4 de junho de 2026

Dois PMs em suas motos (Estado de direito no Brasil?), por Dalmoro

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Dois PMs em suas motos (Estado de direito no Brasil?)

por Dalmoro

Em um Estado de direito todos estão subordinado às leis. Ainda que a lei garanta certas distinções – um policial pode andar armado, um “cidadão de bem” ou um “bandido”, não -, via de regra, as normas são gerais: não matar, por exemplo, serve tanto para o “bandido” quanto para o “cidadão de bem” quanto para o “policial”, ou deveria servir. Falo em assassinato, mas meu exemplo é mais singelo.

Estou em uma das principais e mais movimentadas ruas de um bairro de classe média-alta da região central da principal cidade do país, no meio de uma tarde calorosa. Lenta e tranquilamente se aproximam do cruzamento dois policiais militares em motos da corporação – devem ser da Rocam, penso, esqueço de averiguar. Um deles conversa, ao que tudo indica, ao celular – pelo tom, pela forma como não termina as frases, pelo longo parlatório com quem está do outro lado da linha, definitivamente não parece que está a falar pelo rádio com a central. Pelo que me consta, infração gravíssima, sete pontos na carteira e R$ 293 de multa ao PM. Próximo à faixa de pedestres, o sinal fecha para os veículos e abre para os perdedores, digo, pedestres (meu caso). Com todos os veículos parados, e como pedestre deve respeito à vaca sagrada motorizada, os militares não se dão ao trabalho de respeitarem o vermelho que brilha para eles e atravessam assim mesmo (nova infração gravíssima) e, sem dar seta, fazem uma conversão proibida.

Pelas regras de trânsito, os guardiões da lei e da ordem que passeavam em suas motos como se estivessem num domingo no parque, em míseros três minutos, deveriam pagar ao estado mais de R$ 1600 em multa, sendo que um deles deveria, ademais, entregar sua carteira de habilitação, estourada em quatro pontos os vinte permitidos. Isso, claro, se vivêssemos num Estado de direito (oxalá fosse ainda por cima democrático). Entretanto, como o paradigma vem de cima… quando temos um presidente golpista (um constitucionalista que desrespeita a constituição), um governador que autoriza e estimula execuções extra-judiciais dos seus subordinados, um deputado-pastor que estupra, ameaça e segue lépido e faceiro ganhando seu salário e as contribuições de seus fiéis “cristãos”, um capitão da PM que em julgamento fala em mandar o advogado para a vala [http://bit.ly/2lwJY3y], ou casos muitos de promotores e juízes que fazem o que querem, à revelia da lei, e se safam com uma carteirada, esperar do militar rés-do-chão o exemplo de cumprimento da lei beira o contrassenso. Mais: o que é infração de trânsito a uma polícia que só na cidade de São Paulo assassinou 412 pessoas em 2015, um em cada quatro assassinatos registrado na capital [http://nao.usem.xyz/ack4]?

18 de fevereiro de 2017

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

3 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. ze sergio

    20 de fevereiro de 2017 12:19 pm

    dois….

    Quer mudar este país não se acovarde nem seja hipócrita. Persiga a democracia como regra à uma ideologia burra. Dê nome aos bois. Exija punição e cadeia ao responsável por esta situação, o Comandante em Chefe da Polícia Militar, o Governador Geraldo Alckmin. Esta covardia ficou explicita nos pedidos de condenação à Policia Militar no caso da invasão do Presídio do Carandiru, enquanto se omitia também os comandantes em chefe, únicos responsáveis por tal situação, Secretário de Segurança e Governador do estado de SP, Pedro Campos e Antonio Fleury Filho, respectivamente.  

  2. Renato Lazzari

    20 de fevereiro de 2017 2:46 pm

    PM: pobres defendendo ricos e

    PM: pobres defendendo ricos e prendendo e matando pobres… Bem, até que ganham umas medalhas, acesso a benefícios de corrupção; em suas vilas, algum destaque, algum prestígio, algum dinheiro. Sabe o pobre que se ufana de ter ido à festa de ricos? Mesmo que como garçon, que ganhou uma de cem como caixinha para dar uma atenção especial a uma mesa.

    Seus filhos não vão à escola pública de qualidade, não têm acesso ao médicos e dentistas senão devolvendo aos ricos a tal nota de cem…

    ***

    Ontem fui a uma loja de uma rede enorme de drogaria devolver uma máscara de inalação comprada errada. Encontrei má vontade, burocracia paralizante, dispendi mais de meia hora com “consultas ao sistema”, fui até acusado, julgado e culpado pelo erro. Ante a recusa da gerente apelei ao Código de Defesa do Consumidor e ouvi dela, numa mesma frase, que “no Brasil essas coisas não funcionam”, “tá pensando que não conheço o CDC? Estudo Direito. E não quero advogar, serei delegada de polícia.” Já pensou do que é capaz uma delegada de polícia que acredita que as leis não são para serem cumpridas? Uma privatista que defende um comércio que nem é dela, ocupando cargo público.

    “Toda força à iniciativa privada”, dizemos nós maravilhados com Mark Zuckerberg, “nenhum mole ao consumidor”, esquecendo-nos de que somos consumidores e que – não nos entristeçamos e nem surtemos – não somos Mark Zuckerberger.

  3. Serjão

    20 de fevereiro de 2017 5:16 pm

    64

    Meio século depois e ainda vivemos os resquícios da redentora.

    Cada policial militar mal treinado e des-educado se acha uma otoridade. 

    É poder demais para essas pessoas sem uma qualificação apropriada.

    E o pior, são acobertados e incentivados pelos superiores.

Recomendados para você

Recomendados