Este clichê me tira do sério. Ainda mais neste contexto Lula-Moro.
Será que o pessoal que listo abaixo concordaria com esta falácia?
– Judeus na Alemanha nazista da década de 30.
– Palestinos na faixa de gaza com tropas de Israel rondando por perto.
– Um negro no pé da favela vendo um grupo de PMs caminhando a passos largos em sua direção.
– Um homossexual em uma viela cheia de skin-heads.
– A esposa chegando ligeiramente bêbada e feliz em casa com um machista nervoso à espera.
– Um petista perdido acidentalmente em uma manifestação que pede a volta da ditadura.
E por aí vai.
Nas redes sociais estão pipocando este dito popular.
A frase, a meu ver, até não cabe ao Lula pois o conhecemos de longas datas. Ele tem uma personalidade de líder nato. É solidário e não abandona quem ele ama. Aceitar um cargo de ministro na altura do campeonato, é demais para sua alma. Seria o cúmulo da entrega a uma nação. Ele jamais deixaria Marisa, filhos e seus amigos do instituto descoberto e ele protegido das garras do ditadorzinho do Paraná devido ao fórum privilegiado.
Digo que seria o cúmulo da entrega a uma nação, pois estaria abandonando aqueles que ele ama e respeita para evitar, talvez, um mal maior, uma convulsão social caso ele seja preso. Seria o ato de um grande estadista que está acima do humano. Lula é um estadista. Mas é mais humano que estadista.
Não se enganem. A lava-jato nasceu para isto. Jogar Lula na arapuca da Lei de Ficha Limpa (não é à toa que sempre fui voto vencido pela não aprovação desta estranha lei).
E é muito simples prender sem provas.
Observem o Dirceu. Está duplamente preso sem provas. Rosa Weber é prova incontestável da fragilidade do nosso estado de direito quando soltou a pérola – mais ou menos assim: “Não tenho provas para prendê-lo, mas a literatura jurídica me permite condená-lo”. Tudo bem que foi somente ela que disse isto. Mas o STF consegui maioria para a condenação sem nenhuma prova. E Moro vai além, quando efetua uma “bi-prisão” sem se preocupar em explicar aos advogados de Dirceu porque ele foi conduzido à prisão já estando preso. Aliás, Dirceu fez a pergunta pessoalmente para Moro que, simplesmente, não soube responder. Prender um preso é algo novo no direito que ainda não tem um termo técnico para nomeá-lo.
O uso desse bordão oligofrênico “quem não deve não teme” neste contexto, não sei se é mais covarde que hipócrita ou mais hipócrita do que covarde.
Eu, como um simples cidadão brasileiro, tenho meus temores e minhas culpas. Mas no momento, meus temores não advêm de minhas culpas. Vêm das culpas desta elite preconceituosa e cheia de ódio que ainda insiste em comandar este país por mais incompetência já tenha mostrado nesses mais de 500 anos de comando.
Escrever tudo isto não irá mudar o nosso futuro, mas pelo menos alivia a amargura e o sentimento de total impotência perante esta gangue criminosa que se infiltrou no poder judiciário.
Mas lembrem-se: Lula não está sozinho.
A foto: crianças judias instaladas na periferia de Praga em um local chamado “Sala de espera do inferno”. Estes pequeninos não deviam nada aos nazistas. Será que temeram a morte desnecessariamente?
Maria Victoria
16 de março de 2016 1:56 amPor favor, adquira um cerebro
Por favor, adquira um cerebro e reveja suas consideraçoes.