4 de junho de 2026

Só o Estado pode dar fim à recessão, por André Araújo

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Por André Araújo
 
SÓ O ESTADO PODE DAR FIM À RECESSÃO
 
A partir da central de divulgação de projeções, conhecida como BOLETIM FOCUS, a mídia econômica toma o prognóstico dos departamentos de economia como sinal de sucesso da atual política econômica, ao considerar a projeção sobre uma melhora dos índices uma prova de que a economia saiu da recessão.
 
A partir desse cenário de faz de conta, a mídia econômica alardeia que a recessão acabou, em coro com o Ministro da Fazenda, sem que haja qualquer indicação de que a realidade reflita o desejo nesse teatro de luz e sombra.

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Os economistas-de-manual levam a sério as projeções das consultorias e departamentos de economia de bancos, esse é o mundo deles, o das planilhas e projeções anunciadas sem temor do ridículo, como aquele em que a projeção do PIB de 2017 melhorou, era 0,48%, agora é 0,49% como se isso tivesse alguma importância e como se um palpite fosse virar realidade, observando que quem faz esses cálculos recebe salário para montar essas tolices.
 
É uma base de raciocínio extraordinária, baseada em palpites.Tem tudo a ver. A atual política econômica é aquela que o mercado financeiro, do qual fazem parte os bancos e consultorias, lhes favorece como setor rentista acima da economia produtiva. São propagandistas de si mesmos, dão palpites de que a economia está indo no caminho certo, porque esse é único caminho que eles conhecem por formação e convicção, além de atender seus interesses.
 
Esses prognósticos não tem qualquer base real, são “wishful thinking”,desejos de que assim aconteça, é o mesmo processo da torcida que diz ao time “Agora vai, vamos ganhar de 3 a 1”.
 
Um dos truques dessa torcida é alardear que a inflação está caindo tanto que pode ficar abaixo da meta e que isso é um bom sinal. Mas uma INFLAÇÃO EM QUEDA É SINAL DE MAIS RECESSÃO E NÃO DE MENOS RECESSÃO. Essa é a sinalização UNIVERSAL de prosperidade Quando a atividade econômica ESQUENTA HÁ SINAIS DE MAIS INFLAÇÃO E NÃO DE MENOS.
 
Portanto, apontar queda de inflação como sinal de recuperação é uma contradição técnica na economia clássica. Os bancos centrais dos países mais importantes consideram alta de inflação como sinal claro de aquecimento da atividade econômica, aqui os “economistas de mercado” veem inflação abaixo da meta como sinal positivo para a recuperação da economia, porque veem nessa inflação menor um incentivo para o Banco Central baixar os juros básicos e em consequência para que os bancos também baixem os juros para as empresas e pessoas físicas. TUDO ISSO É TEORIA DE MANUAL, não acontece no mundo real da economia brasileira. A diminuição da taxa Selic sequer faz cócegas na taxa REAL de juros na mesa do gerente do banco, os bancos NÃO baixam os juros na ponta do tomador porque o BC baixou a Selic, não há essa correlação automática na economia produtiva, MAS essa conclusão está nos manuais onde eles aprenderam economia,continuamente propagandeada pelos comentaristas econômicos da grande mídia como se essa fosse a narrativa de uma realidade que todavia é apenas uma pós-verdade.
 
Apostar na retomada da economia e no fim da recessão a partir dessa TEORIA é um engodo completo, o fim da recessão depende de forças muito mais fortes do que uma teórica redução de juros pelos bancos aos seus tomadores finais mesmo que isso acontecesse.
 
Não há, no mundo real, uma COMPETIÇÃO entre bancos para ganhar clientes através de juros mais baixos. Nos anúncios de bancos nos EUA os concorrentes EXPLICITAM AS TAXAS que oferecem para tomadores de empréstimos, no Brasil isso JAMAIS aconteceu, os bancos não competem por meio de taxas de juros, não é da cultura bancária brasileira, anunciam serviços, atendimento digital, mais nenhum banco oferece taxas de juros mais baixas como apelo para ganhar mais clientes. Muito menos anunciam publicamente redução de taxas.
 
Os juros são altíssimos no Brasil por razões específicas da economia brasileira, a ideia de que a baixa da inflação leva o Banco Central a baixar a taxa Selic e por causa disso os juros caem na economia produtiva é FALSA e vendida como verdadeira por gente que sabe que ela é FALSA.
 
A inflação no centro da meta NÃO produz redução de juros na economia produtiva e, se essa baixa acontecer, isso NÃO tem maior impacto na retomada da atividade econômica, porque esta tem outros fatores de maior profundidade que vão muito além da taxa de juros, a economia brasileira não funciona por automaticidade de fórmulas prontas, essa economia tem um histórico de especificidades baseado na formação do País, na sua cultura popular e empresarial, em crenças e hábitos longamente entranhados na psique do brasileiro e na sua forma de tomar decisões sobre consumo e investimento, todos fatores IGNORADOS pelos economistas de manual que dominam a política monetária, cambial e fiscal desde o Plano Real e que insistem em impor política econômica baseada em modelos importados que não reagem da forma que eles esperam no Brasil.
 
Há ainda uma ironia maior: com a baixa da inflação e a manutenção de juros altos nos bancos, a TAXA REAL de juros aumenta para o tomador, mantida a taxa nominal e reduzida a inflação, a taxa de juros na verdade pune mais o devedor.
 
O maior dano causado pelo Plano Real à economia brasileira foi a importação de MODELOS estrangeiros, suas fórmulas, teorias e ferramentas, sem adaptação a um longo histórico específico de nossa economia, a economia é uma circunstância como os sábios Keynes e Hirschman nos ensinaram, economia depende muita da política e da psicologia social, não há uma economia universal que funciona igual em todo lugar,  até a medicina  necessita de adaptação a países, culturas, climas, hábitos,  a economia também necessita de adaptação, impor meta de inflação sueca ao Brasil é a loucura dessa escola e que nos levou a uma recessão  absurda, desastre único no mundo atual para um PAÍS RICO de recursos naturais, de empreendedores, de massa crítica de território e população.
 
A aposta de que os bancos brasileiros vão ajudar o País a sair da recessão é FALSA porque os bancos não têm nenhum incentivo a emprestar a juros baixos para empresas e pessoas físicas DEVIDO A PRÓPRIA RECESSÃO que tornou 60% dos CPF inadimplentes e grande parte das empresas em altos riscos de crédito já por seu excessivo endividamento.
 
Então a fórmula de que INFLAÇÃO NO CENTRO DA META conduz a TAXA SELIC EM BAIXA que leva a BAIXA DOS JUROS NOS BANCOS não funciona como saída da recessão porque os BANCOS NÃO VÃO BAIXAR OS JUROS E NEM VÃO EMPRESTAR devido à própria recessão, que aumentou excessivamente o RISCO DE CRÉDITO. Os bancos vão esperar o FIM DA RECESSÃO para voltar a emprestar, eles NÃO SERÃO OS AGENTES DO FIM DA RECESSÃO.
 
Quem pode dar o fim à recessão é o ESTADO, que foi o instrumento ÚNICO do fim das grandes crises de 1929 e subsequentes, na crise de 2008 foi o TESOURO DOS ESTADOS UNIDOS que resolveu a crise com o programa TARP que emprestou US$780 bilhões assumindo RISCO TOTAL, emprestou duas semanas após a crise, como medida extraordinária e necessária a empresas e bancos. O MERCADO  NÃO DÁ FIM  A RECESSÃO, a História Econômica está ai para documentar, quem resolve RECESSÃO E DEPRESSÃO é SÓ O ESTADO, é uma das funções maiores do Estado enfrentar crises, algo que particulares não tem força para fazer.
 
A  atual política econômica conta exclusivamente com o MERCADO para comprar concessões e os bancos emprestarem para com isso o País sair da recessão. As concessões, se forem bem sucedidas, NÃO TEM VOLUME para causar qualquer impacto no emprego e na demanda e os BANCOS não vão irrigar a economia produtiva com empréstimos a juros baixos, e nem esse é um caminho lógico, só se toma empréstimos quando há perspectiva de crescimento, algo que começa na DEMANDA e não no investimento.
 
Todo um conjunto de ILUSÕES sem amparo na lógica, na história econômica, na história do pensamento econômico, vão empurrando a recessão com a barriga e com um discurso de auto engano, prometendo quimeras e micro feitos que nem sequer tocam no CERNE da recessão, que é falta de capacidade monetária para comprar produtos e serviços, devido a uma política econômica RECESSIVA, que tem como alvo provocar recessão para atingir metas de inflação não importa a que custo, o grande objetivo é proteger os ativos em Reais dos bancos, fundos de investimentos e dos especuladores de Nova York que precisam de inflação baixa e consequente dólar barato para retornar seu capital e ganhos no período.
 
A atual política econômica brasileira interessa ao mercado financeiro internacional e não interessa ao povo brasileiro, não é uma política NACIONAL em função do Brasil.
 
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Andre Motta Araujo

Advogado, foi dirigente do Sindicato Nacional da Indústria Elétrica, presidente da Emplasa-Empresa de Planejamento Urbano do Estado de S. Paulo

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  1. Romanelli

    15 de março de 2017 12:38 pm

    O pagamento de JUROS supera

    O pagamento de JUROS supera os R$ 400 bi/ano (já bateu e passou de R$ 500 bi certo tempo)  ..MUITO mais do que o orçamento da educação, saúde e Bolsa famílias juntos  ..então SELIC pesa sim

    A parte que cabe ao Estado depende de botar freio neste ralo que nem o CONGRESSO consegue deter ..frear por exemplo pra liber dinheiro pro deficit primário (absurdo contábil constituído em parte, não por despesas, mas por INVESTIMENTOS)  

    ..contendo juros e liberando o primário, zeramos a conta, e faz-se com que o endividamento do Estado brasileiro (baixo diga-se de passagem pros padrões globais), não mais “assuste o frágil e paranóico mercado” que se esquece de colocar na conta os US$ 400 bi de reservas cambiais (que quando se tem traz problemas, e qdo não, cria-se o CAOS)

    O governo do GOLPISTA TREME tem tentado algo  ..como com a liberação do FGTS pra sociedade saldar as dividas pretéritas (problema é que o país vai dar falta desta verba qdo resolver pedir por moradia mais à frente)

    SEM a PETROBRÀS (Estado tb) e principais empreiteiras liberadas pela Lava JATO (que sucateia o BRASIL há 3 anos) não há muito com o que sonhar.

    Isso pra não dizer dum governo ILEGÌTIMO, sem aprovação da sociedade, que não consegue traçar planos de NAÇÂO nem pro próximo semestre (aliás, até que vem tentando desconstruiur muito do que se fez nesta ultima decada e meia)

    ..depois da tentativa pela reforma trabalhista e previdenciária, agora só falta eles quererem asfaltar a 163

     

  2. WG

    15 de março de 2017 12:43 pm

    Os dois últimos parágrafos

    Os dois últimos parágrafos revelam toda a verdade. O único objetivo da política econômica é proteger os ativos financeiros dos bancos e do capital financeiro internacional. A Globo e seus comparsas midiáticos são dispositivos de controle social da casta dominante. 

  3. adroaldo lima linhares

    15 de março de 2017 12:57 pm

    “é uma das funções maiores do

    “é uma das funções maiores do Estado enfrentar crises, algo que particulares não tem força para fazer.”

    Os bandidos que tomaram conta do país, bloquearam as ações do estado via senado e câmara dos deputados a partir de 2012, com o objetivo de dar um golpe. Conseguido o golpe de estado em abril de 2016, acabou o estado. Tá tudo dominado nas mãos de bandidos comprometidos em maviosamente escaparem de condenações, improváveis já que todos os juízes polícias e imprensa do país jogam no time dêles, mas com investigações em andamento sob os olhares de um povo manso mas, como tudo na vida é imprevisível… todo cuidado é pouco. Sendo assim, altamente comprometidos com êles próprios, acabou o estado! Estamos em uma ditadura comandada por bandidos mafiosos e bandidos tratóram quaisquer convenções / acordos / instituições / estruturas e etc… como no caso um “estado”. Portanto, falar em enfrentar crises é um despropósito descomunal num momento onde temos que enfrentar a maior gangue de mafiosos que tomaram conta do Brasil, sob o comando de fernando henrique cardoso clinton e seus demotucanos peemedebistas! Podemos dizer até que falar em enfrentar crises é coisa de covarde, ou então de golpista enrustido jogando areia nosóio da gente.

  4. joel lima

    15 de março de 2017 1:02 pm

    Paiseco segue ideologia. Já

    Paiseco segue ideologia. Já país de verdade, não.  Veja os EUA em 2008 = num país em que se prega ao povo a ideologia de que se você não tiver competência, que quebre, não conte com a ajuda do governo,  o governo jogou do helicóptero dinheiro pra GM, se não ela ia quebrar e aí afetaria toda a industria de carros dos EUA – que é uma sombra do que já foi. 

    Em país de verdade, eles tentam diminuir o pecado sem matar o pecador. 

    Em paiseco, eles, sem humildade, afirmam que acabarão com o pecado, mesmo que tenham que acabar com o pecador. 

  5. W K

    15 de março de 2017 1:23 pm

    O que chama atenção nessas “Escolas de monetaristas”,

    frequentadas por estes poetas econômicos que torturam a sociedade brasileira com suas macumbas mal aprendidas nessas escolas, é que nos países onde estudaram o tal monetarismo, os economistas nativos de lá aparentemente aprenderam as lições com outros livros didáticos bem diferentes.

    A comprovação disto é que por lá nunca usam os remédios aplicados por aqui, como o AA dá a entender neste texto.

  6. Ciro Medeiros

    15 de março de 2017 1:27 pm

    Seu André Araújo!

    Seu André Araújo! Finalmente falou o que importa! O tripé econômico, com sua indexação de preços administrados ao dolar combinado com piloto automático de subir juros diante de inflação de moeda (e não de demanda), tem apenas uma função: manter rendimentos da renda fixa NÃO EM REAIS, mas em dólar. 

    Sobre o dólar; sobre preços administrados; resulta em inflação que não é de demanda; os economistas sobem os juros da selic; resultado final: rendimento em dólar é mantido. Assim, o juiz psicopatizado vai pra Disney e o banqueiro psicopatizado, mas um pouco menos impulsivo e mais resiliente, passa seis meses por ano em mansões na Europa; ambos sentindo um grande prazer imenso diante do fato que sua riqueza deriva de um sofrimento imenso da maioria – ficam até mais desestressados quando pensam nisto, o que ajuda a não bater na esposa ou a não estuprar a secretária.   

    “o grande objetivo é proteger os ativos em Reais dos bancos, fundos de investimentos e dos especuladores de Nova York que precisam de inflação baixa e consequente dólar barato para retornar seu capital e ganhos no período.”

     

    Agora, uma pergunta: Se a quantidade de moeda em circulação não aumenta e a quantidade de produtos disponíveis para serem comercializados aumenta (mais leite, mais carne, mais celulares, mais roupas, etc.), o que os empresários fazem? Eles baixam o preço dos seus produtos? Eles investem mais em produtividade ansiosos para estarem dentre os primeiros a baixar mais ainda o preço de seus produtos? Se a emissão de moeda é uma necessidade, qual seria a melhor forma de fazê-la? Com dívida e na mão dos bancos? Ou sem dívida e focada em investimentos em infraestrutura? Algum economista responda isto, por favor? 

     

    As ciências econômicas é um dos grandes charlatanismos que a humanidade já inventou. Seus prédios nas universidades deveriam ser literalmente destruídos; todo mundo deveria ser demitido; os diplomas invalidados e o papel que hoje é ocupado por economistas deveria ser ocupado por historiadores especializados em história da moeda e áreas afins. 

  7. Alan hunt

    15 de março de 2017 1:33 pm

    “SÓ O ESTADO PODE DAR FIM À

    “SÓ O ESTADO PODE DAR FIM À RECESSÃO” .

    Evidente que sim.

    Basta reduzir o gasto estatal, diminuindo o custeo, impedindo que parte da poupança seja absorvida pelo estado, deixando que a própria população seja livre para usar seu conteúdo.   

    Sem a necessidade de usar os recursos da poupança privada, o estado pode diminuir os juros.

    Diminuindo os recursos que seriam necessários para o pagamento de juros, mais recursos que estarão disponiveis.

    Sobre inflação.

    Atualmente não deveria  existir inflação, o que acontece é que devido a enorme quantidade de moeda já em uso tem se a nossa inflação, que em uma economia em depressão não deveria existir. 

    Sobre recessão.

    Devido a nossa interferência estatal nossos preços são “artificias”, sendo o preço a principal informação de uma economia, chega um ponto onde ninguém sabe o que vender e o que comprar.

    Por isso a recessão, quando o sistema de preços seja formado a recessão se acaba. 

     

     

    1. DanielP

      15 de março de 2017 2:18 pm

      O Governo deveria reduzir os

      O Governo deveria reduzir os gastos de custeio. E gastar mais para investir.

      Para isso seria bom reduzir os salários nababescos do Judiciário, MP, TCUs, camaras, e universidades País afora. O que acha disso ? Por que não especificou em seu comentário quais gastos e de quem o Governo deveria cortar ?

      A inflação atual, que é alta, considerando a atual recessão, é principalmente por causa da, ainda, excessiva indexação de nossa economia.

      Em toda economia aonde exista ESTADO, haverá interferência estatal, seja em preços, seja em toda a atividade economia.

      Portanto, essa afirmação sua é uma ilusão. A não ser que goste de Países sem Estado, tipo Somália, Haiti. Realmente, esses são bem desenvolvidos e são modelos para o Brasil.

       

      1. Alan hunt

        15 de março de 2017 4:04 pm

        “custeios: são o método

        “custeios: são o método utilizado para apuração e apropriação dos custos ao produto”,  todo e qualquer custo que o contribuinte tenha.

        “A inflação atual, que é alta, considerando a atual recessão, é principalmente por causa da, ainda, excessiva indexação de nossa economia” ou seja a moeda ainda esta em “excesso”.

        “Em toda economia aonde exista ESTADO, haverá interferência estatal, seja em preços, seja em toda a atividade economia.” Dilma diminiu combustiveis e a energia eletrica, por meio de financiamento faz o Minha Divida Minha Vida etc. O custo de importação é maior que o URSS nos anos 80.   

         

         

         

    2. Jorge Rebolla

      15 de março de 2017 3:56 pm

      Por pontos

      O Brasil tem uma das menores, se não a menor, taxa de poupança dentre os países economicamente significativos. A poupança privada brasileira não supre as necessidades internas, devido a excessiva concentração de renda. Além do que, o custo financeiro pago pela população ao consumir não deixa espaço para a formação de capital próprio.

      O Brasil, ao contrário do México, da Rússia e de outros países com histórico de default externo, jamais conseguiu manter uma taxa de juros reais equivalente às das demais economias “emergentes” de grande porte. O spread, a bolsa rentista, local é e sempre foi a maior do mundo nas últimas duas décadas e meia.

      A enorme quantidade de moeda “em uso” é resultado da bancarização dos que iniciaram o processo de superação da miséria ancestral. O sistema de reserva fracionária dos bancos é o verdadeiro emissor de moeda… majoritariamente concentrado no oligopólio privado que opera os três únicos bancos com alcance nacional (Santander, Bradesco e Itaú).

      Tirando os setores cartelizadas da economia, todos privados, onde mais existe preço artificial relativamente aos praticados internacionalmente?

      O Sr. Alan Hunt é um mero papagaio dos comentaristas econômicos pigais… 

      1. Alan hunt

        15 de março de 2017 6:59 pm

        A questão é saber o que é

        A questão é saber o que é efeito ou causa. O spread, a bolsa rentista estão desta forma porque o estado não consegue se sustentar e necessita de poupança privada.

        Sem esta necessidade não seria necessário usar a poupança privada.

        O Banco Cental é o “garantidor” do sistema fracionário.

        “Tirando os setores cartelizadas da economia”isso já seria o suficiente, mas teve um videogame que custou 4 mil reias, e a elevada alíquota de importo de renda. 

        “O Sr. Alan Hunt é um mero papagaio dos comentaristas econômicos pigais..” Nem de longe , eu pelo menos sei o que é inflação. 

         ” 

         

  8. Paulo F.

    15 de março de 2017 1:35 pm

    Um bando de lobotomizados

    É a única explicação para os auto-enganados que sem a ação do Estado (como nos últimos 110 anos) o Brasil vai levantar-se do chão puxando os próprios cabelos.

    Andy , minhas congratulações. deve ser um dos melhores textos de sua autoria.

    Enquanto isso a máquina incessante dos juros pornográficos não dá descanso a Nação.

  9. DanielP

    15 de março de 2017 1:35 pm

    Dizem que um dos problemas do

    Dizem que um dos problemas do País é a alta dívida pública, é isso é verdade.

    Por que então não drenar metade dessa dívida para concessões de infra-estrutura ?

    Faz um mega programa de infra estrutura, rodovias, portos, aeroportos, hidrovias, ferrovias, saneamento.

    1 trilhão, 1,5 trilhão e meio de reais.

    Ao final de 10, 15 anos o País será outro em matéria de infra-estrutura.

    Quem hoje tem papel de dívida, passará a ser sócio de um fundo de infra-estrutura.

    Quem quiser bem, que não quiser, que venda hoje mesmo a sua dívida, se esta puder ser vendida.

    Se houver muitos que não quererm. o País emite moeda, recompra a dívida e investe o dinheiro da mesma forma.

    Claro que para que isso seja executado é Preciso um ESTADISTA QUE QUEBRE AS PERNAS DO MP E DO TCU, pois com esses órgãos não tem conversa, o objetivo é SEMPRE,  derrubar empresas de infra-estrutura e atrasar o País.

     

    1. Alan hunt

      15 de março de 2017 4:28 pm

      Isso já foi feito.
       

      Isso já foi feito.

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=jlO1cK0dDOw%5D 

      1. Roland Matt Rola

        16 de março de 2017 8:08 pm

        Não

        Isso não tem quase nada a ver com aquilo.

  10. Ugo

    15 de março de 2017 1:47 pm

    penso eu

    “economia depende muita da política e da psicologia social”

    Quando economista de planilha conseguir colocar em uma formula matemática este fator e o efeito manada, a economia se transformará em ciência menos imprevisível, até lá quem chuta mais na tv será o oraculo.

  11. Mogisenio

    15 de março de 2017 2:38 pm

    O Estado de arte pós-verdadeiro.

    Senhores debatedores, bom dia.

     

    No geral, gostei do texto do André. A começar pelo título: 

    Só o Estado pode dar fim à recessão.

     

    De fato, só o Estado pode dar fim á recessão. 

    Mas, não é só isso.

    Vamos refletir e debater um pouco mais? Vamos lá

     

    Preliminarmente, registro que aqui no GGN, sempre tratei os “economistas” como sendo  “economistas de escol e de meia tigela”.

    Trata-se de uma espécie de empregado cuja função principal é  COPIAR  modelos alienígenas aplicando-os aqui, na terra dos ruminantes midiáticos. Daí o seu caráter “escol”.  

    Quanto ao termo “meia tigela”, temos vários significados. Mas, talvez, o mais importante é aquele oriundo do período escravocrata quando esses faziam ou não o serviço ao agrado do dono.  Ultimamente, pode-se dizer que estão mais para tigela que para meia tigela, isto é, estão fazendo o serviço ” da dívida” que agrada o patrão.

    E, finalmente, os termos “escol” e ” meia tigela”  assim utilizados, visam expor uma contradição para anular de vez essa ciência anacrônica, falaciosa, que serve para tentar “amenizar” as diferenças históricas entre seres humanos cuja meritocracia reinante é a de araque.

    Superada essa fase preliminar, passemos ao debate do conteúdo de texto com ênfase no  título: Só o Estado pode dar fim à recessão. 

    Vejamos.

    É claro que só o estado pode dar fim à recessão. Mas não é só isso!

    Ele é  também  A CAUSA da recessão.

    O Estado é , pois, causa e consequência ao mesmo tempo  e/ou  vice-versa.

    E assim sucessivamente para todo o sempre.

    Pode-se mudar o sobrenome do Estado.  Deixar de ser “Estado moderno”, o qual  dá todos os sinais de estado de putrefação, para,  por exemplo, Estado plurinacional. Mas esse ainda está  no “nascituro”.

    De qualquer forma, o  Estadão, ops, o Estado é  um PACTO  artificial, civil, político, cultural,  social, econômico.

    Todavia, como de praxe, praxiologia de Menger, say, mises, hayek etc,  é o “econômico de escol e de meia tigela” que tenta por que tenta prevalecer a qualquer custo ( de oportunidade).

    No limite, aciona-se o conselho dos “chegados” de falta de “segurança” das organizações das “nações” desunidas”.

    Mas que o estado  parece um m PACTO parece.  Ah isso sim. Tem que parecer. Faz bem para a “sociedade” anti hobbeana, rousseauniana, ou, melhor ainda,  a la Durkheim…

    Um pacto abstrato, fictício, imaginário que  , visa, “deve ser” , pretende ser algo.

    Economia e seus “empregados” ( sobretudo, aqueles de “escol”…) estão contidos no Estado, “negociando” seus interesses.

    Há também aquele famigerado “senhor” denominado  “Mercado”. Ele também  está contido no Estado. Lembrando que só os economistas de escol e de meia tigela sabem onde fica  a residência oficial desse senhor do lago ness. Também pudera. É o “patrão” deles.

    Vejam que , por essas e por outras,   é o  Estado que gerou, gera e continua gerando as “crises” e as  “soluções”.

    Essas “crises” ocorrem devido à insatisfação ou à quebra de  “acordo” firmado  PELO ESTADO E PARA O ESTADO.

    Acontece que o “acordo” aqui no Brasil, isto é  no “TERRITÓRIO SOBERANO  que se diz do  POVO( que é bobo avante a r…) não passa de um ENGODO.  

    E acreditem! Esse engodo passa atualmente por um imbróglio. Não vejo a hora de ver as cenas dos próximos capítulos! Afinal, “vale a pena ver de novo”.

    Se preferirem o neologismo “da moda”  aos moldes dos “economistas de escol”  “originariamente” copistas, digamos que o Estado aqui é a  “pós-verdade” realizada e verdadeira.

    E olhem que  nossas “instituições sólidas em estado de sublimação rumo à sublevação” não nos deixam  mentir.

    Atualmente, nesse Estado “pós-verdadeiro” tem se falado, na surdina, nos bastidores, “só pros chegados” é claro,   de uma espécie  derivada  da  lista de schindler “odebrechiana”.

    Indaga-se: seria tal lista também uma derivação – a derivada segunda talvez – do “admirável gado(mundo) novo”?

    Se sim, a sugestão é para que bebamos  o “soma” do dia, para passar o dia “feliz” na espera das “cenas dos próximos capítulos” da “novela vale a pena ver de novo” na “sessão da tarde”  senatorial, congressual, enfim…

    Trata-se de uma sessão para  cessão dos seus direitos.

    Portanto, para concluir sem “desenvolvimento”, isto é, só com título e conclusão, só com falácias que é o que é por que é,  o estado pós-verdadeiro à brasileira, de fato e de direito e sem direito, só ele pode fazer um ACORDO e , na hora que ele quiser, gostemos  ou não, ele quebra esse acordo de forma “exorbitante”. 

     Resta saber se o povo que é bobo avante a r… vai tomar (n)o SOMA  midiático econômico de escol e de meia tigela ou não.

    Prefiro que não o  tomemos, isto é, não tomemos no c..!

    Eis a questão.

  12. Rui Daher

    15 de março de 2017 2:44 pm

    ótimo, André

    O planeta econômico já se convenceu disso. Falta apenas um país.

  13. Wilson Ramos

    15 de março de 2017 2:49 pm

    só temos economistas pela metade

    Não existem mais economistas inteiros, e poucos são íntegros.

    Os grandes empregadores dos economistas atualmente são as empresas financeiras. O ápice da carreira é ser economista chefe de um bancão. Tive bastante contato com estes profissionais e sempre debati com eles a parcialidade dos modelos que adotavam, o que o Nassif rotulou de “cabeças de planilha”.

    No final cheguei à conclusão que, para o que são contratados, eles fazem um trabalho bem feito. Como a imprensa especializada só vocaliza o que vem do mundo da finança, ir contra a corrente só garante a eles frustração de carreira. Por isto torcem o nariz diante dos que insistem em fazer análise abrangente, principalmente quando a aventura atinge a área social e política, para além da puramente econômica, científica para eles.

    No sistema financeiro os preços atuais dos ativos são definidos apenas pela expectativa da renda futura, calculada por projeções (daí as planilhas), menos os juros que poderiam ser obtidos no período por uma alternativa segura. Isto resume a complexidade do mundo desta classe de economistas. Não que não haja complexidade, mas está longe de contemplar todo o universos econômico. Eles precisam que o mundo se mantenha simples até o ponto em que conseguem entendê-lo. Daí para frente, seguem os receituários da moda muito mais como crença do que por dedução científica. Para tanto se socorrem dos professores de deus que o mercado midiático lhes disponibiliza.

    O nosso grande problema é termos um debate econômico enviesado na grande maioria dos economistas. Outros que não pertencem à tribo, acabam exagerando o outro lado, como os industrialistas fanáticos como Delfim (não consigo mais ler depois da foto com Temer) ou mesmo Belluzzo, que desprezam a mudança da produção que desincorporou inúmetos serviços ao longo tempo.

    Precisamos baixar nossa bola, como economistas, e entender com é a escolha política da maioria. Não escolher para ela. Entendendo o que o povo quer, podemos colocar nossa capacidade de estudar para ajudar a viabilizar planos e programas.

    Mas para isto precisaremos voltar a formar economistas inteiros e íntegros.

    1. Andre Araujo

      15 de março de 2017 7:29 pm

      Um ” economista chefe de

      Um ” economista chefe de banco” é hoje o presidente do Banco Central. É a gloria dos economistas de mercado.

  14. Georgeis10

    15 de março de 2017 3:45 pm

    Os bobões que fizeram

    Os bobões que fizeram revolução por 20 centavos agora vão trabalhar para alguma empresa fantasma de terceirização até morrerem

    #euavisei

  15. MRE

    15 de março de 2017 4:39 pm

    Custo-benefício

    Há um bom tempo, e bota bom tempo  nisso, que bancos não reclamam das políticas econômicas- estão batendo recordes em cima de recordes.

    Quando você vai para a prática diária constata que os parâmetros para manter a sua empresa/negócio em uma harmonizacão financeira tem uma base de dados muito além das poucas e didáticas apregoadas nos manuais econômicos- não levam em conta a multiplicidade cultural existente em várias regiões; aí vem a mídia e compara alguma situação com a  americana ou inglesa, japonesa ou de outro país sabidamente diferente do nosso e apregoa  a globalização como novidade a ser seguida nos manuais “modernos” com  citações de PHDs inquestionáveis.

    Por conta destes ” hipnotizadores econômicos ” o mundo está cada vez mais, e bota cada vez mais nisso, polarizado entre cada vez mais ricos e  cada vez mais pobres e miseráveis.

    Vide nas guerras existentes e terrorismos crescentes se as motivações economicas ( e aí incluo o roubo imperialista disfarçado de  “nacionalista”) não estão sempre presentes : se o pirulito do pobre ( qq bem natural e primário) vale uma grana, troque-o por um dedo – dizem os economistas com apoio das mídias que tratam de convencer o incauto que chupar  dedo é melhor do que engordar com o doce do pirulito.

    Ainda bem que os profetizadores do mundo dizem que a era existente será mais harmoniosa: o custo-benefício será mais direto e  prático e se aplicará nos melhores resultados sociais. Na última eleição chilena um ex-economista do Banco Mundial, atualmente um monge budista, Sr. Alfredo  Sfeir Younis concorreu a presidência lançando a ideia que o custo – benefício social, na era atual, é mandatório para se elevar um país a categoria de “decente “- óbvio que perdeu, mas foi o candidato mais aplaudido por enaltecer o bem de todos e não só o bem dinheiro.

    Se os profetizadores acertarem em uma melhora de  10% já será uma vitória. Lula e Dilma melhoraram, talvez , menos do que isso, e olha que as elites bancárias, judiciais, políticas  e midiáticas…. responderam que estas bases estão fora dos manuais econômicos.

    E o pior, por conta dos governos “sociais” terem colocado a miséria como orçamento de governo para minizar a pobreza, agora as elites dirigentes estão a fazer, desesperadamentwe, caixa vendendo o país e serviços aos que detêm o poder global, alegando que foi uma irresponsabilidade dar aos mais pobres pirulitos.

    Cadê os discípulos de Caxias ! Estão a ver a entrega e roubo das nossa riquezas e vendo o desrespeito das vontades democräticas e avalizando que quem entrar no poder não tem mais garantia de governar, em fim, o voto não vale mais nada !

    André, não vale uma reportagem sobre como as Forças Armadas estão vendo este momento?

    E por quê não se manifestaram quando do impeachement, ou será ela uma elite parecida com banqueiros, políticos, economistas, jurístas e midiáticos ?

     

     

  16. Marcelo33

    15 de março de 2017 5:50 pm

    Impossível o Estado dar fim à

    Impossível o Estado dar fim à recessão, pois não é permitido pela constituição.

    Vc é um golpista que não respeita a constituição modificada pelo Excelentíssimo Michel Temer e Associados.

  17. Marcos Antônio

    15 de março de 2017 6:20 pm

    Terrorismo econômico

    Não é possível que quem tanto desejou governar o país, a ponto de dar um golpe de estado, não tenha um projeto efetivo para o crescimento ou pelo menos mitigar o sofrimento do povo!

    Mais de 1.000.000 de famílias querem se reintegrar ao bolsa família!

    Isso é um absurdo!

    A única conclusão que cheguei é que este desmonte foi planejado para criar a ideia do irremediável, que já está sendo buscada através do terrorismo econômico!

    Se não tiver reforma da previdência, adeus estradas, adeus bolsa família, adeus investimentos…

    Mas, o juros estão garantidos por lei – eis o motivo de minha crença nessa teoria da conspiração!

    Os bancos e o sistema financeiro já receberam a sua parte – A PEC 55, faltam os patos da fiesp que vão receber empresas privatizadas desvalorizadas por uma pechincha e empregados sem CLT!

    Se olhar com frieza cada segmento golpista está sendo atendido!

    Olhem para o SUS!

    O que eles querem é torrar tudo e passar o que puder para a elite brasileira do espólio do golpe ou para empresas estrangeiras e assim receberem seus 5% lá fora, sem constrangimentos de doleiros e outras coisas…

    E ai a história vai acabar com os golpistas todos felizes!

    Os políticos recebendo 5% lá fora de tudo que puder ser vendido aos estrangeiros e a elite golpista arrematar na bacia das almas empresas estratégicas!

    E com a ajuda do MP, PF e Judiciário colocam em polvorosa toda a esquerda, deixando toda ela com medo de ser presa e eles vão saindo saltitantes por ai…

    E eles precisam da adesão popular, por isso essas listas espalhadas pegando toda qualidade de partidos!

    Os esquerdistas bradam – Ah! enfim vão pegar o Serra, o aécio…

    Os direitistas  bradam – Ah! Agora o LULA não escapa, nem a Dilma!

    E ainda traz no bojo toda a justiça para hipotecar solidariedade – isso ajuda quem já está guardando o dinheiro do golpe em seus cofres mundo a fora –  de forma LEGAL!

    Como ajuda o corporativismo do judiciário para estes golpistas!

    Talvez por isso os 45%!

    Vão ter que escrever uma trilogia sobre este assunto!

    Quantos juízes hipotecaram suas ações ao golpe?

    A justiça vai virar, se já não o é, um otário útil…

  18. j.marcelo

    15 de março de 2017 8:21 pm

    Põe eu lá e vcs verão se não
    Põe eu lá e vcs verão se não resolvo !

  19. Jurandir Paulo

    15 de março de 2017 8:29 pm

    Uma dúvida

    O André está correto. Apenas pergunto ao próprio, ou a quem souber, se nas crises americanas alguma foi salva por alguém que não o Estado? Mesmo fora dos EUA, alguém saberia lembrar quando o mercado se rearrumou e nada pediu aos contribuintes?

    1. Andre Araujo

      15 de março de 2017 9:45 pm

      Quem é SOBERANO da moeda é

      Quem é SOBERANO da moeda é Estado e é pela politica monetaria que se resolvem as crises.

      1. Veri

        16 de março de 2017 1:10 pm

        O Estado é Soberano da moeda mas não produz riqueza

        O Estado é soberano da moeda mas ele não produz riqueza, ao contrário, ele expropria os produtores através dos impostos. Como a moeda não é riqueza, ela apenas representa a riqueza, o fato do estado ser o soberano da moeda em nada vai ajudar a economia se recuperar, mesmo que haja capacidade produtiva ociosa e emissão de dinheiro.

        O Estado, enquanto soberano da moeda, teria que despertar o espírito animal dos empreendedores mas isso não se daria apenas garantindo demanda efetiva mas também uma margem de lucro razoável.

  20. Rui Ribeiro

    16 de março de 2017 11:35 am

    Eles acham que podem acabar com a recessão no grito. Coitados!

    No Prefácio da obra “Ideologia Alemã”, Marx e Engels escreveram:

    “Em tempos, houve quem pensasse que os homens se afogavam apenas por acreditarem na idéia da gravidade. Se tirassem esta idéia da cabeça, declarando por exemplo que não era mais do que uma representação religiosa, supersticiosa, ficariam imediatamente livres de qualquer perigo de afogamento. Durante toda a sua vida, o homem que assim pensou viu-se obrigado a lutar contra todas as estatísticas que demonstram repetidamente as conseqüências perniciosas de uma tal ilusão. Este homem constituía um exemplo vivo dos atuais filósofos revolucionários alemães”.

     

    Qualquer semelhança entre o sujeito que acreditava que as pessoas se afogavam apenas porque acreditavam na idéia de gravidade e aqueles brasileiros que querem acabar com a recessão no grito é mera coincidência.

    Nem mesmo o Estado é capaz de dar fim à essa recessão:

    “Por um período de mais de cem anos, os setores do serviço público e da infra-estrutura social foram reconhecidos em toda parte como o necessário suporte, amortecimento e superação de crises do processo do mercado. Nas últimas duas décadas, porém, impôs-se no mundo inteiro uma política que, exatamente às avessas, resulta na privatização de todos os recursos administrados pelo Estado e dos serviços públicos. De modo algum essa política de privatização é defendida apenas por partidos e governos explicitamente neoliberais; há muito ela prepondera em todos os partidos. Isso indica que não se trata aqui só de ideologia, mas de um problema de crise real. Seguramente, desempenha um papel nisso o fato de a arrecadação pública de impostos retroceder com rapidez por conta da globalização do capital. Os Estados, as Províncias e as comunas super-endividadas em todo o mundo tornaram-se fatores de crise económica, ao invés de poderem ser ativos como fatores de superação da crise. Uma vez delapidadas as “pratas” dos sistemas socialmente administrados, as “mãos públicas” acabam por assemelhar-se fatalmente às massas de vítimas da velhice indigente, que nas regiões críticas do globo vendem nos mercados de segunda mão a mobília e até a roupa para poderem sobreviver. Porém o problema reside ainda mais no fundo. No âmago, trata-se de uma crise do próprio capital, que, sob as condições da terceira revolução industrial, esbarra nos limites absolutos do processo real de valorização. Embora ele deva expandir-se eternamente, pela sua própria lógica, ele encontra cada vez menos condições para tal, nas suas próprias bases. Daí resulta um duplo acto de desespero, uma fuga para a frente: por um lado, surge uma pressão assustadora para ocupar ainda os últimos recursos gratuitos da natureza, por fazer até mesmo da “natureza interna” do ser humano, da sua alma, da sua sexualidade, do seu sono o terreno direto da valorização do capital e, com isso, da propriedade privada. Por outro, as infraestruturas públicas de propriedade do Estado devem ser geridas, também, por setores do capitalismo privado. ” – Roberto Kurz, A Privatização do Mundo

  21. DanielP

    16 de março de 2017 12:27 pm

    André, até ja sei qual a

    André, até ja sei qual a próxima “pós-verdade” que a mídia dirá sobre o porque de a economia não crescer.

    A liderança de Lula nas pesquisas está “assustando” os investidores, por isso a economia vai cair novamente este ano.

    A mensagem subjacente é de que “é preciso que prendam logo o Lula para que a economia volte”.

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