O poder derrotado nas urnas com sua crise política, desencadeada quando decidiu mandar o país à merda, deve um ano inteiro à nação: feliz 2016
O professor Ricardo Kotscho, dia desses, em um de seus balaios, chamou-me a atenção para a disparidade de humor do brasileiro quando se compara o final de ano de 2014 e este fim de 2015.
“Um ano atrás, nesta mesma época, as pessoas falavam sobre as viagens que pretendiam fazer, a compra do carro novo, a troca do celular por um de último tipo, a reforma da casa, muitos faziam planos e ninguém estava preocupado com seu negócio ou emprego, embora alguns mais bem informados já vissem nuvens negras na economia”.
Acabou por concordar com uma ideia que eu já vinha trabalhando há algum tempo.
A “crise” pela qual o Brasil passa tem um ponto de início bem definido: o curto espaço entre o fim do segundo turno das eleições de 2014, início da insubordinação de Aécio Neves com o resultado das urnas, e o mês de fevereiro de 2015 – não por acaso, o momento da eleição de Eduardo Cunha para presidente da Câmara dos Deputados.
Tudo mais que se seguiu foi uma inacreditável sequência de desatinos da nossa classe política, mídia e judiciário, leia-se Lava Jato, na qual o poder derrotado nas urnas decidiu mandar o país à merda.
Fui atrás de alguns números para substanciar a minha percepção e a observação do Kostscho.
Feliz Ano Velho
Ao final de 2014, o dólar estava a R$ 2,66 e tínhamos um déficit na balança comercial de US$3,9 bilhões.
A taxa de desemprego era de 4,3% da população economicamente ativa, a inflação era de 6,87% e o crescimento do PIB tinha sido de 0,1%.
Bons tempos. Caberia aqui até o verso: “eu era feliz e não sabia”.
Hoje, o desemprego previsto é de 8,6%, mais de 1,5 milhão de posto de trabalho foram fechados. A inflação deve bater em 10,4% e o PIB terá uma retração de -3,4%. No comércio exterior, o déficit sobe para US$ 10,4 bilhões, apesar de o dólar estar no pico de R$ 4,03, da última vez que consultei.
Entre 2014 e 2015 parece haver uma década e não apenas 12 meses. O que teria ocorrido?
Falam muito dos “erros de Dilma”. Não que eles não existam, eu aponto pelo menos três:
- ter concedido desoneração previdenciária e de impostos ao empresariado sem o compromisso de investimentos como contrapartida. Os empresários realizaram lucros e nada investiram.
- ter revertido a política de juros baixos. Os juros haviam chegado a 7,5% ao ano, a regra da poupança havia sido até modificada para que isso ocorresse, e intempestivamente há uma retomada das altas. Hoje estamos a 14,25% ao ano. Os rentistas realizam lucros e inviabilizaram-se os investimentos
- ter buscado acertar as contas cortando direitos trabalhistas e de seguridade social.
Mas esses erros vêm desde 2012. Por que resultariam de repente todos de uma única vez em 2015?
A explicação parece-me outra.
O maior escândalo de todos os tempos da última semana.
Vejamos, pelos dados do DataFolha, qual é o principal problema do Brasil na opinião dos brasileiros consultados:
A saúde, em 2014.
Sim, eram os tempos em que a classe média pleiteava escolas e hospitais “padrão FIFA”.
Imagine-se.
Desde quando quem tem plano de saúde e educação privada se preocupou com a saúde ou educação públicas?
Corrupção, em 2015.
A saúde pública melhorou a ponto de ser deslocada como uma preocupação menor?
Corrupção?
Mas os costumes políticos mudaram tanto assim de 2014 para 2015?
Não. Mas experimente, hoje em dia, perguntar para alguém o que lhe vem à cabeça quando é dita a palavra lava-a-jato. Quantos responderiam tratar-se do posto da esquina?
Sim, fomos massacrados de informações sobre a “corrupção do PT”. Sobre o filho de Lula, a nora de Lula, o amigo de Lula e o ensopado de lula. Sobre as ações heroicas do Ministério Público e da Polícia Federal e suas operações de nomes “engraçadinhos”. Sobre o “japonês bonzinho”. Sobre o implacável juiz Moro – o mais novo salvador da Pátria.
De outras corrupções, incluindo as tais contas na Suíça da nossa imprensa mainstream, nada.
Fora Dilma, e leve o PT junto.
Outra pista é a avaliação da popularidade da Presidente Dilma, também medida pelo DataFolha.
Durante todo o primeiro mandato, com “manifestações de Junho” e tudo, o índice de ruim e péssimo sempre ficou abaixo do de ótimo e bom. Quando há a inversão? Adivinhem?
Exatamente entre dezembro de 2014 e fevereiro de 2015. Três meses do mais completo desregramento cívico – o “vale-tudo” da turma do Aécio, Lobão e companhia.
Em fevereiro, Eduardo Cunha assume a presidência da Câmara.
Cunha é um bandido? Mas é o “nosso bandido”.
E o que vem a seguir é só “pauta bomba”, “pealadas fiscais” que ninguém sabe explicar o que sejam, “impeachment” e muito povo branco nas ruas pedindo “intervenção militar institucional”.
O país parou para conferir.
Resultado da inacreditável sequência de desatinos da nossa classe política, mídia e judiciário, leia-se Lava Jato, na qual o poder derrotado nas urnas decidiu mandar o país à merda: estamos na merda.
Mas, como agora a merda bateu no queixo: feliz 2016.
PS: a Oficina de Concertos Gerais e Poesia apoia o Movimento Golpe Nunca Mais.






Anna Dutra
22 de dezembro de 2015 7:25 pmOutubro/2014 – Março/2015
Meu verso: Eu era feliz e sabia, Sergio.
Feliz 2016 para você também!
Eliane Faccion
22 de dezembro de 2015 9:55 pmEu também, Anna !
Feliz 2016 a todos nós !!!!
xicobarreto1
22 de dezembro de 2015 7:47 pmO ano de 2016 pertence ao
O ano de 2016 pertence ao Aécio e cunha
Maria da Revelação
22 de dezembro de 2015 7:57 pmIgualzinho ao Brasil. Quá, quá, quá, quá!
[video:https://www.youtube.com/watch?v=bg_lP4J3Mss%5D
Paulo Souza
22 de dezembro de 2015 8:17 pmPor que alguém que foi
Por que alguém que foi derrotado nas urnas é tão forte a ponto de paralisar o país? Será que o governo não tem nenhuma culpa?
Ale Nogueira
23 de dezembro de 2015 4:06 amPorque não é só uma alcunha,
Porque não é só uma alcunha, mas toda uma articulação, incluindo a grande imprensa, os criminosos investigados do legislativo e setores do judiciário.
O governo errou:
– ao tentar dialogar com a oposição e manifestantes, recebeu de volta panelas;
– ao tentar amansar setores exaltados, embarcou em uma política fiscal suicida;
– ao sinalizar uma reforma política em resposta às ruas, incitou a ira dos raposas velhas;
– em permitir a livre investigação de corrupção que, tendo sido seletiva, atingiu apenas o próprio governo até agora;
– em continuar a fomentar a mídia golpista com verbas publicitárias, alimenta um monstro de 7 cabeças;
– ao insistir no fisiologismo com a base aliada para manter governabilidade, não há tetas suficientes para tanta cria;
– no pequeno esforço de enxugar gastos supérfluos ou com má escolha de alvos, a máquina segue engripada.
Marcos Carvalho
22 de dezembro de 2015 8:18 pmOs Profetas.
Feliz Ano Novo Sérgio!
Entre os Profetas, prefiro ficar com a Madame Mim (Eu) que diz que 2016 vai ser um ano duro, mas para as forças conservadoras que terão que aceitar que foram enganados por muitos e muitos anos. 2016 é o ano da virada, 2015 foi o ano do tributo que tivemos que pagar a Besta.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=Hu0R9eQ0UZ8%5D
JB Costa
22 de dezembro de 2015 8:44 pmÓtima a análise.
Ótima a análise. Incompreensível como em tão pouco espaço de tempo tivemos uma deterioração tão forte de indicadores. Certo que havia “bombas” latentes, mas muita coisa derivou apenas de expectativas induzidas.
Feliz 2016!
Tadeu Silva
22 de dezembro de 2015 8:48 pmAno Negro
Tirante Paulo, alcunhado Preto, os últimos anos são brancos. Ao mesmo tempo, meus últimos anos são negros nas ruas.
Solange Nogueira da Silva
22 de dezembro de 2015 8:48 pmA culpa é de qualquer um,
A culpa é de qualquer um, menos do Lula, da Dilma e do PT, que são infalíveis, imaculado e incorruptíveis.
Noctivago
22 de dezembro de 2015 10:03 pmManés e Manés
O problema foi o erro ( político ) colossal de colocar o terceiro escalão de banco no comando da formulação econômica. Apenas isto, e se explica a intensidade da queda…
altamiro souza
22 de dezembro de 2015 10:18 pmdifícil mesmo é compreender a
difícil mesmo é compreender a reversão de
expectativas em tão pouco tempo….
a constatação de que os doze anos de governo popular foram
um grance sucesso na distribuição e ampliação da renda;
e, de repente, num ano, esse governo passa ser incompetente e o diabo a quatro…
acho que a tal da crise é engendrada
pela direita raivosa que não engole a derrota nas eleições….
pois confesso que vivo com o mesmo salário de cinco anos
atrás e os gastos, proporcionalmente, são quase os mesmos,
Luiza
22 de dezembro de 2015 10:32 pmTemos que nos curar da loucura e enfrentar o que vier
Pois é… É por aí mesmo, Sergio. Esse 2015 foi o ano em que o país foi muito maltratado pela sua própria gente. Sabia que a direita conservadora, a elite e a mídia brasileira eram a miséria humana resumida, mas a minha surpresa foi ver o quanto de deformaçao essa gente pequena produziu na populaçao. Nunca esperava ver jovens tao retrógrados, reacionários e agressivos intimidando pessoas por divergencia de opiniao, em plena luz do dia. Nunca esperava ver senhoras e senhores puxando pelas maos seus filhos e netos e incentivando e destilando o ódio, o preconceito e a intolerância, além de lamentar a ditadura nao ter assassinado a presidenta eleita pela maioria dos brasileiros. Tdos eles tinham esse traço de deformidade em comum, e todos pediam intervençao militar. Foi um insulto, uma monstruosidade, uma demosntraçao do tamanho da deformaçao que essa gente tem em relaçao ao mundo, em relaçao a si mesmos e a imagem que tem do semelhante.
Na loucura produzida pela desatino de todos os personagens que eu citei acima e e aqueles que voce muito bem apontou no seu artigo, sabe-se que o incentivo ao destempero e à intolernacia cobrou o seu preço: muitas amizades foram rompidas, relaçoes familiares ficaram estremecidas e o enfrentamento, que parece nao terminar nunca, só vai produzir mais miséria e pobreza de espírito.
Como voce, eu também acho que esse 2015 foi subtraído de nós. E fica a pergunta: – será que em 2016 conseguiremos recolher os cacos e recuperar valores desertados de nós? Será que a sociedade vai tirar algum aprendizado de toda a loucura e insensatez produzida em 2015 e entender de uma vez por todas de que ela foi a principal vítima de uma estratégia de manipulaçao visando interesses particulares, que, pela torpeza e mesquinhez, jamais seriam confessados pelos seus responsáveis?? Será que vamos crescer ou sucumbir àqueles que sao os nossos verdadeiros inimigos?
O Brasil está mentalmente perturbado, é fato. Mas de uma coisa tenho certeza: se continuar o bombardeio da mída, continuar a omissao da justiça e a economia nao se recuperar, teremos um 2016 pior do que foi 2015 porque aí vamos perder é o pouco de dignidade que experimentamos na última década.
Melhor é seguir tendo esperaça porque ninguém segura o tempo.
peregrino
22 de dezembro de 2015 11:51 pmbem que tentaram…
mas não conseguiram
digo isso porque não conheço ninguém, dos que melhoraram de vida, e conheço muitos, enfim
não conheço ninguém que esteja abaixo do nível em que estava em 2014
Feliz 2016 a todos
e espero repetir este comentário em dezembro de 2016, relativo a 2015, com certeza
peregrino
22 de dezembro de 2015 11:54 pmse liga, gente…
povão tá comprando de tudo e tudo, já falta mercadoria, estoques não estão dando conta
crise?