4 de junho de 2026

Quem faz o bem recebe sempre o mal?

Por Luciano Hortencio

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Quando a mocidade lhe deixar um dia

Na solidão, sofrendo a nostalgia

Ao relembrar o mal que lhe causou

Serei feliz, porque feliz eu nunca fui na vida

Minh’alma sempre foi desvanecida

Esquecerei o tempo que passou

 

Quando a formosura lhe abandonar

E a consciência um dia lhe chegar

Roubando todo o seu deslumbramento

Daí então, gargalharei

Porque eu sei sofrer

Nasci assim, portanto hei de morrer

Viver alegre é meu contentamento.

 

Quem faz o bem, recebe sempre o mal,

Quem neste mundo tem o ideal

De viver sempre a sorrir, há de sofrer,

Jesus também sorrindo, foi martirizado

E no calvário foi crucificado

A suportar a dor e a resistir até morrer

Mas aquele Deus, tão grande e poderoso

Nunca foi no mundo, orgulhoso

Pois morreu contrito a perdoar quem lhe feria

Eu sou diferente no meu coração

Guardo rancor de sua ingratidão

Minh’alma ao relembrar

Jamais perdoaria

 

Quando a formosura lhe abandonar

E a consciência um dia lhe chegar

Roubando todo o seu deslumbramento

Daí então, gargalharei

Porque eu sei sofrer

Nasci assim, portanto hei de morrer

Viver alegre é meu contentamento.

 

 

Augusto Calheiros – GRANDE MÁGOA – José Luiz da Silva – José Rezende.
Disco Todamérica TA-5.156-A. 
Abril de 1952.
 

Luciano Hortencio

Música e literatura fazem parte do meu dia a dia.

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25 Comentários
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  1. claudevan melo

    26 de maio de 2016 10:43 am

    PARABENIZO A MEMORIA DO
    PARABENIZO A MEMORIA DO PATATI

    1. lucianohortencio

      26 de maio de 2016 11:06 am

      Ao Claudevan Melo!

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=bQOM0qdiZLA%5D

  2. Nonato Amorim

    26 de maio de 2016 11:52 am

    Ab Tenente Lisboa 1506
    Na frente dos trilhos da RFFSA, outrora RVC, onde o trem passava a caminho de Sobral/Crateús, tendo saído da Estação João Felipe, brincávamos nesse endereço que era a mercearia do Seu Ananias. À noite batia ponto ao violào o Murieta, Joaquim Murieta (nunca soubemos seu verdadeiro nome). Pois era justamente essa a sua peça de resistência. De tanto ouvi-lo cantar sei toda letra de cór até hoje. E olhe, camarada Hortêncio, meu bom: quase 50 anos se passam daqueles dias. Murieta vivia maltrapilho, era, parece, ex funcionário da ferrovia. Seu mote era: “so tenho medo de morrer rico, pra morrer pobre ja me basta o que tenho”. Grande e bela lembrança, Luciano.

    1. lucianohortencio

      26 de maio de 2016 11:57 am

      Ao Nonato Amorim!

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=4YyicyrB7PE%5D

  3. Maria Luisa

    26 de maio de 2016 1:59 pm

    A vida é muito curta para ser pequena

    Lulu, acordei com o pé esquerdo hoje (apesar de sempre ter sido gauche :), e então depois de varios “tropeços” hoje, compromissos desmarcados, tudo me apoquentando, lembrei da frase acima. Sabe quem a disse ? A bela e divina Maria Lucia Godoy, do alto de seus mais de 90 anos. Ainda pensando nisso, lembrei do que disse Niemeyer, ja centenario, falou sobre a experiência de viver. “A vida é um sopro”. E ai, deixei de me aborrecer, rearrumei a agenda melhor ainda do que estava e andiamo, andiamo!

    Quem faz o bem se sente bem.

    [video:https://youtu.be/gPVhQDtGlqI%5D

    [video:https://youtu.be/PHvijOQt30g%5D

    1. jns

      26 de maio de 2016 4:58 pm

      Pedras?

      Nóis passa por cima delas, uai?!

      [video:https://youtu.be/LJ4VoSvgpMI width:600]

      1. lucianohortencio

        26 de maio de 2016 7:40 pm

        Foi uma pedra que rolou, caro Guru!

        [video:https://www.youtube.com/watch?v=SK2pjCQ8Y3g%5D

        1. GalileoGalilei

          26 de maio de 2016 8:02 pm

          É com esse que eu vou

          Karrin Allyson

          [video:https://www.youtube.com/watch?v=S7dRR0iADwY align:center]

           

           

        2. jns

          26 de maio de 2016 8:36 pm

          Beleza!

          Mandou bem, Véim danado!

          [video:https://youtu.be/cLehr4oquQs width:600]

        3. GalileoGalilei

          26 de maio de 2016 8:39 pm

          Foi um rio que passou, caro mestre!

          Paulinho da Viola

          [video:https://www.youtube.com/watch?v=TeF8W3WMycA align:center]

           

    2. lucianohortencio

      26 de maio de 2016 7:17 pm

      À amiga Maria Luisa!

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=xZ86PbQSMDI%5D

    3. GalileoGalilei

      26 de maio de 2016 7:36 pm

      Pra Maria Luisa

      Modinha de Sérgio Bittencourt

      Olho a rosa na janela,
      Sonho um sonho pequenino:
      Se eu pudesse ser menino,
      Eu roubava essa rosa
      E ofertava, todo prosa,
      À primeira namorada
      e nesse pouco ou quase nada
      Eu dizia o meu amor,
      O meu amor…

      Olho o sol findando lento,
      sonho um sonho de adulto:
      Minha voz, na voz do vento,
      Indo em busca do teu vulto
      E o meu verso em pedaços
      Só querendo o teu perdão.
      Eu me perco nos teus passos
      E me encontro na canção.

      Ai, amor, eu vou morrer
      Buscando o teu amor…
      Ai, amor, eu vou morrer
      Buscando o teu amor…
      (Eu vou morrer de muito amor).

      Com Teresa Cristina

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=CLDvP63yyZU align:center]

       

      1. Maria Luisa

        27 de maio de 2016 10:54 am

        Modinhas para uma menina atemporal

        Que linda, Galileo, que coisa mais preciosa. Vou procurar ouvir o disco todo. Um abraço.

  4. GalileoGalilei

    26 de maio de 2016 5:32 pm

    O que é feito de você?

    Cartola

    [video:https://www.youtube.com/watch?time_continue=82&v=-TmdrbOAuuo align:center]

     

    1. GalileoGalilei

      26 de maio de 2016 5:57 pm

      Continuando

      O que é feito de você
      Ó minha mocidade
      Ó minha força,
      A minha vivacidade?
      O que é feito dos meus versos
      E do meu violão?
      Troquei-os sem sentir
      Por um simples bastão
      E hoje quando eu passo
      A gurizada pasma
      Horrorizada como quem
      Vê um fantasma
      E um esqueleto humano assim vai
      Cambaleando quase cai, não cai

      Pés inchados, passos em falso
      O olhar embaçado
      Nenhum amigo ao meu lado
      Não há por mim compaixão
      A tudo vou assistindo
      A ingratidão resistindo
      Só sinto falta dos meus versos
      Da mocidade e do meu violão.

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=-TmdrbOAuuo align:center]

       

    2. lucianohortencio

      26 de maio de 2016 7:12 pm

      Ao GalileoGalilei!!!

      quatro e dois, seis…

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=O12YT3yRvV4%5D

      1. GalileoGalilei

        26 de maio de 2016 7:24 pm

        Aula de Matemática (de Tom Jobim)

        Elza Laranjeira (1959)

        [video:https://www.youtube.com/watch?v=vQOvztlChs4 align:center]

         

         

        1. lucianohortencio

          26 de maio de 2016 8:00 pm

          Ao GalileoGalilei!

          [video:https://www.youtube.com/watch?v=IMuLy1ixfgY%5D

          1. GalileoGalilei

            26 de maio de 2016 8:15 pm

            Começar de Novo

            Gonzalo Rubalcaba e Ivan Lins (2000)

            [video:https://www.youtube.com/watch?v=RRHyVHUiRtk align:center]

             

             

  5. GalileoGalilei

    26 de maio de 2016 5:51 pm

    Nelson Cavaquinho

    Degraus da Vida 

    Sei que estou
    No último degrau da vida, meu amor
    Já estou envelhecido, acabado
    Por isso muito eu tenho chorado
    Eu não posso esquecer o meu passado
    Foram-se meus vinte anos de idade
    Já vai muito longe a minha mocidade
    Sinto uma lágrima rolar sobre meu rosto
    É tão grande o meu desgosto

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=5QnTk26hrjQ align:center]

    Folhas Secas

    Quando eu piso em folhas secas
    Caídas de uma mangueira
    Penso na minha escola
    E nos poetas da minha estação primeira

    Não sei quantas vezes
    Subi o morro cantando
    Sempre o sol me queimando
    E assim vou me acabando.

    Quando o tempo avisar
    Que não posso mais cantar
    Sei que vou sentir saudade
    Ao lado do meu violão
    Da minha mocidade

    Beth Carvalho

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=elJhK7mNCEs align:center]

    Rugas

    Se eu for pensar muito na vida
    Morro cedo, amor.
    Meu peito é forte,
    Nele tenho acumulado tanta dor.
    As rugas fizeram residência no meu rosto
    Não choro pra ninguém
    Me ver sofrer de desgosto.

    Eu que sempre soube
    Esconder a minha mágoa.
    Nunca ninguém me viu
    Com os olhos rasos d’água.
    Finjo-me alegre
    Pro meu pranto ninguém ver.
    Feliz aquele que sabe sofrer.

    Caetano Veloso

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=Q8Ceexpm8wk align:center]

    Quando eu me chamar saudade

    Sei que amanhã
    Quando eu morrer
    Os meus amigos vão dizer
    Que eu tinha um bom coração
    Alguns até hão de chorar
    E querer me homenagear
    Fazendo de ouro um violão
    Mas depois que o tempo passar
    Sei que ninguém vai se lembrar
    Que eu fui embora
    Por isso é que eu penso assim
    Se alguém quiser fazer por mim
    Que faça agora.

    Me dê as flores em vida
    O carinho, a mão amiga,
    Para aliviar meus ais.
    Depois que eu me chamar saudade
    Não preciso de vaidade
    Quero preces e nada mais

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=jNNZUFH8R3s align:center]

     

     

     

     

  6. GalileoGalilei

    26 de maio de 2016 5:54 pm

    Zé Keti

    O Meu Pecado

    Meu pecado foi querer na minha mocidade
    Amar muitas mulheres
    O tempo já passou
    Eu sinto saudade
    O meu pecado foi passar noites em serestas
    E bebendo por aí
    Pela cidade
    Nem com dinheiro as mulheres
    Já não me desejam mais
    Ah, se eu soubesse
    Voltaria ao meu tempo de rapaz
    O meu pecado foi querer na minha mocidade
    Amar muitas mulheres
    O tempo já passou
    Eu sinto saudade
    O meu pecado foi passar noites em serestas
    E bebendo por aí

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=-eqbHwxhO0Y align:center]

     

  7. Zuraya

    26 de maio de 2016 6:18 pm

    Na noite terrível, substância natural de todas as noites,

    Fernando Pessoa

    Álvaro de Campos

    Na noite terrível, substância natural de todas as noites,

     

    Na noite terrível, substância natural de todas as noites,

    Na noite de insónia, substância natural de todas as minhas noites, Relembro, velando em modorra incómoda,

    Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida.

    Relembro, e uma angústia

    Espalha-se por mim todo como um frio do corpo ou um medo.

    O irreparável do meu passado — esse é que é o cadáver!

    Todos os outros cadáveres pode ser que sejam ilusão.

    Todos os mortos pode ser que sejam vivos noutra parte.

    Todos os meus próprios momentos passados pode ser que existam algures,

    Na ilusão do espaço e do tempo,

    Na falsidade do decorrer.

     

    Mas o que eu não fui, o que eu não fiz, o que nem sequer sonhei;

    O que só agora vejo que deveria ter feito,

    O que só agora claramente vejo que deveria ter sido —

    Isso é que é morto para além de todos os Deuses,

    Isso — e foi afinal o melhor de mim — é que nem os Deuses fazem viver…

     

    Se em certa altura

    Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita;

    Se em certo momento

    Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim;

    Se em certa conversa

    Tivesse tido as frases que só agora, no meio-sono, elaboro —

    Se tudo isso tivesse sido assim,

    Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro

    Seria insensivelmente levado a ser outro também.

     

    Mas não virei para o lado irreparavelmente perdido,

    Não virei nem pensei em virar, e só agora o percebo;

    Mas não disse não ou não disse sim, e só agora vejo o que não disse;

    Mas as frases que faltou dizer nesse momento surgem-me todas,

    Claras, inevitáveis, naturais,

    A conversa fechada concludentemente,

    A matéria toda resolvida…

    Mas só agora o que nunca foi, nem será para trás, me dói.

     

    O que falhei deveras não tem esperança nenhuma

    Em sistema metafísico nenhum.

    Pode ser que para outro mundo eu possa levar o que sonhei.

    Mas poderei eu levar para outro mundo o que me esqueci de sonhar?

    Esses sim, os sonhos por haver, é que são o cadáver.

    Enterro-o no meu coração para sempre, para todo o tempo, para todos os universos.

    Nesta noite em que não durmo, e o sossego me cerca

    Como uma verdade de que não partilho,

    E lá fora o luar, como a esperança que não tenho, é invisível p’ra mim.

    11-5-1928

    Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).  – 34.

    1. lucianohortencio

      26 de maio de 2016 7:19 pm

      Para Zuraya!

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=p01GYvODxq8%5D

      1. Zuraya

        27 de maio de 2016 12:49 am

        Caco Velho

        Obrigado Luciano!

        Hoje eu sou esse…

        1. lucianohortencio

          27 de maio de 2016 8:53 am

          Somos Dois, amigo Zuraya!

          [video:https://www.youtube.com/watch?v=QJqEnQ7qA-k%5D

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