Jornal GGN – Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora, autora de 13 livros, foi professora na PUC-Rio, colunista de diversos jornais e apresentou programas de rádio. Ela viaja pelo país para falar sobre relacionamentos amorosos, é especialista do programa Amor & Sexo (TV Globo) e foi comentarista da Globonews. Sempre falando sobre relacionamento e amor.
Regina conversou com a equipe da TV GGN para celebrar 52 semanas de Cai na Roda GGN. Um ano em que mulheres entrevistam mulheres sobre os mais diversos temas. A psicanalista falou sobre amor e como os relacionamentos estão mudando.
Quando se fala no tema, sempre se fica uma pergunta no ar: toda maneira de amor vale a pena? Para Regina, sim, desde que não seja o que se chama de um amor abusivo. “Hoje, uma das questões que tenho trazido muito, que eu acho fundamental na relação amorosa, é o respeito à individualidade do outro. Isso, para mim, é fundamental (…) E é uma coisa muito pouco aprendida na nossa cultura”.
Regina explica que, na nossa cultura, geralmente duas pessoas se casam “achando que podem se meter na vida uma da outra sem a menor cerimônia”.
“As pessoas acreditavam sempre que tinha que ser dentro de um modelo e, hoje, nós estamos assistindo a novas formas de amar. E isso tem uma explicação”, diz Regina. “O amor romântico é um conjunto de ideais e expectativas que alimentam a mentalidade da nossa cultura”.
“Uma das características do amor romântico é a idealização. Você conhece uma pessoa, atribui a ela características de personalidade que ela não possui”, diz Regina. “Na convivência é impossível você manter a idealização porque você é obrigado a perceber aspectos na pessoa que não te agradam. Aí vem o desencanto, acha que foi enganado…”
“Na medida em que os dois se tornam um só, que a vida só tem sentido se o amado ou amada estiver presente, ele (amor romântico) diz que quem ama não se interessa por mais ninguém. Quem ama, não transaria com mais ninguém. Essa é uma mentira que gera sofrimento porque se uma pessoa descobre que o seu amado ou amada se relacionou com outra pessoa, ela tem certeza absoluta que não é amada porque acreditou no amor romântico”.
Além da idealização, Regina diz que o amor romântico traz a ideia de que os dois vão se transformar em um só, e nada mais vai lhes faltar. “Isso, evidente que não é verdade”, pontua a psicanalista, ressaltando que o conceito de amor romântico acaba por entrar nos poros das pessoas por meio dos filmes de Hollywood na década de 1940. “O amor romântico vai entrando pelos nossos poros desde que a gente nasceu (…) Então, tem muita gente que pensa que o amor é o amor romântico”.
Regina ressalta que não é contra o amor, mas que é contra o amor romântico. “O amor é uma construção social. Em cada período se apresenta de uma forma. O amor na Grécia era de um jeito, o amor na Idade Média outro, no século XVIII o amor se tornou ridículo, ninguém queria ser escravo das emoções. No século XIX mudou totalmente, época do Romantismo, todo mundo suspirava de amor”.
“Então, o que a gente está vivendo hoje: o amor romântico está dando sinais de sair de cena, porque a mudança das mentalidades é lenta e gradual, não muda todo mundo ao mesmo tempo. Mas você vai vendo sinais”, explica Regina. “Por que ele está saindo de cena: a busca contemporânea é pela individualidade (…) E o amor romântico, aquele que diz que os dois tem de se transformar em um só, que prega a não individualidade, ele começa a deixar de ser sedutor, porque existe uma busca da individualidade”.
Este e outros temas foram abordados na íntegra da entrevista. Clique no vídeo e confira!
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