4 de junho de 2026

O funk de Arthur Lira, por Rui Daher

Favas contadas, precisava ele oferecer festa inoportuna, em momento de pandemia, que já levou à morte quase 250 mil brasileiros, pela Covid-19?
Foto G1

O funk de Arthur Lira

por Rui Daher

O ritmo funk se espalhou, como expressão popular, desde o Rio de Janeiro para outras plagas brasileiras, de prima, conquistando as periferias paulistanas, Paraisópolis, Capão Redondo, Brasilândia, Parelheiros, mais.

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Tem sido entendido como manifestação cultural menor. Não é, mas apenas fruto de um conceito elitista econômico e, para alguns, cultural.

Se apareceu, dos rap e hip-hop, precisa ser respeitado. Assim como o foi o síndico, Tim Maia.

Evidências mostram ter sido apropriada pelas quadrilhas de traficantes de drogas e as milícias que fingem a elas se contrapor. Tudo igual. Por lucros ilegais e perniciosos à sociedade, principalmente às mais carentes, pagam bom dinheiro e, assim, se abastecem.

Folhas e telas cotidianas, falsas autoridades, pessoas de “bem”, ao funk se contrapõem. Primeiro, mentem. Dizem só ouviram Bach, Debussy, Wagner, outros mais. Nada! Vão de Luan Santana, Godofredo e Sorocaba (devo ter errado, pouco afeito que sou), Anita (devo dobrar o t, por quê?).

O funk carioca vem das favelas do Rio de Janeiro. Tá bom, em 15 anos de escrita neste espaço, já devem saber que idolatro Cartola, os Nelsons. Sargento, Cavaquinho e Cachaça. Como Jair do Cavaco, Elton, Paulinho, Martinho, João Nogueira, Sem Braço, a madrinha Beth, Zica, Vicentina, Jovelina, e todos os sambistas que, creio, entendem as novas gerações se voltando para o funk, sem se esquecer do samba de raiz.

Agora vem. Preâmbulo verdadeiro, mas não fundamental. Trato de um desprezível, novo presidente da Assembleia Federal Legislativa, o político, pecuarista e Bolsonaro acólito, Arthur Lira.

Favas contadas, precisava ele oferecer festa inoportuna, em momento de pandemia, que já levou à morte quase 250 mil brasileiros, pela Covid-19?

Ganhou, levando em conta o Brasil, ser uma paróquia sem instituições probas? Então, desfrute nossa incúria, relaxe e goze.

Precisava alugar mansão no Lago Sul, Brasília, para aquele regabofe infeliz para tantas abomináveis presenças? O Regente Insano Primeiro, clã, acólitos (muitos ministros (?) por lá), e desimportantes apoiadores, deram-lhe aval? Certeza de que sim.

O Brasil aceita, com razoável apreço do empresariado, mídia e parcela do Judiciário, entrar na fase mais nefasta da história. Impossível comparação, respondendo a um jovem que hoje me perguntou isso. Nunca sofremos de tantas infelicidades política, econômica e social. Pelo menos, em mais de sete décadas de minha insignificante vida.

Em qualquer país do mundo ou estrutura social, a festa da vitória (?) de Arthur Lira, para presidente da Câmara, homens em trajes sabujos, mulheres em colantes tubinhos e coxas expostas, mereceria punição severa.

De minha parte, a morte, lenta, gradual e dolorida.

Rui Daher

Rui Daher – administrador, consultor em desenvolvimento agrícola e escritor

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