
“Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”.
Seguindo o princípio enunciado pelo Pai da Química Moderna, a dupla formada por Patricia Relvas e Roberto Afonso renovam a paisagem musical portuguesa.
As experiências químicas começaram em Berlim. Para encontrar uma fórmula de identidade, basearam-se na alquimia etnográfica de de Michel Giacometti, ao qual misturaram influências do tropicalismo e do modernismo antropofágico brasileiros. Os resultados aparecem nos vídeos a seguir.
Garota de Ipanema
https://www.youtube.com/watch?v=jF7SwFcxeho]
Pessoa
https://www.youtube.com/watch?v=FcoCwlFF3F4]
Eu não me entendo
https://vimeo.com/60686596
Senhora do Almortão
https://www.youtube.com/watch?v=sT3Nc7UjH_0]
A Machadinha
https://www.youtube.com/watch?v=1LMN0X6Q5k4]
Maria Faia
https://www.youtube.com/watch?v=snu_NwMj1GE]
Água de Beber
[video:https://www.youtube.com/watch?v=CavnXrM7nrs
Viajar, música sobre poema Fernando Pessoa
[video:https://www.youtube.com/watch?v=EpVdYpY2sJo
Fa(r)do
[video:https://www.youtube.com/watch?v=97GUX-WKYbs
Acordai
[video:https://vimeo.com/61750566
Alecrim
https://www.youtube.com/watch?v=uSbpIwOFZVo
Canta Amigo Canta
[video:https://www.youtube.com/watch?v=6UrNZIdUN8s
Vânia
17 de agosto de 2016 10:06 pmBacaninha.
O Pato
[video:https://www.youtube.com/watch?v=Zqk7ou3xZSI%5D
quem-quem
[video:https://www.youtube.com/watch?v=RfG-uEl77EY%5D
Almeida
18 de agosto de 2016 3:18 amApresentação em Copenhagen.
«Acordai»
[video:https://www.youtube.com/watch?v=SBnlaHIs3jg%5D
Poema: José Gomes Ferreira
Música: Fernando Lopes Graça
Acordai,
Homens que dormis
A embalar a dor
dos silêncios vis!
Vinde, no clamor
Das almas viris,
Arrancar a flor
Que dorme na raiz!
Acordai,
Raios e tufões
Que dormis no ar
E nas multidões!
Vinde incendiar
De astros e canções
As pedras e o mar,
O mundo e os corações!
Acordai!
Acendei,
De almas e de sóis
Este mar sem cais,
Nem luz de faróis!
E acordai, depois
Das lutas finais,
Os nossos heróis
Que dormem nos covais
Acordai!
Vânia
18 de agosto de 2016 3:45 amVai-te poesia!
(José Gomes Ferreira)
Deixa-me ver a vida
exacta e intolerável
neste planeta feito de carne humana a chorar
onde um anjo me arrasta todas as noites para casa pelos cabelos
com bandeiras de lume nos olhos,
para fabricar sonhos
carregados de dinamite de lágrimas.
Vai-te, Poesia!
Não quero cantar.
Quero gritar!
[video:https://www.youtube.com/watch?v=hCRADlLW8hE%5D
Almeida
18 de agosto de 2016 4:39 amAqui ficas, poema de José Gomes Ferreira, por Luis Cilia.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=fo7Y0QFBYvs%5D
Aqui ficas, melodia
Que nunca encontrei
Por mais que a buscasse
Nas bocas, por lei,
Cosidas na face…
Aqui ficas, minha sombra,
Na terra deitada
À espera, sozinha
Da noite da espada
Fora da bainha.
Aqui ficas, minha raiva,
A sonhar que furas
Os olhos das rãs
Com estas mãos puras
De tecer manhãs.
Aqui ficas, meu sonho,
Para um dia pores
Todo o sol que queiras
Nas cristas das flores,
E inventar bandeiras.
Aqui ficas, morte,
Que a morte é assim,
Este dar ao mundo
O que ao mundo em mim
Gela num segundo.
Só tu não ficas, solidão,
No dormir longo dos pinhais,
Levo-te no coração
Para os vendavais
Da multidão.
Vânia
18 de agosto de 2016 5:53 amUm Dia a Solidão
Um dia, a solidão
– que dor de vergonha! –
levou-me pela mão
para seu baluarte
e disse-me ” sonha!
O sonho é a tua lei”
E eu para ali fiquei,
Tão farto de ser eu,
A ouvir o meu coração
Bater em toda a parte,
Nos astros do chão,
Nas pedras do céu.
E eu para ali fiquei
A arrancar a carne das unhas,
Sozinho no meu jardim,
A viver sem testemunhas
No espelho de mim.
E eu para ali fiquei
Com o mundo a obedecer aos meus caprichos:
A luz, as flores, os bichos
E o sol enforcado na floresta,
Na alucinação
Duma corda de lava
A baloiçar ao vento da minhaalma à solta…
E eu para ali fiquei
– pobre de mim que ignorava
a dor da verdadeira solidão
que é esta! Que é esta!…
Muita gente à minha volta
E eu aos tombos pelas ruas,
longe de todos e de mim,
a morrer pelos outros
em barricadas de estrelas e de luas.
José Gomes Ferreira
***
[video:https://www.youtube.com/watch?v=M0TMWbVy9Dg%5D
Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura
[video:https://www.youtube.com/watch?v=AkPozzLSrsM%5D
Almeida
18 de agosto de 2016 10:50 amLuz que brillas
[video:https://www.youtube.com/watch?v=UYORWyzOyRw%5D
Luz que brillas
en el cielo,
¡Oh, luna
clara y hermosa!.
¡Oh que noche
silenciosa!
tu mitigas, tu mitigas
mi dolor.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=9FF62DcKpKg%5D
Almeida
18 de agosto de 2016 3:38 amApresentação no 3º Lisbon Living Room Sessions.
«Eu não me entendo»
[video:https://www.youtube.com/watch?v=dUciRtUElKA%5D
Letra: José Luís Gordo.
Música: José Mário Branco.
entrego a minha voz ao coração do vento
e quanto mais água dos meus olhos corre
mais fogo acendo
eu não me entendo
eu não me entendo
e por ti já gastei o pensamento
ai amor, ai amor, se o tempo
já gastou, já gastou o nosso tempo
eu não me entendo
eu não me entendo
a primavera do meu tempo
já gastei a primavera do meu tempo
já fiz da boca jardins de vento
e não me entendo
e não me entendo
eu não me entendo
Almeida
18 de agosto de 2016 3:54 amApresentação na Peter-Weiss-Haus, Rostock.
«Viajar»
[video:https://www.youtube.com/watch?v=nIi93opSgG0%5D
Poema: Fernando Pessoa
Música: Lavoisier
Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!
Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E da ânsia de o conseguir!
Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.