Cientistas alertam para a possibilidade de 2026 registrar um dos El Niños mais intensos das últimas décadas. De acordo com o Centro de Previsões Climáticas dos Estados Unidos, há 81% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro. Alguns especialistas já classificam o evento como um possível “Super El Niño”.
O fenômeno ocorre quando as águas do Pacífico tropical ficam mais quentes que o normal e pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta. Neste ano, fatores como o enfraquecimento dos ventos alísios, o aumento da temperatura do oceano e alterações na circulação atmosférica contribuíram para uma intensificação considerada excepcional. O aquecimento global também pode ter colaborado para esse cenário.
Os efeitos devem variar conforme a região. Peru e Equador podem enfrentar chuvas torrenciais, inundações e deslizamentos, além de prejuízos à pesca. Partes do Peru, Bolívia, Colômbia, Venezuela e norte do Brasil, por outro lado, podem registrar secas severas, com impactos sobre a agricultura, os rios e a geração de energia.
No Brasil, agosto deve ser marcado por temperaturas acima da média em grande parte do território. No Sul, aumentam os riscos de chuvas fortes, temporais, ventos, granizo e alagamentos. Sudeste e Centro-Oeste devem enfrentar calor e baixa umidade, enquanto Norte e Nordeste podem ter redução das chuvas e maior risco de queimadas.
Na América Central, no México e no Caribe, a previsão também aponta para temperaturas mais elevadas e períodos de seca. O El Niño ainda pode influenciar a temporada de furacões: tende a reduzir a formação de ciclones no Atlântico, mas pode favorecer tempestades mais numerosas e intensas no Pacífico, especialmente próximas ao México e à América Central.
Os impactos podem se prolongar até 2027, com possíveis consequências para a produção de alimentos e a geração de eletricidade. Especialistas também alertam que ondas de calor estão entre os eventos meteorológicos mais letais.
Diante do cenário, governos latino-americanos já começaram a adotar medidas preventivas. Peru, Colômbia, México, Bolívia e Equador anunciaram ações para reforçar sistemas de emergência, proteger rios e reservatórios, melhorar a infraestrutura e preparar respostas para possíveis desastres.
Para os especialistas, a preparação antecipada será fundamental. A recomendação é que governos e população conheçam os riscos de cada região e adotem medidas preventivas diante da possibilidade de ondas de calor, secas, enchentes e outros eventos extremos.
*Com informações da BBC Brasil.
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