10 de junho de 2026

A “Lavagem” biográfica, por Dilma Rousseff

Não é verdade que Aécio aceitou a derrota, e os fatos estão aí, registrados na mídia e na história para provar.

A “Lavagem” biográfica, por Dilma Rousseff

Sete anos depois da eleição de 2014, em entrevista ao site “Congresso em Foco”, Aécio Neves tenta limpar sua biografia, para retirar dela as manchas indeléveis que o identificam como um antidemocrático golpista. Ele diz que reconheceu sua derrota nas urnas.

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Não é verdade e os fatos estão aí, registrados na mídia e na história para provar.

Aécio nunca aceitou de fato a derrota. Chegou a comemorar a vitória antes da hora e, inconformado com o resultado, mandou o seu partido, o PSDB, entrar com uma ação no TSE pedindo a recontagem dos votos.

Foi derrotado de novo.

Em seguida, determinou que o PSDB entrasse com outro recurso no TSE, para impugnar a minha diplomação como presidenta eleita.

Foi derrotado mais uma vez. E então partiu para o golpe.

Em conversa com o empresário Joesley Batista, que o denuncia como um dos corruptos mais afoitos que conheceu, gravada com autorização judicial, referiu-se em termos indignos as suas próprias ações e deixou clara sua decisão de boicotar o governo: “Vamos entrar com um negócio aí. Lembra depois da eleição? Os filhas da p… sacanearam tanto a gente, vamos entrar com um negócio aí para encher o saco deles também”.

Nunca houve dúvida quanto a intenção golpista e desqualificada de Aécio Neves no Congresso: desestabilizar o governo eleito, por meio de sabotagem explícita, visando a inviabilizar as ações políticas, econômicas e administrativas necessárias para o bem do País.

Em maio de 2015, o PSDB de Aécio Neves contratou juristas para escrever um pedido de impeachment. Janaína Paschoal afirmou ter recebido R$ 45 mil do PSDB para participar deste trabalho. A ação do partido revelava premeditação, por ser deliberadamente precipitada, já que o mandato a que um eventual impeachment poderia se referir mal havia começado.

O designío golpista de Aécio Neves foi revelado em todos seus atos desde o final de 2014.

Uma das figuras mais proeminentes do PSDB, o senador Tasso Jeireissati, acabou por admitir, em entrevista ao Estado de S. Paulo, em 2018: “O partido cometeu um conjunto de erros memoráveis. O primeiro foi questionar o resultado eleitoral. Começou no dia seguinte (à eleição). Não é da nossa história e do nosso perfil. Não questionamos as instituições, respeitamos a democracia. O segundo erro foi votar contra princípios básicos nossos, sobretudo na economia, só para ser contra o PT. Mas o grande erro, e boa parte do PSDB se opôs a isso, foi entrar no governo Temer. Foi a gota d’água, junto com os problemas do Aécio (Neves). Fomos engolidos pela tentação do poder.”

Para limpar sua biografia, Aécio precisa combinar antes com seus próprios companheiros de partido e, sobretudo, com a história recente e todos que a vivenciaram. Sua tentativa de “lavagem” biográfica está, em definitivo, condenada ao fracasso, diante da montanha de evidências e fatos reveladores de seu golpismo irresponsável e leviano. Seus atos condenaram o Brasil ao desastre, ao produzir o governo nefasto de Temer, levando direto a Bolsonaro e à atual catástrofe de pobreza, fome, doença e mortes. Os democratas não podem deixar que a irresponsabilidade de Aécio Neves resulte em novas consequências catastróficas para o Brasil.

DILMA ROUSSEFF

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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