Entretido como estava por causa da avalanche de lama em Mariana e de sangue em Paris e Beirute, esqueci completamente de que hoje a República deveria estar em festa. Quem me despertou deste sono profundo foi uma foto publicada pela presidenta Dilma Rousseff no Facebook: https://www.facebook.com/blogdilmabr/photos/a.325889574139935.80862.151651781563716/1104105579651660/?type=3&pnref=story.
Há exatos 126 anos o Brasil enterrava a monarquia. As instituições monárquicas, contudo, seguiram existindo sob as diversas constituições republicanas que tivemos. De fato, neste exato momento os “barões da mídia” estão tentando depor a presidenta eleita pelos brasileiros, como se competisse a eles e não ao povo escolher quem comanda o país.
Muitos destes barões e baronetes que residem em “bairros nobres” e hoje destilam ódio contra Dilma Rousseff na internet e fora dela (porque querem comandar o país apesar de terem perdido a eleição, porque não querem pagar impostos como todos os demais cidadãos, porque temem responder pelos crimes que cometeram ao enviar ilegalmente fortunas para o HSBC da Suíça) são descendentes daqueles potentados que traíram D. Pedro II.
Nosso segundo imperador foi deposto, mas não esquecido. Este ano a República do Brasil homenageou-o ao concluir a transposição do São Francisco, obra que o imperador visionário imaginou e que não pode realizar por falta de recursos técnicos e econômicos. Ao contrário da oposição tucano-monarquista, que menospreza o resultado da eleição e tenta destruir o regime democrático para entronizar um presidente que não foi eleito pelo povo, D. Pedro II foi um exemplo de republicanismo. Ele tolerou a atividade política dos republicanos durante seu reinado. E em 1877, D. Pedro II ignorou todas as diferenças políticas entre ele e Victor Hugo e foi pessoalmente a casa do inimigo literário do monarquismo prestar suas homenagens ao escritor. Ambos se tornaram amigos, porque nem as diferenças políticas são capazes de separar homens justos e tolerantes*.
Tendo em mente este encontro entre D. Pedro II e Victor Hugo (episódio evoca os laços entre a França o Brasil, dois países unidos pelo luto), resolvi hoje homenagear o Imperador deposto. Faço isto não porque sou monarquista, mas porque é preciso valorizar a história do homem que deu a vida ao Brasil e que foi vítima daqueles que enriqueceu e tratou com exagerada civilidade. Um imperador que não perdeu o bom humor nem mesmo depois de ter perdido seu trono:
“Carta de Alforria
Ao chegar a Lisboa, exilado, a 30 de novembro de 1889, Ouro Preto foi visitar a bordo do “Alagôas”, o Imperador depôsto. Encontrou-o calmo, conformado.
–Em suma, estou satisfeito, – declarou-lhe Pedro II.E referindo-se á sua deposição:
–É a minha carta de alforria… Agora, posso ir onde quero…”
(O Brasil Anedótico, Humberto de Campos, livraria José Olympio, Rio de Janeiro,1936, p. 182)
De Dilma Rousseff esperamos que ela não seja tão tolerante quanto D. Pedro II. Para honrar o poder que recebeu do povo brasileiro, a presidenta do Brasil deve não só concluir seu mandato. Ela pode e deve meter na prisão os sonegadores que pretendem entregar o Pré-Sal e a Petrobras aos norte-americanos. Os barões e baronetes que fugirem para a França poderão ser deixados em paz, desde que não voltem.
Anna Dutra
15 de novembro de 2015 9:37 pmViva
Fábio,
louvo tua iniciativa. E não poderia ser mais oportuna.
Precisamos, recorrentemente, evocar e fazer recordar o que devemos perseguir: a Paz. Quando o mundo e seu clamor nos engole, nos alteramos e nos equivocamos nos métodos e aviltamos valores que nos são caros. O gesto de tolerância e a cultura da Paz devem, desde sempre, nortear nossa ação. Não significando abdicar da construção da sociedade que almejamos – mais justa, mais distributiva – mas cultivando o diálogo e a cordialidade quando o entendimento não for factível. Bela homenagem e oportuna lembrança do episódio exemplar de tolerância e civilidade entre dois homens em seu tempo, cientes de suas responsabilidades. Exemplos a seguir.
Mais um post teu que segue caminho rumo às “redes” …
Bacana.
Vânia
15 de novembro de 2015 10:30 pmFábio
Ninguém lembrou porque o feriado caiu no domingo!
ha ha ha ha
Descupe pela piada (politicamente incorreta), mas não resisti!