15 de junho de 2026

Brasil se transforma no parquinho do coronavírus, por Luis Felipe Miguel

Todos pedem "calma". Afinal, "não podemos nos precipitar". A crise do coronavírus - um motivo central da urgência para retirar do cargo aquele sujeito - aparece como desculpa para nada fazer.
Foto Folha Uol

Brasil se transforma no parquinho do coronavírus

por Luis Felipe Miguel

O sujeito está boicotando o combate à pandemia – militando contra o isolamento, não entregando os suprimentos para os hospitais, atravancando o pagamento do auxílio emergencial.

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Enquanto outros países começam a ver uma luz no fim do túnel, o Brasil se transforma do parquinho do coronavírus. Seremos párias na ordem mundial pós-pandemia.

Para o sujeito na presidência, a crise na saúde é uma oportunidade. Uma oportunidade para achincalhar o pouco que resta da ordem democrática no Brasil. Uma oportunidade para transformar de vez o Estado em sua milícia pessoal.

Ele tem agido nesse sentido. Tem esticado a corda até o limite, tem trabalhado para elevar a agressividade da sua tropa, tem aumentado a cada dia as apostas.

E o que fazem os outros poderes? O que fazem os líderes políticos? O que faz a oposição?

Todos pedem “calma”. Afinal, “não podemos nos precipitar”. A crise do coronavírus – um motivo central da urgência para retirar do cargo aquele sujeito – aparece como desculpa para nada fazer. “No momento, precisamos nos concentrar no combate à pandemia”. Como se retirá-lo no cargo não fosse uma exigência para o combate adequado à pandemia.

Alguns não agem por covardia pura e simples. Outros porque temem, mais do que tudo, a possibilidade de retomada da democracia no Brasil. Há quem veja a chance de se vender por um bom preço. Há os que só têm olhos para o calendário eleitoral.

A todos, falta estatura para enfrentar o momento.

Pior ainda para a esquerda, que tem a responsabilidade de pensar nos interesses dos mais pobres, mas, paralisada, incapaz de iniciativa, parece apenas esperar por brigas dentro da direita ou que o governo entre em putrefação.

Situações excepcionais exigem medidas excepcionais. Bolsonaro tem que ser afastado do cargo. O quanto antes – hoje já é tarde, amanhã será pior ainda.

Cassação, impeachment, interdição, renúncia, suicídio, eutanásia. Não importa o como.

Cada dia a mais do sociopata na presidência cobra um preço alto, em vidas humanas e em destruição do país.

Luis Felipe Miguel

Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da UnB. Autor, entre outros livros, de O colapso da democracia no Brasil (Expressão Popular).

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5 Comentários
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  1. euclides de oliveira pinto neto

    28 de abril de 2020 3:14 pm

    Esqueceu uma hipótese mais fácil – a remoção pela força !!!

  2. Clóvis Teixeira

    28 de abril de 2020 3:35 pm

    Mas o capitão tem que cumprir a missão, o compromisso de quem o elegeu: destruir o país!!! Isso ele está cumprindo a risca!!! A destruição de um pais é lenta e dá muito trabalho, tendo que modificar a constituição para fazê-lo. Mas ele tem até 2022 para fazer isso. Depois surgirá um neo liberal para “corrigir” os rumos do país!!!

  3. Orides

    28 de abril de 2020 4:03 pm

    Esqueceu do General Coronavírus?

  4. Noêmia Crespo

    28 de abril de 2020 4:26 pm

    SAIU NO FINANCIAL TIMES:
    Global coronavirus death toll could be 60% higher than reported
    Mortality statistics show 122,000 deaths in excess of normal levels across 14 countries analysed by the FT
    “To calculate excess deaths, the FT has compared deaths from all causes in the weeks of a location’s outbreak in March and April 2020 to the average for the same period between 2015 and 2019. The total of 122,000 amounts to a 50 per cent rise in overall mortality relative to the historical average for the locations studied.”
    Seria fundamental que investigadores independentes levantassem esses dados para o Brasil e os divulgassem amplamente!
    https://www.ft.com/content/6bd88b7d-3386-4543-b2e9-0d5c6fac846c

  5. Noêmia Crespo

    28 de abril de 2020 5:06 pm

    https://g1.globo.com/mundo/blog/helio-gurovitz/post/2020/04/28/o-impacto-real-da-covid-19.ghtml
    “Mortes pela pandemia em São Paulo estão 168% acima do número oficial”

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