Enviado por Antonio Ateu
Com depoimentos atuais e imagens históricas, o Observatório da Imprensa recupera o assassinato de Trotsky da lata de lixo da história
Por Jeferson Choma
No dia 20 de agosto, completam-se 75 anos do atentado que tiraria a vida de Leon Trotsky por um agente do stalinismo. O assassinato não foi algo inesperado. Era parte de um esforço em eliminar qualquer ligação entre os dirigentes da Revolução de Outubro e as gerações mais jovens
Leon Trotsky lia atentamente um texto entregue a ele por seu assassino. De repente, um golpe violento na cabeça dado pelas costas com uma picareta de alpinista o jogou ao chão.
Mesmo ferido mortalmente, ele se agarrou ao assassino enquanto seus guarda-costas chegavam. Gritou para que não o matassem, para que se descobrisse o mandante do crime.
Era o dia 20 de agosto de 1940. Trotsky foi levado ao hospital ainda lúcido. Em suas últimas palavras, deixou a mensagem de otimismo a seus camaradas em todo o mundo: “Estou próximo da morte, devido ao golpe de assassino político… Por favor, digam aos nossos amigos… Estou certo… da vitória da IV Internacional… continuem”.
Antes de entrar na sala de cirurgia, se despediu carinhosamente de Natasha, sua companheira de muitos anos. Entrou em coma logo depois e morreu no dia seguinte.
O assassino
Ramon Mercader, o nome verdadeiro do assassino, era um agente da GPU, serviço de segurança russo antecessor da KGB. Foi um crime longamente planejado pelo stalinismo. Mercader viajou para a URSS em 1937, lá permanecendo por seis meses. Depois, no México, conseguiu se aproximar pessoalmente de uma secretária de Trotsky, Silvia Ageloff.
A partir daí, se apresentou ao velho revolucionário como um simpatizante de suas idéias. No dia do assassinato, entregou um texto a Trotsky para que ele opinasse. Aproveitando-se de sua distração, assassinou-o pelas costas.
Depois de sair da prisão, em 1961, Mercader foi para URSS, onde foi condecorado com a medalha de “Herói da União Soviética”.
Stalin tenta cortar o fio de continuidade do marxismo
O assassinato de Trotsky não foi algo inesperado. Era parte de uma política consciente do stalinismo de eliminar qualquer ligação entre os velhos dirigentes da Revolução Russa de 1917 com as gerações mais jovens. Era a tentativa de cortar o fio de continuidade do marxismo revolucionário num momento em que se preparava, novamente, uma guerra mundial, com suas conseqüências revolucionárias. Existia a possibilidade de se construir uma alternativa de direção revolucionária ao redor do velho bolchevique russo.
Trotsky pertenceu a uma geração de revolucionários sem precedentes na história. Uma geração que deu respostas teóricas e políticas desde questões relacionadas à organização do partido revolucionário até a construção do poder de Estado pela classe operária.
Ele não foi apenas um dos principais dirigentes da Revolução Russa ou o organizador do Exército Vermelho, como é costumeiramente lembrado. Foi o primeiro a identificar o perigo da crescente burocratização do partido e do Estado operário soviético, que ameaçava as conquistas da Revolução de Outubro.
Dedicou sua vida, a partir da morte de Lenin, a uma luta prática e teórica para libertar o movimento operário internacional da dominação stalinista. Lançou-se numa batalha sem tréguas contra a burocratização e em oposição à desastrosa política da burocracia dirigida por Stalin.
Logo após a ascensão do stalinismo, o revolucionário russo organizou a Oposição de Esquerda e se opôs radicalmente à teoria do “socialismo num só país” defendida por Stalin. Trotsky sustentava que era impossível construir o socialismo limitado às fronteiras nacionais de um país economicamente atrasado como a Rússia. Como Lenin, acreditava que a Revolução Russa era só o princípio da revolução socialista mundial.
Trotsky dedicou os últimos anos de sua vida a construir uma alternativa à desastrosa política dos partidos comunistas, intervindo nos processos revolucionários. Realizou o que em sua própria opinião era “o trabalho mais importante” de sua vida: a construção da IV Internacional.
A perseguição implacável do stalinismo
Em 1927, Trotsky foi expulso do partido, destituído de suas funções no Estado Soviético e, no início de 1928, deportado para o Cazaquistão. No ano seguinte, Trotsky foi banido da URSS e sua condição de cidadão soviético foi cassada.
Trotsky era um homem sem nacionalidade ou cidadania. Começava, assim, uma longa jornada de exílios e expulsões que iniciou na Turquia, passou pela Noruega e pela França, até chegar, finalmente, ao México, em 1937, único país que aceitou o exílio do revolucionário russo.
O assassinato de Trotsky
Quatro anos antes do assassinato, tiveram início os famosos Processos de Moscou contra dirigentes bolcheviques. Neles, foram fuzilados velhos colaboradores de Lenin, como Zinoviev, Kamenev, Bukharin, Antonov-Ovseenko, entre outros. Durante os processos, o próprio Trotsky foi condenado à morte por ser considerado um suposto “agente sabotador do imperialismo”. Nesse período, milhares de ativistas da Oposição de Esquerda já haviam sido atacados, assassinados, presos ou deportados.
A campanha de terror tinha o objetivo de suprimir toda oposição genuinamente socialista contra a usurpação do poder feita pelo stalinismo. O alvo maior do stalinismo era atacar os que estavam junto com Trotsky. Em fevereiro de 1937, Leon Sedov, filho de Trotsky, foi morto em Paris. Às vésperas da fundação da IV, Rudolf Klement, secretário de organização da nova Internacional, foi assassinado, e o projeto de estatutos foi roubado.
Em 24 de maio de 1940, se deu a primeira tentativa de assassinato de Trotsky. Um bando de assassinos stalinistas, liderados pelo pintor David Siqueiros disparou rajadas de balas contra a casa do revolucionário que escapou do atentado.
Na segunda tentativa, conseguiram seu objetivo. Stalin havia, finalmente, liquidado o último dos grandes dirigentes bolcheviques da Revolução de Outubro.
O stalinismo foi julgado pela história
O stalinismo procurava desarticular a recém-fundada IV Internacional. Possui um grande significado o fato de Stalin, que naquele momento dirigia um Estado operário e tinha influência em partidos de massas de todo o mundo, ter de recorrer a um assassinato pelas costas de um velho de 61 anos.
Hoje, o aparato stalinista desabou. Mesmo o que resta dos partidos stalinistas rejeita a vinculação com Stalin. Por outro lado, a IV Internacional sobreviveu e está sendo reconstruída. Obviamente, o assassinato do principal dirigente da Internacional foi uma perda colossal.
Mesmo assim, o stalinismo não conseguiu suprimir o legado teórico e político do revolucionário russo. Suas obras constituem uma extraordinária contribuição para a teoria marxista. Um legado para as novas gerações de revolucionários que mantêm viva a sua luta em defesa do socialismo e da IV Internacional.
Sérgio Rodrigues
14 de agosto de 2015 6:44 pmVersão de trotskista um tanto quanto chororô!…
É a mesma cantinela de sempre: ” O malvado e impiedoso Josefh Stálin ordenou o assasinato do bondoso e santo Leon Trotski!…
Quando se vai para a história, para os fatos, o que a evidências mostram é bem diferente. Na realidade Trotski tentou substituir o leninismo por sua doutrina da Revolução Permanente. Foi desde a morte de Lênin sendo sucessivamente derrotado na política pelo grupo do Partido Bolchevique liderado por Stálin. A cada derrota que sofria, mais e mais aumentava o seu inconformismo e a sua ira; a ponto de não se submeter as decisões da maioria e promover conspirações. Foi expulso do Partido, exilado na URSS e finalmente expulso do País.
Fora da URSS começou a destilar ódio por todos os poros, pregando inclusive a eliminação física dos seus adversários, notadamente Stálin. Comemorou por exemplo o assassinato de Kirov por um de seus seguidores.
Passou a ter relações estreitas com a Alemanha nazista. É curioso que enquanto as obras de Marx, Engels, Lênin e Stálin eram proibidas na Alemanha hitleriana, a de Trotski era editada fartamente.
Mantinha colaboração com os comitês de atividades anti-americana nos EUA e tinha coluna no Times. Sempre para achinclhar o Poder Soviético. (A quem advogue que seu assassinato tem a ver com essa colaboração, pois colocaria em risco a vida de dezenas de comunistas não vinculados ao trotskismo).
Seus ataques pessoais a Stálin revelam um homem rancoroso e altamente vaidoso, que tentava de todas as formas desqualificar seu principal adversário a quem taxa de inculto, incompetente, incapaz, nulidade, etc…acusações que não se sustentam e colidem com os fatos.
Num livro publicado um tanto quanto recente o historiador e pesquisador Geofrey Roberts (Stálin’s Wars – Não traduzido para o português anda) concluiu sobre a figura de Stálin: “Um intectual vigoroso, um político altamente habilidoso e um exímio administrador”. Essa afirmações de Roberts podem, de fato, serem comprovadas quando se ler sua obra e as obras das pessoas que trabalharam e/ou tiveram relações próximas com ele. Bem diferente da versão tortskista.
A Guerra Patriótica foi o grande teste para a política e a governança socialista conduzida por Stálin, e, este, saiu vitorioso, quando esmagou a Alemanha de Hitler, libertando seu País e a Europa e salvando o mundo, juntos com seus aliados, da sanha nazista.
Finalizando, não existe stalinismo. É mais uma formulação trotskista. Stálin era um seguidor de Lênin, um continuador do mesmo, na mesma linha teórica.
Podemos promover um debate trotskismoxleninismo, trotskismoxmaoismo, trotskismoxhochiminismo, trotskismoxtitismo, mas trotskismoxstalinismo é impossível, pois simplesmente este não existe.
Athos
14 de agosto de 2015 7:11 pmVc apertou o gatilho?
Tudo faz sentido a não ser o fato de Stalin ter matado milhões de opositores.
Então…talvez, quem sabe, não tenha sido assim como vc disse, como um mero incorformismo da minoria NO partido.
Se era apenas isso, porque Stalin os matou?
Me parece ser apenas uma tentativa de justificar os assassinatos. Porque sendo as vítimas gente não democrática, de gente que não aceita o que a MAIORIA decide, fica mais fácil apertar o gatilho.
Sérgio Rodrigues
14 de agosto de 2015 7:38 pmAthos, Ao que parece você não
Athos, Ao que parece você não leu direito o meu Post!…,
Mas, posso dizer numa frase: ou era ele ou era eu e mais outros!…
Athos
18 de agosto de 2015 6:45 pmTalvez seja apenas o fto de
Talvez seja apenas o fto de eu ser um provocador.
Não me leve tão a sério assim.
Abraço
rdmaestri
15 de agosto de 2015 1:58 amAthos, por alguns cálculos Stalin matou tantos russos que ….
Athos, por alguns cálculos Stalin matou tantos russos que a União Soviética teve que ser ocupada por ETs porque não tinha mais gente!
Li a pouco um trabalho de um demógrafo russo que demonstra que os chamados assassinatos em massa mais as perdas na guerra e na revolução não se sustentam em termos demográficos.
Estes números inflados pela oposição interna a Stalin e inflados mais ainda pela imprensa ocidental dão valores absurdos como o famoso dito popular, quem conta um conto, aumenta um ponto.
O Stalin não foi nenhum anjinho, mais o Trostki não era um querubim também.
Athos
18 de agosto de 2015 6:44 pmOlha, eu tenho curiosidade
Olha, eu tenho curiosidade sobre os números porque os contesto sempre!
O último que contestei dizia 20 milhões, o que é matematicamente impossível, e foi isso que eu disse. No FB virei defensor de Stalin só por contestar os números.
Se for para eu chutar, eu diria, talvez, 500 mil ou menos.
Marcelo F
14 de agosto de 2015 7:43 pmE poucos se lembram que
E poucos se lembram que Trotsky tentou dar um golpe de estado, principalmente por isso foi expulso do Partido. Essa e a maior parte das informações que o Sérgio traz sobre Trotsky podem ser encontradasno trilogia biografica do Trotsky do ótimo historiador Isaac Deutscher. Que aliás é simpático ao biografado.
Quanto ao Stalin, recomendo a leitura de “A vida privada de Stalin” de Lilly Marcou. Muitos se surpreenderam com o que revela a autora.
abs
João de Paiva
14 de agosto de 2015 6:50 pmInfelizmente não consegui
Infelizmente não consegui assistir ao programa. Fica a sugestão para que seja reapresentado. O assassinato de Leon Trotsky e de outros verdadeiros revolucionários, a mando de Stálin, demonstram a cruedalde desse ditador russo. Devem ser lembrados também os campos de extermínio e de trabalhos forçados instalados a mando de Stálin, na gelada e inóspita Sibéria. Os críticos de Marx, de Lênin, do socialismo e do comunismo sempre tentam associar o economista-filósofo alemão e os revolucionários russos ao regime cruel de Stálin. Pura má-fé, como sabem os estudiosos.
Jair Fonseca
14 de agosto de 2015 7:05 pmFalta dar os créditos do
Falta dar os créditos do filme acima, do cineasta americano exilado pelo macartismo, Joseph Losey. E Richard Burton (!) como Trotsky, e Alain Delon (!!) como o assassino stalinista Mercader.
Jurandir Paulo
14 de agosto de 2015 9:05 pmAlgo estranho
Como pode um quadro da KGB, ou sua antecessora, viajar metade do Globo para dar uma picaretada no Trotsky? Para matar bastava uma pequena faca, um arame. Além de tudo que entra na conta do Stalin também devemos criticá-lo pelo péssimo treinamento de sua polícia secreta? Esta história não foi bem apurada.
NICKNAME
14 de agosto de 2015 10:58 pmA 2ª parte será 3ª feira, mas Trotsky
nao deixou de ser cruel ao perseguir os que, de imediato, não aderiram ao bolchevismo, ou melhor, ao aparelhamento dos sovietes pelos bolcheviques. Anarquistas revolucionários foram perseguidos, ostracismos , etc no mundo todo. Esses documentários sempre são parciais, claro que é preciso filtrar e também procurar outros lados da História, tarefa árdua, e algumas coisas nunca serão conhecidas (e corremos o risco de avaliações precipitadas, inclusive por este que vos “fala”). Humanos somos, qualidades e defeitos. Óbvio? Nem sempre é óbvio. Às vezes, há mais desunião e incompreensões dentro mesmo do campo de esquerda e centro-esquerda, e, claro, na avaliação dos governos e de coo votamos e nos mbilizamos (ou deixamos de)