Há alguns dias tratei aqui da HQuização da política brasileira https://jornalggn.com.br/blog/fabio-de-oliveira-ribeiro/sobre-a-hquizacao-da-politica-brasileira-por-fabio-de-oliveira-ribeiro.
Um fenômeno semelhante está ocorrendo nos EUA. A polarização da eleição entre Donald Trump e Hillary Clinton dividiu o país entre aqueles que consideram Trump um herói ou um vilão de HQ. O mesmo ocorre em relação a Hillary Clinton, que se apresenta como uma pessoa diferente daquela revelada pelos e-mails vazados pelo Wikileaks.
O foco nas virtudes ou defeitos de um e de outro despolitizou as eleições norte-americanas. Nenhum tema importante (redução de despesas militares, fim do predomínio avassalador dos bancos na política, socorro aos sem tetos, retomada de investimentos públicos para atender os desempregados e reconstrução da auto-imagem e da auto-estima de um país que se tornou tão pequeno e irrelevante que pode ser manipulado por Putin) é realmente discutido pelos candidatos ou na imprensa.
Os jornalistas norte-americanos também reduziram a eleição presidencial à uma disputa entre os super-poderes especiais de dois personagens de HQs. Não causa estranhamento, portanto, que a maioria dos eleitores dos EUA esteja se comportando como crianças. Não é isto o que eles fazem quando lotam as salas de cinema para ver os filmes dos heróis da Marvel.
Mas existem exceções: eleitores da candidata do Partido Verde que se esforça para politizar a disputa; aqueles que se recusam a legitimar a farsa eleitoral.
A cidadania ativa (como a que existia no tempo de JFK) deixou de ser um fenômeno importante nos EUA. Agora a cidadania se tornou um fenômeno negativo. Impossível dizer quanto tempo os EUA resistirão à destruição dos valores que levaram aquele país à Lua.
O culto de Jesus ajudou a provocar a queda de Roma. A obsessão cinematográfica, jornalística, político-eleitoral produzida pelo culto aos heróis de HQ produzirá o mesmo nos EUA? A conferir.
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