14 de junho de 2026

A pandemia do opinionismo, no país dos bizantinos, por Luis Nassif

Bizâncio seria fichinha perto dessa quadra da história, da falta de objetividade, do culto da irrelevância. Está certo que isolamento e cabeça vazia são a oficina do diabo. Mas é o que acontece quando todo mundo fica à espera de um anjo salvador improvável.

O opinionismo nacional adquiriu ares de pandemia.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Há uma crise colossal em andamento. E uma incógnita sobre os desdobramentos políticos. Some-se a incrível capacidade de Bolsonaro de gerar factoides irrelevantes, e a indizível falta de discernimento das hostes virtuais e  e se terá o caldeirão do opinionismo pandêmico.

É palpite taxativo em qualquer direção. Uma frase mal formulada, um YouTuber cretino, um besteirol do Presidente, uma entrevista com um influenciador, qualquer desculpa é motivo para discussões acesas, frases lacradoras, ranking de likes, laivos de genialidade em 140 toques, eu-te-laico-tu-me-laicas, se-me-segue-eu-te-sigo, se-me-citas-eu-te-cito e, de like em like, vai sendo construindo um novo padrão de marketing pessoal.

E assim, no espaço virtual,  opina o leigo, opina o douto e o economista, opina a besta e o especialista, todo mundo vai opinar. Opina o cético, o moleque e o caquético, o saudável e o morfético, o sincrético e o crente, o veraz e o que mente, o sóbrio e o demente, o que importa é opinar.

Todos tendo em comum o comportamento apoplético, dos que se indignam com a razão e dos anti-ignorância, e dos que são intolerantes contra qualquer intolerância, de indignados modestos aos que agem com petulância.

Bizâncio seria fichinha perto dessa quadra da história, da falta de objetividade, do culto da irrelevância. Está certo que isolamento e cabeça vazia são a oficina do diabo. Mas é o que acontece quando todo mundo fica à espera de um anjo salvador improvável.

 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

13 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. fabricio coyote

    20 de maio de 2020 3:35 pm

    é, meu caro Nassif. só nos resta o choro…

    https://www.youtube.com/watch?v=gIkT3CyT5Dk

  2. Anônimo

    20 de maio de 2020 4:04 pm

    O “ainda bem” do Lula pegou mal. Seria até possivel explicar, mas só pra quem quer ouvir.

    Isso é para aqueles que torcem para “os setores democraticos” promoverem uma quimerica “frente ampla” contra o fascismo verem como é a coisa. Os que duvidam que a rede globo está mais preocupada com sua propria posiçao relativa na disputa pelo poder não têm jeito, que continuem na torcida. Torçam bastante.

  3. Romanelli

    20 de maio de 2020 4:16 pm

    Eu até ia opinar sobre este texto, mas depois que li, refleti e desisti.

    1. Flavio Martins e Nascimento

      20 de maio de 2020 5:47 pm

      Dois.

    2. naldo

      20 de maio de 2020 6:31 pm

      Idem…..

    3. Vera Venturini

      20 de maio de 2020 9:59 pm

      Quatro

  4. Lúcio Vieira

    20 de maio de 2020 4:26 pm

    ficou quase poesia, estas palavras nada bizantinas.

  5. Rafael

    20 de maio de 2020 6:12 pm

    Parabéns pela lucidez. Esse post seria muito hilário se o momento atual não fosse trágico.

    Mas é preciso lucidez para ver a essência por trás da aparência.

    Pois, o que está em jogo é uma disputa de poder global associada a uma luta de classes no país.

    Pouco tempo atrás, no plano internacional, os EUA queria ampliar seu controle sobre os governos latino-americanos. E, no plano nacional, o grande capital queria manter o crescimento de sua taxa de lucratividade mesmo diante da crise que se avizinhava.

    E para viabilizar esses projetos o consórcio de forças internacionais e nacionais precisava ampliar seu poder junto ao Estado Brasileiro – Supremo, Congresso e, principalmente, a Presidência da República.

    Mas, como fazer isso diante do sucesso de um projeto nacional de inclusão social e desenvolvimento que estava em pleno curso no país?

    A resposta para essa pergunta foi: desestabilizar todo regime político.

    E assim foi feito, desde a Lava Jato, passando pelos influenciadores digital, a grande mídia, as manifestações de rua e, por fim, a manipulação das redes sociais e dos grupos de watts app nas eleições.

    O problema foi que o apetite imperial associado ao vira-latismo da elite nacional foi tamanho que a desestabilização do regime acabou matando a própria direita. E o que restou foi apenas o lúmpen da extrema-direita para governar o país.

    E como se não bastasse essa terra arrasada, do ponto de vista político e econômico, ainda vem uma crise sanitária produzida pela pandemia.

    E cá estamos nós da classe média, atônitos, a procurar, como crianças, uma fantasia para nos distrairmos.

    Mas não nos iludamos, a ganancia do império e a luta de classes entre “bilionários” e “plebeus” continua viva, apesar das mortes que se avolumam a cada dia.

    Afinal, na disputa internacional, os EUA e a maioria do alto comando das FFAA mantém intacta a aliança estratégica que os une. Assim como, a Rede Globo (com Moro e cia.) e o Bolsonaro (com Guedes e cia.) também mantêm intacta sua aliança estratégica contra os trabalhadores, suas lideranças e organizações, contra os direitos previdenciários e trabalhistas, contra as políticas sociais, e pela privatização do patrimônio nacional.

  6. J.Marcelo

    20 de maio de 2020 6:18 pm

    Kkkk,todos na Matrix, não adianta “abrir os olhos”!!!

  7. Valdir Carrasco

    20 de maio de 2020 7:46 pm

    Adianto desde já: isto não é apenas MINHA opinião. É a certeza de que, se o TSE tivesse ministros com o mínimo de vergonha na cara, a chapa Boçal/Mourão já estaria cassada e já teríamos tido nova eleição e outros governantes. É também a certeza de que, se a midia golpista tivesse o mínimo de vergonha na cara Lula não precisaria estar se explicando por causa de uma frase supostamente mal dita, mas só supostamente, pois conhecedores de quem é Lula saberiam que ele sequer pensaria na interpretação cafajeste que alguns criam ante suas falas, cafajestemente, repito.

  8. Anônimo

    20 de maio de 2020 10:06 pm

    Acho que foi Umberto Eco que falou sobre a “profusão de imbecis” nas redes sociais… Como a grande mídia atrelou-se a essa baixaria, a sociedade meio que perdeu quaisquer parâmetros. Há um bom tempo quase não se percebe diferença entre um idiota que repete mantras fanáticos nas redes sociais e os idiotas-celebridades de nossa mídia. O que a Veja, a Globo e os jornalões fizeram é criminoso! O antídoto para tanto veneno levará décadas para, talvez, revertermos esse quadro pavoroso. Os que nos alimentamos de notícias verdadeiras e opiniões ricas de conhecimentos somos uma minoria, perdidos no meio da Babel moderna. Haja desespero!

  9. Batata

    21 de maio de 2020 9:43 am

    Olha o Nassif fazendo prosapoética:

    E assim,
    no espaço virtual,
    opina o leigo,
    opina o douto e o economista,
    opina a besta e o especialista,
    todo mundo vai opinar.

    Opina o cético,
    o moleque e o caquético,
    o saudável e o morfético,
    o sincrético e o crente,
    o veraz e o que mente,
    o sóbrio e o demente,
    o que importa é opinar.

    Todos tendo em comum,
    o comportamento apoplético,
    dos que se indignam com a razão
    e dos anti-ignorância,
    e dos que são intolerantes
    contra qualquer intolerância,
    de indignados modestos
    aos que agem com petulância.

    Bizâncio seria fichinha
    perto dessa quadra da história,
    da falta de objetividade,
    do culto da irrelevância.

    Salve o poeta!

Recomendados para você

Recomendados