4 de junho de 2026

Uma guerrinha de brinquedo entre China e Vietnã

Os Estados Unidos têm insuflado os países do sudeste asiático a contestar as pretensões chinesas de ocupação do Mar da China e de construção de bases de defesa de seu território nessa porta de entrada de seu país. Mais aguerrido que outros, nesse momento, o Vietnã, após uma aliança surpreendente com os EUA – que trataram de suspender o embargo de armas ao país e prometem armar o novo aliado –, tem mantido a postura mais incisiva contra as atitudes marítimas chinesas.

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Tendo apaziguado o ânimo dos filipinos, promotores de uma interpelação a tribunal internacional baseada em leis marítimas internacionais, restaram apenas os Vietnamitas a contestar as ações chinesas. Não tendo havido qualquer menção ao veredito do tribunal internacional sobre as ocupações no Mar da China no documento final do recente encontro de lideranças locais do ASEAN, o bloco local, a querela tende a cair no esquecimento, a menos que os EUA consigam insuflar outro país local a prosseguir na contestação.

A animosidade resultante entre chineses e vietnamitas acaba de gerar uma “guerrinha de brinquedo” entre os dois países. Na semana passada, hackers invadiram os computadores dos principais aeroportos vietnamitas inserindo em suas telas de informação aos passageiros mensagens como a da imagem acima.

A mensagem diz:

O Vietnã pertence à China!

A China é o ancestral dos vietnamitas!

Vietnamitas não sabem disso porque seu sistema educacional é muito atrasado!

A brincadeira tem um ar inocente, mas corresponde a uma enorme ameaça. A invasão do sistema computacional dos aeroportos atesta a capacidade de controle dos hackers desse importantíssimo controle. Deixa clara a possibilidade de dominar os sistemas dos aeroportos, sugerindo fortemente a capacidade de domínio de outros sistemas, como os de defesa, por exemplo. A invasão deixou clara a possibilidade de suspensão do funcionamento dos aeroportos do país, e de inúmeros outros sistemas; virtualmente, hoje, todos os serviços dependem das redes de computadores, seu controle por invasores pode paralisar um país imediatamente. A ameaça é mais sutil que uma guerra com armas destruidoras, mas, de certo modo mais drástica e eficiente.

Penso que os brasileiros devemos dar uma enorme atenção a dois pontos nessa mensagem: o fato de que o controle dos sistemas computacionais resulta no controle do país, de que não há independência sem o domínio efetivo desses sistemas, e a grave injúria final da advertência: o sistema educacional vietnamita é muito atrasado!

Tamanho impropério deve ter soado como uma goleada de 7 a 1 para os vietnamitas! O sistema educacional do Vietnã é um dos melhores do mundo, perdendo apenas para o chinês e poucos outros.

Teríamos dificuldade de compreender essa guerra, somos absurdamente ignorantes.

Quando eu entrei na escola me ensinaram uma história engraçada, uma chacota da qual ríamos muito, todas as crianças: quando os portugueses chegaram ao Brasil, portando armas de fogo, os índios pensaram que fossem algum tipo de deuses, passando a reverenciar o Caramuru fazedor de trovão; continuamos os mesmos índios. Crianças devem aprender a programar, não saber programar computadores, no mundo de hoje, é uma espécie de analfabetismo.

Se sofrermos um ataque de hackers chineses, vietnamitas, ou de qualquer outro povo culto, não teremos nenhuma condição de revidar e, de fato, teremos uma enorme dificuldade de compreender o que estará acontecendo, necessitando, provavelmente, de ajuda externa para nos livrar do ataque. É possível que algum menino chinês seja capaz de paralisar o Brasil inteiro.

A guerrinha de brinquedo pode ser bem séria; em qualquer guerra hoje, essa parte do conflito, travada por meio de computadores, terá um papel decisivo. Todas as coisas hoje, inclusive as armas, são controladas por computadores.

Há consolo e forte esperança na constatação de que a guerra de brinquedo pode ser muito menos nefasta que uma guerra tradicional. É imprescindível, para a paz mundial, que as contendas no mar da China permaneçam nesse nível de disputa local, sem a ameaçadora intervenção americana.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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