1 de julho de 2026

Os pontos centrais para entender as eleições americanas, por Luis Nassif

O pacto ultraliberal brasileiro tem um ingrediente forte: um pró-americanismo inamovível da parte das Forças Armadas e do mercado. Bolsonaro terá que curtir sua viuvez em lives pessoais com seu ídolo. Não haverá a menor possibilidade de rompimento com Biden.

Controle do Senado pelo Partido Republicano

O Partido Republicano manteve o controle do Senado e amplo a participação na Cãmara. O controle republicano no Senado amarrou toda a gestão Barack Obama. Biden terá as mesmas restrições e será obrigado a negociar.

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O trumpismo não morreu

Metade dos Estados Unidos professa o discurso de ódio, do preconceito, da anti-ciência e do ódio aos imigrantes – mesmo da parte da geração anterior de migração. Talvez pela idade, Trump não consiga manter a liderança sobre o trumpismo. Não faltarão candidatos.

O Partido Republicano morreu

Há uma semelhança e uma diferença fundamental entre o Partido Republicano e o PSDB brasileiro. A semelhança é que os dois partidos enveredaram pela radicalização mais inconsequente. A diferença é que o sistema político americano consolida o bipartidarismo; o brasileiro, não.

Assim, o Partido Republicano torna-se definitivamente o partido da radicalização inconsequente, enquanto no Brasil os radicais se espalham por outros partidos, deixando o PSDB à míngua.

Por tudo isso, em breve haverá um novo candidato dos cardeais do Partido Republicano para assumir o trumpismo.

A disputa com o trumpismo

Não haverá como diluir o trumpismo, se não se ataca-lo em seu território e suas bandeiras. Biden se verá entre duas forças: as grandes corporações pretendendo aproximação com a China; e o enorme eleitorado trumpiniano querendo a volta do emprego. E tendo atrás de si uma Suprema Corte conservadora e um Senado tomado pelos adversários. Detalhe: Biden não é nenhum Roosevelt.

Aparentemente, a única bandeira inamovível será a ambiental.

Brasil e Bolsonaro

O pacto ultraliberal brasileiro tem um ingrediente forte: um pró-americanismo inamovível da parte das Forças Armadas e do mercado. Bolsonaro terá que curtir sua viuvez em lives pessoais com seu ídolo. Não haverá a menor possibilidade de rompimento com Biden.

Por sua vez, Biden será implacável com o tema meio ambiente. Mas condescendente com temas ligados a comércio.

Fica a dúvida sobre como será o comportamento futuro do Brasil com a China.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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9 Comentários
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  1. vera venturini

    5 de novembro de 2020 11:24 am

    Bom… os americanos tiraram o fascista deles do poder. Agora Biden terá que se compor para combater essa praga na sociedade americana. Não vai ser fácil e o filme do Borat é uma amostra da miséria moral em que se encontra a sociedade americana.
    Agora cabe a sociedade civil brasileira tirar o fascista daqui do poder. E é bom notar que o Ciro Gomes não tem a grandeza de um Bernie Sanders, que trouxe a esquerda americana e as minorias sociais que o apoiavam, para combater o fascismo. Nem a grande imprensa brasileira tem o discernimento da grande imprensa americana e isso ficou demonstrado na última eleição. E as instituições brasileiras tem a decencia moral do “estupro culposo” do Judiciário e a “coragem” do general Pazuello das Forças Armadas.

  2. Renato Cruz

    5 de novembro de 2020 12:24 pm

    70 milhões de americanos votaram em Donald Trump. Isso é um “país” maior do que todos os países da Europa, exceto Alemanha; maior do que todos os países da América Latina, exceto Brasil e México.
    Essa população imensa votou conhecendo muito bem todos os crimes e infâmias que seu presidente cometeu em 4 anos de mandato. Crime na pandemia, crime contra o meio-ambiente, contra os negros, os imigrantes, contra a liberdade de imprensa, de reunião etc etc. Portanto, esses 70 milhões de americanos são igualmente racistas, xenófobos e desdenham da destruição da natureza, entre outras barbaridades.
    Portanto, isto significa que Trump não foi um fenômeno passageiro, os trumpistas vieram pra ficar e não vão sumir.

    1. Renato Cruz

      5 de novembro de 2020 1:31 pm

      Peço desculpas ao time do blog e aos leitores. O comentário abaixo era rascunho desse e eu me confundi na hora de enviar, porque o computador travou.

  3. Renato Cruz

    5 de novembro de 2020 12:25 pm

    Donald Trump teve 70 milhões de votos. Isso é um “país” maior do que todos os países da Europa, exceto Alemanha; maior do que todos os países da América Latina, exceto Brasil e México.
    Essa população imensa votou conhecendo muito bem todos os crimes e infâmias que seu presidente cometeu em 4 anos de mandato. Crime na pandemia, crime contra o meio-ambiente, contra os negros, os imigrantes, contra a liberdade de imprensa, de reunião etc etc. Portanto, esses 70 milhões de americanos são igualmente racistas, xenófobos e desdenham da destruição da natureza, entre outras barbaridades.
    Portanto, isto significa que Trump não foi um fenômeno passageiro, os trumpistas vieram pra ficar e não vão sumir.

  4. Renato Cruz

    5 de novembro de 2020 12:28 pm

    O mesmo raciocínio vale no Brasil para os bolsonaristas. Eles chegaram pra ficar. Acabou a harmonia.

  5. Rui Ribeiro

    5 de novembro de 2020 12:35 pm

    Um Doido disse:

    “Se Trump perder, eu não se fico com mais pena da Melancia ou do Bostonaro”.

    Kkkkkkkk

  6. Elvys

    5 de novembro de 2020 12:57 pm

    Aguardemos. 2022 nos dirá nossos rumos. Meu palpite: a centro direita leva em 2022. A esquerda tem dificuldades para se reagrupar, já que está dividida em vários temas. Penso que somente o movimento sindical tem reais condições de reagrupar a esquerda e demais movimentos sob uma única bandeira.
    Agora, se a dita ‘elite’ da esquerda vai concordar é outra história…

  7. Roberto São Paulo-SP 2010

    5 de novembro de 2020 3:23 pm

    Nem todo eleitor de Trump é de direita e “trumpista”.

    O eleitor na maioria das vezes e pragmático e vota de acordo com seus interesses.
    É preciso analisar a precisão do discurso do Trump, que conseguiu atrair os votos da extrema direita e ao mesmo tempo parte do eleitorado negro e latino, e demais imigrantes legalizados com direito a voto.

    Dois pontos das ações e do discurso de Trump atraiu parte do eleitorado latino e negro.
    O primeiro é o ataque a imigração ilegal, a deportação sumária dos imigrantes ilegais, e a tentativa de construir um muro para barrar os imigrantes.

    Parte do eleitorado que sofre com concorrência na disputa de empregos com os dois grandes ilegais, viram uma oportunidade para melhorar as chances de um emprego e melhores salários.

    O outro ponto é discurso contra os acordos comerciais, a importação de produtos manufaturados, para aumentar a produção industrial nós EUA.

    Pelos dados da votação, diria que Trump venceria por larga margem se não fosse a pandemia, a economia estaria melhor, e o candidato democrata teria dificuldade de enfrentar um campanha muito mais desgastante,. Já que haveria muito mais viagens e comícios., Sem falar na quantidade maior de debates,

    Os negócios com hotéis e campos de golfe, devem ter provocado uma hesitação no início do combate, depois que o vírus se espalhou ficou difícil voltar atrás.

  8. Vladimir

    5 de novembro de 2020 6:42 pm

    Lá, como cá, as restri6maiores foram a figura do ocupante da presidência .
    É por isso que ainda existem milhões de apoiadores desses sujeitos.
    A grande mídia tem trabalhado de forma uníssono para colocar alguém de bons modos à mesa e no trato com as pessoas.
    A identificação de parte da população com estas figuras é mais do que justificável. São pessoas que,mesmo aquelas em classes sociais mais próximas ao topo da pirâmide, são, na maioria das vezes,discriminadas por não fazerem parte do seleto clube da elite.
    Assim,se torna muito fácil engolir o discurso falso populista dessa gente.
    Pelo que temos visto, a mão não tão invisível que governa o mundo,entra em campo sempre com o candidato vencedor,seja ele quem for.
    É um grande engodo onde raríssimas vezes ocorre da banca perder e,quando isso ocorre,nós sabemos o que acontece.

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