4 de junho de 2026

Guerra de mundos: inversão do eixo, por Arkx

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Guerra de mundos: inversão do eixo

por Arkx

“mude a poluição do ar antes que ela mude você”. propaganda bizarra na China mostra um futuro sombrio onde uma adaptação às novas condições ambientais fez com que os pelos do nariz crescessem, protegendo como um filtro as pessoas contra a poluição atmosférica.

há uma guerra. mas não uma guerra no mundo. e sim uma guerra de mundos.

não um choque de civilizações, pois jamais houve uma “civilização humana”. toda a História sendo apenas um ininterrupta sucessão de barbáries. nunca houve um monumento da cultura que não fosse também um monumento da barbárie.

a guerra deste mundo da Razão e da Ciência, nascido das luzes do Renascimento, apenas para mergulhar o planeta numa escala nunca antes experimentada de destruição e desigualdade. tudo e todos foram reduzidos ao valor de matéria-prima pela vã pretensão de manter indefinidamente girando os moinhos satânicos do capital.

este mundo subjugou todos os demais sob uma unificação etnocêntrica: muitas Culturas, apenas uma Natureza. um mundo no qual um conceito específico de uma cultura, a Natureza como definida pelo Racionalismo Ocidental, se converteu em “realidade biofísica”.

nosso próprio conceito de Natureza, tão arraigado na cultura ocidental a ponto ser considerado “natural”, nunca passou de nossa mais mortífera arma política.

um triunfo imperialista iniciado pela Conquista, as invasões bárbaras em todos os continentes, e completado pela Globalização Neoliberal, e recolonização completa do planeta.

as condições ambientais estáveis dos últimos 12 mil anos favoreceram o desenvolvimento da auto-denominada “civilização humana”. sob tal estabilidade ambiental ergueu-se o mito de ser possível uma separação conceitual entre Natureza e Cultura.

com a irrupção messiânica de Gaia no cenário geopolítico da história moderna, descobre-se que tal estabilidade ambiental pode ser alterada. como se reagisse às ações sobre ele infringidas, o planeta modifica seu equilíbrio para condições menos favoráveis à existência da espécie humana e de outras muitas que o coabitam.

o mundo natural e o mundo social já não podem mais estar separados. o humano se desumaniza ao se tornar força natural – pelas alterações que sua “civilização” provoca na natureza – enquanto a natureza se torna um agente respondendo a estímulos – convertendo-se numa ameaça política à continuidade da “civilização humana”.

como nenhum armistício é possível nesta escalada em direção ao armagedon, nossa única rota de fuga é para a frente. em meio a esta guerra de mundos, não nos resta nenhuma esperança. só nos cabe lutar. lutar por nossa sobrevivência. enquanto lutarmos, nos sentiremos vivos. é através da luta que experimentamos a felicidade de viver.

do mesmo modo como ocorreu no Renascimento com o Heliocentrismo, o Antropocentrismo já não nos serve mais. os sonhos da Razão geraram monstros: o Capitalismo, o Antropoceno, o Antropozóico.

a viabilidade de permanecermos em luta exige uma inversão de eixo e a mudança total de conceitos e paradigmas.

uma geografia que coloque a periferia no centro e faça do interior a capital.

uma sociologia focada não no esterilizado binômio “sociedade x indivíduo”, mas nas confederações de comunidades, na qual se integra o “indivíduo” ele mesmo como uma comuna. 

uma psicologia não mais assombrada pela superstição científica de alguma “mente humana”, guiada pela compreensão de não existir nenhuma outra “psique” senão a do imenso, complexo e desconhecido ser vivo chamado Terra.

uma economia baseada não na exploração infinita de recursos finitos, e sim dedicada à manutenção e enriquecimento do comum.

uma política liberta das fórmulas de “governabilidade”. a noção de “governo” é a mais insidiosa forma de dominação, por introjetar a “governabilidade” para produzir subjetividades aprisionadas pela auto-vigilância e a auto-punição. muito além dos “governos”, estão a auto-gestão e a auto-sustentabilidade.

a superação das “ciências humanas” através dos saberes e conhecimentos dos seres da Terra.

com a falência da “Constituição Moderna”, chegou o momento de estabelecer um novo pacto de coexistência no planeta que coabitamos.

https://www.youtube.com/watch?v=jjeF955LV5c

.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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11 Comentários
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  1. Vânia

    15 de outubro de 2016 5:07 pm

    O mundo tá muito doente

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=0oFksSyPAzY%5D

    1. arkx

      15 de outubro de 2016 7:21 pm

      guerra de mundos: inversão do eixo

      o mundo ta mesmo doente…. para a medicina alternativa, seja a chinesa ou mesmo Dr. Bach com seus florais, a “doença” é a última tentativa do corpo para se curar. a chance final de superação de um modo de viver que só gera desequilíbrios. abraços. 

      .

      1. Vânia

        15 de outubro de 2016 7:28 pm

        As flores de plástico não morrem

        A dor vai curar essas lástimas
        O soro tem gosto de lágrimas
        As flores têm cheiro de morte
        A dor vai fechar esses cortes
        Flores, Flores
        As flores de plástico não morrem

        [video:https://www.youtube.com/watch?v=2nB53snE5Go%5D

  2. Vânia

    15 de outubro de 2016 5:11 pm

    Cara a cara

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=PrqdRk_ETpA%5D

    Tenho um peito de lata
    E um nó de gravata
    No coração
    Tenho uma vida sensata
    Sem emoção
    Tenho uma pressa danada
    Não paro pra nada
    Não presto atenção
    Nos versos desta canção
    Inútil

    Tira a pedra do caminho
    Serve mais um vinho
    Bota vento no moinho
    Bota pra correr
    Bota força nessa coisa
    Que se a coisa pára
    A gente fica cara a cara
    Cara a cara cara a cara
    Bota lenha na fornalha
    Põe fogo na palha
    Bota fogo na batalha
    Bota pra ferver
    Bota força nessa coisa
    Que se a coisa pára
    A gente fica cara a cara
    Cara a cara cara a cara

    Tenho um metro quadrado
    Um olho vidrado
    E a televisão
    Tenho um sorriso comprado
    A prestação
    Tenho uma pressa danada
    Não paro pra nada
    Não presto atenção
    Nas cordas desse violão
    Inútil

    Tira a pedra do caminho (etc.)

    Tenho o passo marcado
    O rumo traçado sem discussão
    Tenho um encontro marcado
    Com a solidão
    Tenho uma pressa danada
    Não moro do lado
    Não me chamo João
    Não gosto nem digo que não
    É inútil

    Tira a pedra do caminho (etc.)

    Vou correndo, vou-me embora
    Faço um bota-fora
    Pega um lenço agita e chora
    Cumpre o seu dever
    Bota força nessa coisa
    Que se a coisa pára
    A gente fica cara a cara
    Cara a cara cara a cara
    Com o que não quer ver

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=aHkwePvN9Bo%5D

  3. Cesar Cardoso

    15 de outubro de 2016 5:22 pm

    Uma observação sobre o vídeo

    É interessantíssimo que o vídeo deste (magistral) post seja de origem chinesa. China, onde estão as cidades mais poluídas do mundo. China, de onde certamente nascerão as soluções.

    1. arkx

      15 de outubro de 2016 6:59 pm

      guerra de mundos: inversão do eixo

      ->China, onde estão as cidades mais poluídas do mundo.

      acompanhamento on-line da poluição do ar na China

      http://aqicn.org/map/china/#@g/33.0453/99.8877/4z

      talvez as soluções venham de onde menos esperamos: daqui mesmo do Brasil. quem sabe este nosso pior momento, seja aquele que antecede a construção coletiva de novos rumos. abraços.

  4. Assis Ribeiro

    15 de outubro de 2016 8:31 pm

    O mestre Milton Santos
    O mestre Milton Santos aplaudiria de pé este texto.

    Texto que projeta o que será o nosso futuro, ou a desertificação dos valores da vida.

    1. arkx

      16 de outubro de 2016 1:09 pm

      guerra de mundos: inversão do eixo

      para além do deserto do real, outros mundos são possíveis.

      é verdade que “eles” tem quase tudo. mas não tem algo que só nós podemos ter: nós temos uns aos outros.

      grande abraço

      campanha do Freixo: “mas nós temos uns aos outros”.

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=tP23fxiT_UA%5D

      .

  5. Josias Pires

    16 de outubro de 2016 1:00 am

    Obrigado

    Prezado Arkx, seus textos inspiradores nos fornecem diagnóstico da nossa tragédia e o prognóstico da nova política urgente, indispensável contribuindo para acender a centelha do agora em nossas vidas. Obrigado! 

  6. romulus

    16 de outubro de 2016 4:06 am

    “guerra deste mundo da Razão e Ciência” – tamos em sintonia msm

    Os Simpsons e o despotismo ~nada~ esclarecido de Curitiba, por Romulus
     

     

     ROMULUS
     SAB, 15/10/2016 – 17:45
     ATUALIZADO EM 15/10/2016 – 19:48

    Os Simpsons e o despotismo ~nada~ esclarecido de Curitiba

    Por Romulus

    (i) Lisa Simpson esteve de novo no Brasil – ou quase

    Há um episodio de “Os Simpsons” em que, dentro do roteiro sempre caótico e imprevisível por que a série se caracteriza, Lisa ascende ao poder na cidade como parte de um “conselho de notáveis”, composto apenas pelos maiores cérebros de Springfield.

    No início uma maravilha! Tudo mais eficiente e racionalizado…

    E no entanto…

    Bem, e no entanto depois tudo dá errado.

    A pobre Lisa, mesmo superdotada, não consegue compreender como aquele “sonho tão belo” pode desandar.

    E aí, no final, chega Stephen Hawking para socorrê-la e explicar o (não tão) óbvio:

    – Às vezes os mais inteligentes podem ser os mais ingênuos.

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     (i) Stephen Hawking explica aos Simpsons fracasso do despotismo esclarecido; (ii) Simpsons contam mais a Dallagnol sobre o Mayflower e os peregrinhos “não corruptos”; (iii) Os Simpsons visitam Curitiba, digo, Salem durante a caça às bruxas; (iv) e (v) a História dos EUA segundo South Park. 

     

    1. arkx

      16 de outubro de 2016 12:48 pm

      guerra de mundos: inversão do eixo

      Romulus,

      -> (ii) Despotismo tecnocrático O despotismo ~nada~ esclarecido de Curitiba, em particular, como corolário da desfuncionalidade, em geral, do despotismo das autoridades ~não eleitas~, o despotismo tecnocrático.

      esse pessoal tem ódio à Democracia. não suportam a noção de que todos são iguais perante a lei. não admitem que o seu voto valha tanto quanto ao de um ferrado qualquer. a Democracia deles é a de um Estado a serviço do patrimônio privado e garantido pelo Direito privado.

      há uma clara tendência fascista. essa coisa de se achar  “superior”, “melhor”, “mais”.

      isto não vai ter volta. nem no mundo e muito menos no Brasil. agora escancarou. não há mais o menor pudor, o menor escrúpulo.

      querem implantar um sistema de castas.

      e adicione-se ao caráter tecnocrático os componentes teocráticos.

      são mundos se chocando: uma nova conquista, as novas invasões bárbaras, a recolonização global sob a égide da Tirania Financeira.

      vai acabar muito mal.

      o próximo marco são as eleições nos EUA. veja-se o ponto a que chegamos na citação abaixo de um artigo do Pepe Escobar:

      “O que nos leva o cenário perfeitamente surrealista, no qual Donald Trump é O Último Homem que se ergue entre a sanidade e a 3ª Guerra Mundial.”

      grande abraço

      ps:

      pode até não acreditar, mas nunca vi sequer um único episódio do Simpsons. esclareço, nada contra.

      mas pelo que li, a questão lá do conselho de notáveis de Springfield é o que se considera como “inteligência”. é um conceito muito mais complexo do que supõe o Racionalismo. lembro-me agora de trechos a respeito num livro do século passado: “O Despertar dos Mágicos”: existem “gênios” capazes de compor sinfonias estupendas, enquanto são completos “ idiotas” para realizarem as mais banais tarefas cotidianas.

      -> o conceito dohomus economicus, o indivíduo que tomava decisões (apenas) com base na razão, pilar da escola neoclássica.

      não somente a crença (pois a própria “ciência” é uma questão de fé) numa única Natureza, como a suposição que o Mercado seria “natural”.

      tá tudo errado. e não se sustenta mais. ou haverá um mínimo de ação conjunta internacional, ou vai explodir tudo. leve-se aí em consideração o imenso “fator inercial” da contaminação do meio ambiente. mesmo se parasse imediatamente, o que já foi ainda vai causar muito dano futuro.

      .

       

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