5 de junho de 2026

A carta de Bebianno é a consagração do baba-ovo na vida nacional, por Luis Nassif

Sua declaração de amor apaixonado pelo capitão é um despropósito. É típico de classe média do Paraná, de ruralista do centro-oeste, de marombados do Rio e São Paulo. Sua tentativa de reconquistar o perdão de Bolsonaro é um dos episódios mais ridículos da história política do país, deplorável em se tratando de um documento que se tornou carta-testamento.

Gustavo Bebbiano não era um terraplanista qualquer. Com formação no exterior, trabalhava no prestigiado escritório de advocacia de Sérgio Bermudez.

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Seu perfil, traçado pela jornalista Thais Oyamma e, agora, sua carta póstuma é uma revelação chocante da maneira como a epidemia da mediocridade se espalha por todos os círculos.

Sua declaração de amor apaixonado pelo capitão é um despropósito. É típico de classe média do Paraná, de ruralista do centro-oeste, de marombados do Rio e São Paulo. Sua tentativa de reconquistar o perdão de Bolsonaro é um dos episódios mais ridículos da história política do país, deplorável em se tratando de um documento que se tornou carta-testamento. Vale apenas pela descrição psicológica de Carlos Bolsonaro.

O que mais chama a atenção foi a tentativa do PSDB de atrai-lo, como candidato a prefeito do Rio de Janeiro. O partido, que já foi polarizador de intelectuais e técnicos, hoje em dia aceita Joice Hasselman e aceitaria Bebianno.

Não sei o que ocorre. No caso da opinião pública brasileira – incluindo a mídia corporativa – a demanda cria a oferta. Isto é, jornalistas atuam pro-ciclicamente acentuando as tendências da opinião pública paa conquistar mercado, mesmo quando vão em direção ao ódio e à guerra interna.

Como explicar que um jornalista como Alexandre Garcia, por mais de quatro décadas comentarista da principal emissora do país, considere a coronavirus uma arma da China para dominar o mundo? Será que ele acredita que nós acreditamos que ele acredita no que falou? Mas desde que haja público, que se ofereça pão e circo.

Essa mesma posição inacreditável foi expressa por José Roberto Guzzo – jornalista com biografia na imprensa brasileira – ao saudar a primeira aproximação de Bolsonaro com o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu como o fato diplomático mais expressivo das últimas quatro décadas.

O que dá nesse pessoal?

Quando Veja e a editora Record descobriram o público de ultra-direita – a partir da capa sobre a campanha do desarmamento – todos os veículos trataram de abrir espaço para o colunismo de ódio. O conservadorismo mais entranhado, o liberalismo mais anacrônico, o terraplanismo mais virulento, tudo isso foi encampado pela mídia, especialmente pela Veja – sob a influência maior de Guzzo.

De repente, cria-se uma nova divisão no público, diluindo a polarização esquerda x direita e surgindo uma nova,  ciência x terraplanismo, instituições x milícias, jornalismo x fake news. E personalidades que fizeram nome em um mundo supostamente racional – mesmo com todas as manipulações midiáticas da última década – de repente se arvoram em profetas do terraplanismo mais charlatão possível. A ponto de agredir em público jornalista que ouse confrontar suas crenças.

Essa loucura fundamentalista ainda não foi suficientemente analisada. Estudou-se apenas o ângulo dos zumbis do bas-fond, da chamada ralé política e econômica. Falta entender do ramo do marketing pessoal.

 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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23 Comentários
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  1. Carlos Magno Barbosa

    16 de março de 2020 9:06 am

    Um texto digno de constar nas páginas de história, de psicologia e de política nacional.
    Nassif é um dos últimos jornalistas que merecem e honram o título, num cenário de surrealismo capaz de deixar Buñuel boquiaberto.

  2. Eduardo

    16 de março de 2020 9:29 am

    Em terra de lagartos quem oferece ovo vira presidente.

  3. Mario Luis Nobre

    16 de março de 2020 10:11 am

    Nassif;

    Essa “carta testamento” parece ter sido escrita quando o Bebbiano foi exonerado pelo Bozo, de carta de despedida da vida não tem nada.

  4. Maria Luisa

    16 de março de 2020 10:24 am

    Não seria possivel publicar a integra da tal carta?

    1. Edivaldo Dias de Oliveira

      16 de março de 2020 12:48 pm

      O brasil247 publicou ontem. Deu vergonha alheia de ler, quase parei no meio.

      1. Maria Luisa

        16 de março de 2020 2:09 pm

        Obrigada, Edivaldo. No 247 so vi trechos… E não é possivel ler no Estadão por aqueles que não são assinantes.

        1. Rui Ribeiro

          16 de março de 2020 2:56 pm

          Quem não é assinante do Pig e quer ler uma notícia, se depara com a seguinte mensagem:

          “Para continuar lendo o nosso Conteúdo exclusivo, assine uma das nossas ofertas”.

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          Pronto. Você poder ler qualquer matéria do Pig sem pagar.

  5. André Oliveira

    16 de março de 2020 11:54 am

    Só faltou mein führer.

  6. vera lucia venturini da silva

    16 de março de 2020 11:59 am

    A minha explicação como cidadã é que Bolsonaro representa com honras as instituições e a elite brasileira. E todos eles tem um só interesse: espoliar o povo e roubar as riquezas brasileiras de forma legalizada. A mediocridade da imprensa, do Judiciário, do empresariado, de figuras referenciais da politica como FHC, da ciência, do mundo do entretenimento, dos esportes enfim todo mundo que tem poder tem a capacidade intelectual e a bandidagem miliciana do Bolsonaro.
    Na semana passada o STF afagou essa cambada recusando o processo sobre o golpe impetrado por Dilma Roussef. E o Ricardo Lewandovski teve a covardia de se declarar impedido. Legalizaram o golpe que entregou ao país para a milicia por covardia, por medo dessas Forças Armadas de Brancaleone e desse capitão que nem o comando da família tem.
    Hoje em dia pra me sentir brasileira tenho que ouvir João Gilberto, nada mais nesse país tem valor.

  7. Marly

    16 de março de 2020 12:08 pm

    Nassif, esse seu artigo traduz toda a perplexidade e o desânimo que nos acometem nesse circo de horrores. A que ponto chegamos…

  8. Wilton Moreira

    16 de março de 2020 12:26 pm

    Caro Nassif, a explicação é que se trata de um movimento fascista. As pessoas não nascem nem são fascistas, elas se tornam fascistas. O paralelo que se pode fazer é com um surto psicótico. O fascismo é um surto psicótico na esfera política, um surto de massas, mas que se manifesta, obviamente, a nível individual, fazendo com que indivíduos, antes considerados racionais, se comportem de forma irracional. Isto independente de formação educacional ou competência profissional.
    Foi assim na década de 1930, quando o alto círculo do exército alemão, altamente intelectualizado e muito competente tecnicamente, resolveu seguir Hitler, mesmo suspeitando de sua loucura (ao abri um fornt contra URSS, p ex, quando mal davam conta do front ocidental).
    A explicação, então, é a irracionalidade fascista que toma conta de jornalistas antes racionais. Não creio que seja apenas aproveitadores que surfam a onda (o que pode ter acontecido no início). A maioria acredita mesmo em nas fantasias que espalham, o que é pior ainda!

  9. Renato Castro

    16 de março de 2020 1:15 pm

    Vc esqueceu de citar o Frota que também é do PSDB.

  10. hc.coelho

    16 de março de 2020 2:15 pm

    E se fosse só o jornalismo “grande”, alguns que se meteram a políticos porque acharam que eram safados e isto seria suficiente, e o psdb, estaria ainda muito bom, se é que pode assim dizer.
    E as demais “instituições” de homens letrados ou curtidos na … até em demasia, homens de cabeças brancas, avôs e avós, imponentes e donos(?)-de-si… que até ontem enganavam e resolveram jogar tudo para o alto em um ato que até a covardia fica estranha?
    E o colégio de economistas…, puxa vida?
    Destroem um país.
    Tão chocante que nos deixa mais assustados do que indignados, embora está indignação seja enorme.

  11. Dermeval Santos Lopes Jr.

    16 de março de 2020 2:55 pm

    De Bebianno nada tenho a falar,afora do que já exposto por Nassif( em quarentena igual a mim,a minha em função da minha viagem a Portugal),afora que ele deve está sepultado nos locais destinados aos fariseus,se prestasse não se envolveria com o Sindicato do Crime.
    FORA DE PAUTA
    Os que leem meus comentários a contragosto,devem lembrar -se do comentário que fiz embaixo da entrevista do filósofo Marcos Nobre,reproduzida aqui nos Blog uns dias atrás.
    O acadêmico deu a reeleição de Bolsonaro como favas contadas,exceto de houvesse uma aglutinação em torno de Flávio Dino.A entrevista adentrou para uma preferência pessoal dele,e se transformou num panfleto partidário.
    Fiz ve-lo que não era bem assim,visto que,em política há fatores que coloquei como os chamados de força maior.Ai está a peste do Coronavirus,seria esse fato de força maior ou menor? Adiante.Coloquei que poderia haver uma dissensão no campo da extrema direita.Pode ou não? Uma bobagem:O Governador João Doria saiu na mão com o Major Olímpico em algum lugar do presente.Bem meu caro Professor e Filósofo,política não é pra todo mundo principalmente no Brasil,principalmente quando vivemos tempos estranhos e sombrios,já detectados nos radares de qualquer dos de alto coturno,o que dizer nos dos grandes filósofos.

  12. Bo Sahl

    16 de março de 2020 3:34 pm

    “O que dá nesse pessoal?”
    (that is the question…)
    Esta é a questão mais ENIGMÀTICA que existe na criação e eleição de um “mito” tão tosco quanto este alucinado adolinquente que ocupa o executivo desta malsinada nação de mais de 5 séculos, “deitada em berço esplêndido”.
    Sobreviver à um “messias” (que em sua alucinação, dá cada vez mais sinais de se acreditar assim), embora nos custe caro, é menos complexo do que compreender esta questão de milhões de pessoas simplesmente louvarem tal “mito”, frequentemente contra tudo e contra todos (ou ‘acima de”…).
    “Mito” remete a tudo menos algo real, concreto, verdadeiro, consistente, com sinônimos tais como: quimera, mentira, lenda, devaneio, fantasia, ficção, desatino…
    Muito mais importante que entender Bozo (perda de tempo) é entender seus fiéis devotos, pois expõe uma loucura coletiva, mais grave do que a de tal indivíduo, marcada por uma vida improdutiva, a menos de suas bestificantes confusões, sem esquecer que SEMPRE viveu de dinheiro PÚBLICO.
    Há anos que tal “fenômeno” intriga corações e mentes que desejam o bem estar e a prosperidade para nossa gente brasileira.
    É certo que algumas explicações são percebidas, mas nem todas. E sabemos que para se resolver um problema é preciso entendê-lo.
    Na Alemanha de Hitler, a adoração de boa parte da desenvolvida população à pessoa (psicopata) acima da própria nação, foi (tardiamente) entendida como a crença (sempre ela) da promessa de redenção pela humilhação sofrida na primeira guerra. Sim, há outras razões, de caráter mais restrito, mas esta é a mais abrangente.
    Neste braZil (entendido como a deturpação de Brasil), de ~55% do eleitorado, as razões já conhecidas são:
    1) A mente fascistóide de ultra direitistas, um resquício que sempre existe (no mundo), supondo que sejam em seu estado “puro”, uns 15% (pontos).
    2) Os conservadores da nossa Casa Grande, que viram no “mito” (mais) uma chance de sobrepor seus interesses aos da sociedade brasileira (braZil sobre Brasil). Outros 15%? (pontos)
    3) Os anti-petistas, emocionalmente afetados por muitos e muitos anos de campanhas manipuladas e deturpadas, tipo mensalão, petrolão, lavajato, saúde, educação e segurança “federais”, usurpação de movimentos de passagem grátis, etc., em conjunto com o abafamento (“escondimento”) dos sucessos de governo (“se não deu no JN, não existe”).
    4) Tudo isso acima alavancado por:
    a) Novo uso científico de redes de fake news, disparos em massa e similares
    b) Poder e dinheiro farto de interesses estrangeiros aos quais aliar-se à um louco qualquer, marionete que os atenda, seja melhor do que alguém que se disponha a proteger os interesses da sociedade brasileira.
    Tudo isso está entendido.
    Mas o fanatismo de gente que todos nós conhecemos(íamos) e convivemos (íamos), que supomos terem valores semelhantes aos nossos, amigos, colegas e familiares, que se transformaram em torcedores fanáticos, dispostos à brigar, xingar e abrir mão de relações antigas e/ou familiares, e que continuem num aparente estado de negação a toda esta situação evidentemente caótica, conflitiva, binária, e SEM RESULTADOS, ou melhor, com piora nos resultados ainda não está esclarecida.
    Embora em (lenta) redução numérica, compensa tal redução por mais barulho e agressividade.
    Aí corremos riscos semelhantes aos de 1964, onde minorias barulhentas como famílias por deus e “liberdade” (suprimida imediatamente após), desmentidas pelo próprio Ibope da época, que dava apoio ao governo democraticamente eleito e confirmado pelo voto popular do “sim” ao presidencialismo.
    Um país conduzido não pela vontade (e necessidade) popular, mas “NO GRITO” de minorias privilegiadas e zumbis que lhes admiram com a inveja e o deslumbramento, de que não passam além.
    Dos países grandes e ricos do mundo, estamos restando como o único que não sai desta lama do atraso.
    Dos Brics, Rússia, China e Índia já alcançaram pelo menos o desenvolvimento tecnológico e militar (cibernética, domínio atômico, espacial). Etal desenvolvimento vai reduzindo a pobreza de suas sociedades.
    Restamos nós e a África do Sul, que fora ouro e diamantes, está longe da riqueza dos demais (curiosa a tardia introdução do seu “S” no BRIC).
    As chaves para sairmos desta vergonhosa situação, da qual países destroçados pela guerra, atraso e pobreza reverteram em poucas décadas (Japão, Alemanha, Rússia, China e até Cingapura, Taiwan, Coreía, Vietnam…) está em:
    1) Extirpar ou transformar nossa medíocre e traidora elite numa verdadeira condutora ao nosso desenvolvimento e bem-estar. Isto inclui os grupos que estão no poder desde a míRdia até as mais remotas fazendas que pouco oferecem à sociedade além de números, passando por tantas instituições corruptas, já aqui tantas vezes listadas.
    2) Conscientizar nosso povo além do voto, deturpado por tantos artifícios controlados pelo poder e pelo dinheiro de tão poucos, associados a interesses externos. Por isso precisamos entender porque este povo decidiu por 55 a 45 * por tamanho desastre.
    Para que ele seja logo interrompido.
    E não mais se repita.

    PS: Consideradas as décadas de campanhas de míRdia, idem de disparos de fake news, a intensa manipulação de informações (e até de conhecimento, vide terraplanismo!), o conjunto de interesses de uma elite medíocre e seus sócios ou chefes externos e a enorme concentração de renda e (des)preparo sócio-econômico-educacional do “resto”, pode-se considerar que, apesar disso tudo, 55 x 45 ainda não nos deixa longe de termos uma maioria consciente, Se a (re)virada vai acontecer em breve ou daqui a uma ou duas gerações é algo que nem todos vão poder ver e viver. Mas fica a torcida.

  13. Edson J

    16 de março de 2020 3:50 pm

    A carta é tão vergonhosa que parece ser fake. É inacreditável.

  14. Gilmar Epifanio

    16 de março de 2020 5:18 pm

    Esse grupo que chegara ao poder, são completamente fora de contexto. Não cultivam e tampouco priorizam os princípios de liberdades, que só a nossa jovem Democracia pode nos proporcionar.

  15. Dermeval Santos Lopes Jr.

    16 de março de 2020 5:41 pm

    Direto ao Prof.Nobre.Janaína Paschoal vem a público afirmar peremptoriamente que Bozo deve se picar imediatamente da Presidência da República.Essa é de força maior ou menor Prof.Nobre?.Acho que maior,bota maior nisso.As pessoas picadas por uma cobra Mamba Negra,teem geralmente 20 a 30 minutos de vida.Como a dita cuja é uma Mamba Branca,o tempo de vida é bem menor.Sabe quem me ensinou esses labirintos políticos Prof Nobre?Um filósofo igual ao senhor de quem herdei muita cousa principalmente o nome.No campo político ele lhe engolia sem precisar filosofar.

  16. Dermeval Santos Lopes Jr.

    16 de março de 2020 5:52 pm

    Sabe qual a única serventia de Bolsonaro hoje Prof.Nobre,sobre quem o senhor deu a reeleição como favas contadas? Detonar Moro.Como o senhor parece-me ser um bom conhecedor do “modis operandi” do Clã Bolsonaro,sabe melhor que eu,que eles não vão deixar a rapadura antes de soltar uns três pum’s bem fedidos.Daí poderíamos imaginar uma dissensão no campo da extrema direita? No aguardo.

    1. Dermeval Santos Lopes Jr.

      16 de março de 2020 6:49 pm

      LIVRE PENSAR É SÓ PENSAR
      O Prof. e o respeitável filósofo Marcos Nobre concedeu uma entrevista importante para blogosfera limpa,suja e mal lavada,tanto importante que Nassif reproduziu aqui.Apenas um mísero comentário,o do acima assinado.
      Sobre a carta de Bebianno,um xupa taca,reproduzida por Nassif,quase 30 malfeitos.Moral da história:”Digas o que lês que direis o que aprendes”.Tenho um admirador aqui,adora meus trocadilhos a ponto de chamar-me de gênio.E aí meu amigo que tal BRASFOCA(Brasil + Fofoca).

  17. Gilmar Epifanio

    16 de março de 2020 6:00 pm

    Esse grupo que chegara ao poder, são completamente fora de contexto, pois traz consigo de forma explícita, toda sua incapacidade de cultivar e sobretudo de relacionar de forma harmônica, com os princípios que somente os valores da liberdade e da Democracia pode nos proporcionar.

  18. Ricardo

    16 de março de 2020 8:38 pm

    Eles se merecem…

  19. Boeotorum Brasiliensis

    16 de março de 2020 8:48 pm

    A polarização e a fábrica de comunistas.
    Comunista talvez seja, depois do hippie de túnica de linho bordada e sandália de couro com sola de pneu, a coisa mais démodé na face da terra. Nem os comunistas ainda são comunistas, veja Flávio Dino. Mas, a irracionalidade fascista montou uma fábrica, uma enorme linha de montagem que está produzindo comunista a rodo.
    Exemplificarei, de forma incontestável, usando-me como exemplo.
    Senão vejamos:
    Imaginemos que estamos eu e uma outra pessoa em uma quadra, parados na linha divisória central, lado a lado, próximos. De repente, essa outra pessoa se desloca para um dos extremos, à direita, mais distante do centro da quadra. Pronto, tomando nossas novas posições como referência, com o deslocamento estabeleceu-se a polarização. Somos, ambos, ditos extremos opostos, extremistas de esquerda e direita.
    Mas, pera aí, mano. Como eu tornei-me um extremista se nunca saí do centro, se não movi um músculo, não dei um passo sequer? Simples, de tão extremado o deslocamento do outro louco, mudaram-se as referências e, eu de centro, quando pisquei, estava na extrema-esquerda.
    Virei eu – e o resto do mundo que não é bolsonarista, morista e lavajaterio, não toma Gardenal, nem sofre de senilidade como o Gal. Heleno – comunista de carteirinha, só faltando a camiseta do Chê, um exemplar de O Capital no sovaco e boné de Lênin na cabeça, com direito a broche de foice e martelo.
    Viram? somos milhões, vamos a aprender o hino da Internacional e implantar a ditadura do proletariado!

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