
Bem aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia
por Maria José Trindade
Já perdi muitos entes queridos. Por amor a eles, chorei.
Já perdi também adversários leais. Por respeitá-los, lamentei.
Já perdi seres que considerava desleais. Por piedade, silenciei.
Chorar e lamentar a perda dos que amamos e respeitamos é natural. É da ordem da afetividade. Significa que tais pessoas, ao longo da vida, tocaram-nos pelo afeto e conquistaram nosso respeito. Aqueles que amamos e respeitamos não precisam de misericórdia. Basta-lhes nosso amor e admiração. É assim que me sinto, hoje, ante a notícia da morte de Marisa Letícia.
A misericórdia se faz necessária quando o amor não está presente. Silenciar-se ante o sofrimento de desafetos não extingue o que se considera falta ou ofensa. Cala-se por piedade, triunfo sobre o rancor ou o desejo de vingança. Sinal claro de preservação da nossa humanidade. Sei que é mais difícil. Exige reflexão. Supõe compreender a natureza destruidora do ódio. Aqueles que não conseguem deixar de odiar nunca serão capazes de sentir misericórdia. Esta é minha opinião sobre os médicos que vazaram exames e informações sobre a paciente Marisa Letícia. Tenho pena de gente assim, incapaz de superar o ódio.
Bem aventurados os misericordiosos que combatem sem ódio. Estes alcançarão misericórdia.
Ivan de Union
3 de fevereiro de 2017 8:58 pmNao tou me sentindo nem um
Nao tou me sentindo nem um pouquinho “misericordioso” com esses medicos. E ouvi dizer que decapitacao eh legal no Brasil…
Antonio Uchoa Neto
3 de fevereiro de 2017 10:10 pmÉ legal também em outros
É legal também em outros países amigos dos Estados Unidos, Ivan:
http://theantimedia.org/100-beheadings-so-far-in-2015-and-counting-and-no-its-not-isis/
Ivan de Union
3 de fevereiro de 2017 10:39 pmEh o caso dos “nossos filhos
Eh o caso dos “nossos filhos da puta”, Antonio…
Antonio Uchoa Neto
4 de fevereiro de 2017 12:56 amNão os chame de
Não os chame de “nossos”…
Não crie nenhuma noção de pertencimento, nesse caso.
Não quero dar nenhuma impressão de antiamericanismo. E nem creio que você alimente esse sentimento, em relação ao seu país.
Deixe-me contar-lhe uma história, que não sei se vem ao caso (expressão ultimamente meio amaldiçoada, entre nós aqui no Brasil, dentre outras).
Meu pai costumava esconder alguns livros, de temática mais ousada, ou adulta, para que não pudéssemos ler, nem eu, nem meus irmãos. Um belo dia, eu os encontrei. Dentre algumas coisas mais amenas, como O Exorcista, O Chefão, de Mário Puzo, havia um exemplar de Arquipélago Gulag, de Soljenitisn. Eu tinha uns catorze ou quinze anos, e dessas leituras, a que mais me impressionou foi o Gulag, particularmente, os capítulos que descrevem sessões de tortura. Creio que, por conta disso, fiquei com uma visão de mundo, digamos, meio Ronald Reagan, por alguns anos.
Mas, pouco tempo depois, já nos anos 80, aos dezoito ou dezenove anos, me caiu na mão o livro de um compatriota seu, chamado A.J.Langutth. O título, se bem me recordo, era A Outra Face do Terror, e seu tema era a atuação de instrutores americanos – em particular Dan Mitrione – que ensinavam técnicas de torturas a policiais civis brasileiros (os instrutores militares, como se sabe, ministravam cursos no Panamá). E nesse livro li, já com mais capacidade de compreensão, descrições de torturas, que faziam as do Gulag parecerem filmes infantis de Walt Disney.
Foi um choque, e o começo de uma intensa procura por literatura similar, que, hoje, a internet facilita muito. Não quero ser desagradável, nem inconveniente, e não sei até que ponto você conhece a história dos nossos “filhos da puta”. Pesquise no Google, nomes como Eduardo Leite (Bacuri), Aurora Maria Nascimento Furtado, Stuart Angel Jones, e você verá o que os dedicados pupilos brasileiros de seus compatriotas foram capazes de fazer.
Estava começando a descobrir o mundo da política, e, bastante jovem e inexperiente, fui, durante certo tempo, veementemente antiamericano. Depois, a maturidade chega, as coisas vão ficando mais claras, as ideias mais objetivas (o texto, nem sempre).
Somos aqui, claro, um quintal de vocês, mas o cidadão médio americano não tem nenhuma participação, de qualquer natureza, nisso, fora o fato de eleger presidente e congressistas. Mas isso não faz deles “filhos da puta” do cidadão americano. São filhos da puta deles mesmos, assim como os nossos.
Pedro Augusto Pinho
3 de fevereiro de 2017 9:36 pmAssassinados pelo ódio
ASSASSINADOS PELO ÓDIO
“Se tiver que passar por um vale escuro não temerei mal algum
pois vosso bastão e vosso cajado me dão segurança”
SALMO 23, 4
Minha professora do primário, na escola pública, consciente do tempo que vivíamos e conhecedora da História do Brasil, ensinava uma poesia que ao tratar da Inglaterra concluía: tem na ambição voraz a nódoa que a acompanha.
São passados cerca de 70 anos. Quantas guerras movidas pela cobiça, pela vaidade ou pelo rancor? Quantas famílias destroçadas pela imoderada ambição?
Estas ideias vem-me ao saber do falecimento da Primeira Dama Marisa Letícia Lula da Silva.
A pequena contribuição de seu marido, o Presidente Lula, para dar dignidade, dar autoestima ou, como previa a letra até então morta da Constituição, dar cidadania à maioria absoluta da população brasileira, levantara uma onda de ódio no País.
Por que o ódio? É importantíssima esta resposta se desejamos ver nosso País progredir em paz e harmonia.
Aquela parcela ínfima da população que se autodenomina elite, que se aproveitou dos séculos da escravidão, que vive das gorjetas dos impérios coloniais alienando riquezas brasileiras, algumas insubstituíveis e que jamais poderão ser restabelecidas, impedindo o desenvolvimento cultural, intelectual e econômico do País, que ignorantes e arrogantes só sabem se impor pela força, antes das armas agora do único poder sem voto, se ergueu contra o projeto de governo que se propunha resgatar para a maioria absoluta dos brasileiros sua Nação.
Mas isto não poderia ser explícito, o ódio de encontrar o porteiro ou a babá no aeroporto, a filha da empregada doméstica na universidade cursada pelo filho ou neto, e dar um salário minimamente condizente com o trabalho dos que contribuíam para sua riqueza e ócio.
Criou-se então um mito ao qual se acostumara por gerações: apropriar-se do dinheiro público, como se fosse típico do partido que chegava ao Poder pela primeira vez. Não quero isentar ninguém nem me cabe advogar quem quer que seja. Mas são ridículas as acusações, não se encontraram provas que associem o Partido dos Trabalhadores e, principalmente, o Presidente Lula, Dona Marisa Letícia e seus filhos a qualquer falcatrua, ainda mais com dinheiro público. As condenações, em quase sua totalidade, deveram-se à síntese pronunciada pela Ministra do Supremo Tribunal Federal: não tenho prova, mas a literatura me permite condenar. Permite, digo eu, errar impunemente?
A imprensa, oligopolista, familiar, desta elite a que me refiro, buscando os interesses estrangeiros para defender, sem qualquer pudor, escudada na impunidade que o judiciário cúmplice lhe acobertava, martelava dia após dia uma culpa nunca provada, uma acusação vazia a Lula, família e partidários.
A Lava Jato, programada e treinada pelos Estados Unidos da América, foi o foco mais destacado. Daí as condenações sem processo, as tentativas de suicídio, a pena de 43 anos ao Almirante Othon, com 77 anos, um herói nacional. São atos inomináveis, dignos de um estado de exceção a que o Judiciário lançou o Brasil.
E insuflada a parcela mais favorecida da sociedade vai às ruas. Não lhes faltam recursos de toda ordem, nem acólitos abjetos de grupelhos financiados para tal fim. Alexandre Herculano, notável romancista e historiador, escreve no Prólogo da História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, como se instala esta emoção, de forma irracional e autoflagelante: “Há aí o vulgo que faz o que sempre fez; que saúda o vencedor, sem perguntar donde veio, nem para onde vai; que vocifera injúrias junto ao patíbulo do que morre mártir por ele, ou vitoreia a tirania, quando passa cercada de pompas que o deslumbram”.
A pressão sobre o marido e filhos foi excessiva para uma senhora que todos que a conheceram dizem ser amável, doce e acolhedora.
Os assassinos são todos estes, mentirosos, arrogantes, rancorosos, que condenam sem prova, que fraudam e alteram fatos e problemas, sem que as vítimas sequer possam defender das fortíssimas e provocadas pressões sociais.
A morte de Dona Marisa Letícia Lula da Silva será mais um crime impune em nossa história, como o que vitimou Getúlio Dornelles Vargas.
Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado
Ivan de Union
3 de fevereiro de 2017 9:52 pmUm lindo comentario, Pedro!
Um lindo comentario, Pedro!
Helena/S.André SP
3 de fevereiro de 2017 10:43 pmLindo e singelo comentário!
Se me permite, sr. Pedro, vou copiá-lo e divulgá-lo, com os devidos créditos.
Gersier
4 de fevereiro de 2017 1:37 amCompartilhem
Compartilhei o seu texto. É o que espero de todos que participam desse blog e comungam o mesmo pensamento, o de um Brasil grande, justo e livre dessa casta predatória que só enxerga o próprio umbigo esquecendo que todos os brasileiros tem o direito de usufruir da riqueza que ajudam a construir, o faça. Belo texto. Paises só se tornam grandes quando a sua população aprende a exercer com ética,a cidadania.
Emma
3 de fevereiro de 2017 11:02 pmEu também
Tenho pena de gente assim, incapaz de superar o ódio.
Gersier
3 de fevereiro de 2017 11:10 pmPara as missas e cultos do próximo domingo…
Padres e Pastores deveriam falar sobre o texto bíblico abaixo para os fiéis.
Livro de Mateus, Cap. 5– versículos 6, 7 e 8
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.
Luis Gustavo
4 de fevereiro de 2017 1:15 amAmém
Acho que precisamos desconstituir os muros que nos separam
Serjão
3 de fevereiro de 2017 11:21 pmA Ira Misericordiosa
Mais 3 nessa Van: mineirinho, mendes e o xerife caipira.
Uma granada e o povo brasileiro se livra de uma vez por todas das ratazanas graúdas que o corrói.
[video:https://youtu.be/3vwc6CXHSGI%5D
Luiz Mattos1
3 de fevereiro de 2017 11:29 pmD. MARISA FOI ASSASSINADA POR
D. MARISA FOI ASSASSINADA POR SERGIO MORO,DELTAN DALLAGNOL,MÍDIA BRASILEIRA CAPITANEADA PELA MALDITA REDE GLOBO COM A CUMPLICIDADE DE ONZE VERMES QUE ACREDITAM SEREM SUPREMOS INSTALADOS EM UM BORDEL FEDERAL ONDE SE CAFETINAM AS LEIS.O BRASIL É DOMINADO POR ALMAS PODRES CUJA EXISTÊNCIA DEPENDE ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE DE NÓS POVO BRASILEIRO QUE AMA A VERDADE,A JUSTIÇA E A IGUALDADE.
Luis Gustavo
4 de fevereiro de 2017 1:12 amPerdoai-os pq não sabem do que falam
Amém
emersondarocha
3 de fevereiro de 2017 11:40 pmMarisa Letícia e a esposa de Sérgio Moro
Caros amigos,
Tema: O G1 e a arte de Manipular Capas.
Qual é a relação que existe entre a dona Marisa e a esposa do Juiz Sérgio Moro para que estejam com o mesmo destaque? Infelizmente, a grande mídia tem uma participaão enorme em todo esse ódio contra o Partido dos Trabalhadores – PT.
Luis Gustavo
4 de fevereiro de 2017 1:09 amParabéns. Excelente Comentário.
Que assim seja!
Rui Ribeiro
4 de fevereiro de 2017 6:31 amA classe média e a elite estão zumbificadas, cegas de ódio
O momento de maior dor prá quem morre é a agonia final e, para os entes queridos cujas horas ainda não chegaram, é a perda para sempre de quem a nós se dedicou de corpo e alma. Nessas horas, o paciente e seus entes queridos merecem o ombro de todos, independentemente de qualquer situação, podendo as desavenças serem retomadas depois de um tempo. Vocês não sabem perder alguém que a gente ama, independentemente de quem ele seja, simplesmente pelo fato de ser alguém?
Pelamor. gente, párem de agredir a Dona Marisa e sua família. Mataram e festejaram a morte de uma Senhora tão dedicada ao seu dever e continuam perseguindo seus entes queridos. Deus, tenha piedade dessas pessoas. Muda seus corações profundamente, Deus.
Rui Ribeiro
4 de fevereiro de 2017 6:45 amAssassinando uma Rosa, esses Ratos acham q deterão a Primavera?
Eles assassinaram a Rosa Luxemburgo, a Olga Prestes, a Dorothy Stang e tantas outras Deusas da Luta. Mas esses ratos não vão deter a Primavera.
Que falta de respeito com os ratos compará-los com esses verdadeiros ratos. Desculpa, ratice geral
Emma
4 de fevereiro de 2017 12:12 pmEles quase me venceram
Passei 2016 todo esgrimando nos sites contra as ofensas a Dilma, colocando dados concretos, derrubando mentiras publicadas nos comentários com fatos. Me mantive racional e nunca revidei no mesmo tom quem me chamou de ladra, lixo, vendida etc… Mas ontem, com o falecimento de D.Marisa, relendo a atitude dos médicos vazadores , lendo os comentários que comemoravam a sua morte, acompanhando a tentativa das comentaristas da Globo News de falaram bem de D. Marisa ( tarde demais, minhas caras …)confesso, senti o ódio crescendo dentro de mim. Parei, respirei fundo e decidi que os odientos não iriam me fazer igual a eles. Substituí o ódio pela compaixão com os que perderam esse esteio da família, por nós todos que sentimos sua morte. Não foi ainda dessa vez que ELES me venceram!