públicos, em todas as mídias. Darcy Ribeiro era antes de tudo um apaixonado pelo Brasil. Um grande pensador, um grande comunicador e um grande fazedor. Por isso, deixou um legado tão extenso.

A informação é uma arma de luta

A questão da mídia que você colocou, acho que não concluí. A temática indígena e ambiental passa pela conscientização do povo brasileiro. É preciso que cada um entenda a questão indígena e a questão do meio-ambiente. Terra indígena, por exemplo, dizem, é muita terra para pouco índio, ocupa 13% do território nacional. Mas, a terra indígena não pertence ao índio, ele não pode vender, lotear, desmatar, ele é usufrutuário da terra. A terra pertence à União.

As terras indígenas, no conjunto, são as áreas do país com maior índice de preservação ambiental, acima de 95% de preservação ambiental. Nem os parques naturais do Brasil têm esse índice. É a Amazônia que produz aquela transpiração da floresta que gera os chamados rios voadores, o qual vai abastecer de chuva os reservatórios do Centro-oeste, do Sul, Sudeste e do Nordeste brasileiro.

A problemática do desmatamento afeta o futuro do país como um todo e pode gerar uma grave crise de seca em todo o Brasil. Isso, os 220 milhões de brasileiros não têm noção. É preciso conscientizar a população brasileira e isso deve entrar na grande mídia, como você falou.

“As lutas pelo meio-ambiente e a luta pela questão indígena passam pela comunicação com a grande massa brasileira”.

Não adianta ficar só na bolha da esquerda, na bolha ambientalista, porque essas bolhas já sabem disso, é uma minoria consciente que já sabe da gravidade das mudanças climáticas. A questão indígena e a questão ambiental têm que sensibilizar a população brasileira como um todo. E você só vai conseguir sensibilizar a população, quando essa pauta estiver presente com frequência nos grandes jornais, nas emissoras de televisão, nas revistas. A estratégia do Raoni demonstrou ser viável.

Às vésperas do anúncio dos vencedores do Nobel da Paz do ano passado, o Raoni teve uma matéria de sete minutos no Fantástico sobre sua candidatura, sobre as falas que ele tinha a fazer. O pretexto da matéria foi o Nobel, mas foram sete minutos sobre sua história de vida, sobre o meio-ambiente e as preocupações com a questão indígena. Depois, mais quatro páginas de Veja na mesma semana. Fora matérias em todos os outros jornais.

“Não adianta ficar só na bolha da esquerda, na bolha ambientalista, porque essas bolhas já sabem disso, é uma minoria consciente que já sabe da gravidade das mudanças climáticas”.

A conquista de espaços na grande mídia é fundamental para conscientizar o povo. Essa estratégia é uma estratégia que o movimento indígena nacional começa a perceber claramente. A partir da visibilidade que o Raoni teve no ano passado. Ele teve os holofotes, as câmeras e os microfones. A luta passa pela comunicação. A luta pelo meio-ambiente e a luta pela questão indígena, passam pela comunicação com a grande massa brasileira. É ali que o jogo irá se decidir.

É preciso que o povo brasileiro entenda que os índios são guardiões da natureza para preservar o regime de chuvas, porque sem água não tem vida. Quem mora ali perto da Amazônia, no Centro-oeste, os próprios fazendeiros do agronegócio, eles percebem, a cada ano que passa, que a estação da chuva começa mais tarde e termina mais cedo. E isso vai impactar inclusive a agricultura mecanizada. Até o próprio agronegócio se preocupa com essa situação. Se não chove, cai a colheita e a produtividade, por hectare.

“É preciso que o povo brasileiro entenda que os índios são guardiões da natureza para preservar o regime de chuvas, porque sem água não tem vida”.

A luta indigenista e ambiental vai passar e está passando pela ocupação de espaços cada vez mais significativos nas mídias todas. As redes sociais têm tido uma atuação muito interessante. A comunicação de massa tem que ser usada. A mídia tem dado atenção, ainda, talvez, não tanto quanto seria necessário. Você tem alguns jornalistas dos grandes veículos que pautam esses temas. Tem a Eliane Brum, tem o André Trigueiro, tem o Rubem Valente, da Folha, tem a Sônia Bridi, na Rede Globo, entre muitos outros jornalistas dedicados a estes temas.

O encontro de Piaraçu saiu no Jornal Nacional, uma matéria pequena, mas saiu, foi noticiado. Inclusive, eles falaram na ausência do presidente da FUNAI, que foi convidado e não apareceu. Para piorar, fez ainda uma nota durante o encontro tentando desqualificar o evento, dizendo que era um acontecimento privado e que a FUNAI não sabia.

O Instituto Raoni mandou em resposta para a imprensa o e-mail convidando o presidente da FUNAI. No entanto, ele enviou uma resposta dizendo que estava de férias. Como não podia comparecer, também não indicou nenhum representante. O Instituto Raoni fez o convite, sabia que ele não iria aceitar, porém fazia parte do protocolo. Se vai ter um grande encontro como esse, cabia ser informado e convidá-lo. Não foi porque não quis. Então, nessa matéria do Jornal Nacional, eles deram essa cutucada, já que as lideranças reclamaram da ausência do presidente da FUNAI no encontro.

Meu trabalho indigenista é feito nos bastidores, pois sou adepto do protagonismo indígena. Os índios, hoje em dia, têm lideranças espetaculares. Possuem o dom da fala. Os índios vêm da tradição da cultura oral, eles têm memórias prodigiosas. Um pajé do Xingu, já falecido, muito amigo meu, me disse um dia: “Ó, Toni, os índios são mais inteligentes do que os brancos.” Eu falei, pajé, essa é uma ideia, uma teoria, mas eu gostaria que você explicitasse melhor, por que você considera isso? Ele estava aqui em casa e apontou para a minha biblioteca e falou: “Ó, para os brancos, o conhecimento está todo ali, apontando o dedo para os livros; para os índios, ele tocou assim na sua cabeça, está tudo aqui!” (risos).

Os índios têm memórias incríveis e são exímios contadores de histórias. Através da cultura oral, durante milhares de anos, eles desenvolveram essa capacidade de armazenar informações no cérebro e pela oralidade. Eles têm a capacidade de transmitir isso para as próximas gerações. Os índios não precisam mais de arautos para falar em nome deles. Precisam é de visibilidade e acesso à voz. Precisam é ter acesso a espaços na mídia para se pronunciar, com suas falas maravilhosas e cheias de sabedoria ancestral e espiritualidade

[1] Toni Lotar tem formação em Administração Pública pela EBAP, da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, e Técnico em Indigenismo pela FUNAI. Atua como indigenista, desde 1975. Suas declarações sobre a política nacional e o governo de Jair Bolsonaro são inteiramente como indigenista.

[2] Entre os dias 14 e 17 de janeiro, deste ano, na aldeia de Piaraçu, às margens do Rio Xingu, no Mato Grosso, o cacique Raoni presidiu este grande evento com mais de 500 líderes de diferentes gerações e representantes de 47 povos indígenas brasileiros.

[3] Raoni, documentário belgo-franco-brasileiro, de 1978, escrito e dirigido por Jean-Pierre Dutilleux e Luiz Carlos Saldanha, sobre o cacique Raoni.

[4] Em setembro de 2019, Bolsonaro proferiu o discurso de abertura da 74 Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), quando criticou o cacique Raoni e leu uma carta do Grupo de Agricultores Indígenas do Brasil, que finalizava dizendo, “acabou o monopólio da era Raoni”.

[5] O Conselho da Amazônia é uma nova versão do órgão que foi criado em 1995, e estava ligado ao ministério do Meio Ambiente. Agora, recriado pelo governo Bolsonaro, irá pertencer à vice-presidência, a cargo do vice, Hamilton Mourão, acompanhado de 14 ministros de Estado. Os governadores dos nove estados da região amazônica foram excluídos da nova versão do Conselho, ao contrário do que estava previsto no decreto original de 1995.

[6] “O pior inimigo do meio ambiente é a pobreza. As pessoas destroem o meio ambiente porque precisam comer. Eles [pessoas pobres] têm todas as preocupações que não são as preocupações das pessoas que já destruíram suas florestas, que já lutaram suas minorias étnicas, essas coisas… É um problema muito complexo, não há uma solução simples”, declarou Paulo Guedes, no Fórum de Davos, em janeiro deste ano.

[7] Até o fechamento dessa edição, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou às lideranças indígenas que não irá devolver ao Executivo o Projeto de Lei (PL) 191-2020, do governo Bolsonaro, que trata da liberação da atividade de mineração, hidrelétricas, garimpo, exploração de petróleo e gás natural em terras indígenas, mas que o projeto não avançaria na Câmara, por enquanto.

Maira Vasconcelos

Maíra Mateus de Vasconcelos – jornalista, de Belo Horizonte, mora há anos em Buenos Aires. Publica matérias e artigos sobre política argentina no Jornal GGN, cobriu algumas eleições presidenciais na América Latina. Também escreve crônicas para o GGN. Tem uma plaqueta e dois livros de poesia publicados, sendo o último “Algumas ideias para filmes de terror” (editora 7Letras, 2022).

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