Quando disseram a ele que não haveria mais volta ele tratou de deixar seus temores de lado.
Mas por quê? Por que não antes desfrutar a vida sem temor, sem amarras e o receio do enxofre que julgam haver do lado de lá?
Lembrou o quanto babaca foras em portar-se como inquisidor boçal, homofóbico, às vezes sensato também. Em suma, erros e acertos da natureza humana.
Volto a sentir suas pernas tremerem ao pensar que quando o trem da partida chegar ao propagado destino final dos fariseus o vazio alvo poderia estar à sua espera.
Malhou braço no roçar da sua zona de conforto, criou filhos cheios de ingratidão, foi temeroso aos conselhos dos intermediários das boas novas. E tudo isso para o quê?
Resolveu criar uma nova ligação, tendo por premissa o vazio no final. Em pouco tempo, em pouquíssimo tempo, já era chamado de vagabundo. Mas no fundo, a adjetivação que ele mais adorava era a de anarquista.
Como filhote de rato, coitado, ainda está lutando para entender o que querem dizer com “ pensar no futuro “. Se o futuro for o tal vazio alvo, branco, inerte, sem fogueiras e sem jardins, talvez ele já no futuro esteja pensando, pois não teme mais nada ao acreditar na existência do nada no fim do túnel.
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