
Coloquei entre aspas, agora imaginem estas aspas sendo feitas com o dedo do meio. Sinto muiro a revolta e, se concordar com alguma vírgula ou tiver que pensar sobre algum ponto do título, sugiro que pare por aqui. Sugiro, também, que dê uma olhada na foto e observe que, muito provavelmente, este é um contexto tão rotineiro quanto assustador pras pessoas, onde, garanto, a maior parte das pessoas que utilizaria o adjetivo assustador é mulher. O motivo, você já deveria sabr, é o machismo – quem dera fosse a demora ou a ineficiência do transporte, meu caro, quem dera.
Tenho um perfil no Facebook, como esmagadora maioria das pessoas têm. Acompanho algumas notícias sobre psicologia, páginas de marcas que admiro e que trazem conteúdo informativo e, claro, o perfil de alguns – poucos amigos. É sabido que o Facebook apresenta, no meu mural, temas classificados ou pela quantidade de interações que eu tenho com a pessoa que postou ou com o assunto postado. Dito isso, perceba: tem sido comum ler posts PESSOAIS de amigas e conhecidas minhas violentadas sexualmente nos últimos tempos.
Calma, pessoal do “ah, mas lá vem post do feminazi”. Não sou feminista extrema, dessas que saem queimando sutiã, e acho que o feminismo em si apresenta tão somente questões de igualdade e que, sim, existe um exagero NECESSÁRIO rolando ultimamente – porque, gente, ser minoria faz ter que botar a cara pra bater, hora com inteligência, hora com intensidade. Faz parte.
Voltando ao assunto, só esta semana – e ainda estamos na terça! – foram três amigas que postaram sobre serem encoxadas/seguradas/apertadas nos ônibus e metrôs de São Paulo. Nem vou comentar que elas circulavam de dia e em regiões movimentadas pra não parecer que o contexto é o culpado, e não o babaca-doente-como-é-que-pode-existir-homem-assim que faz isso. Até vagão-rosa, exclusivo para mulheres, foi criado no metrô e ainda tem gente achando que machismo é mimimi. Sério mesmo que vou ter que pensar em esperar por um transporte especial pra mim porque senão posso ser molestada?!
Pois bem – já escrevi que o amor está pela hora da morte no Brasil e que o jeito malandro tem uma parcela de responsabilidade nisso, agora escrevo que está beirando o imviável ser mulher no Brasl.
Não, se eu saio de mini-saia isso não dá o direito de ser provocada. Não, se eu saio de short curto, justo e branco não quer dizer que esteja pedindo. Se eu saio de batom vermelho não quer dizer que eu seja fácil (sério, até isso é considerado “um sinal verde” pros molestadores).
Mimimi é uma pinóia. O machismo, que é o aval cultural pra um cara achar que pode tocar em uma mulher sem permissão porque interpretou que ela “estava afim/pedindo/fácil” precisa urgentemente ser erradicado. Minha sugestão é começar em casa, porque é o que tenho feito: incentivo que seja seguida a vontade de vestir, ir e vir da minha filha, apontando e fazendo estardalhaço caso seja molestada no ônibus indo ou vindo do colégio e, nas tantas oportunidades, aponto a igualdade como natural entre homens e mulheres POR MAIS QUE SAIBA E VIVA NUM MUNDO ONDE ISSO AINDA NÃO É VERDADE.
Pro meu filho menino, este que virá, serei categórica: mulher não é princesa, intocável que precisa ser salva. Mulher é igual, tão simples e ponto final.
(aproveito pra indicar a página do Vamos Juntas, um movimento criado por quem sabe que ainda é um perigo andar por aí sozinha, hunf!)
Sidnei
4 de agosto de 2015 8:48 pmRealmente, caras que andam
Realmente, caras que andam por aí encoxando mulheres em transportes públicos são doentes..tterrível que isso AINDA aconteça e que imensa falta de respeito…. será que gostariam que fizessem isso com suas mães, filhas ou esposas… aposto que não… se tá afim, então vai lá e canta… e se conseguir beleza e se não deu igualmente beleza, parte para outra….
Alan Souza
4 de agosto de 2015 10:17 pmMas isso é você, que é normal
O encoxador não é um cara normal. Você citou esposa, filhas, etc., pois bem: o encoxador não é um cara normal. Ele não vê da mulher nada além do atrativo sexual. Não raro é aquele cara que bate na esposa, já que não tem nenhum respeito por mulher.
Ivan de Union
4 de agosto de 2015 8:51 pmNossinhora! Triste.
Me
Nossinhora! Triste.
Me lembrou da minhas irmas nos anos 70 dizendo que elas podiam andar em NY inteira e ningue assobiava, ninguem falava, ninguem cantava, e tocar entao era impensavel.
Da uma olhada em NY hoje…
Alan Souza
4 de agosto de 2015 8:58 pmAh, Matê, já desisti de discutir!
O molestador e o racista são duas criaturas com quem já desisti de discutir, passar descompostura, chamar a polícia, etc…: simplesmente quando encontro um desço logo a mão no sujeito.
É que passar carão não adianta, os dois tipos se acham no direito de agir como agem, e os errados pra eles somos nós, eu e você. Chamar a polícia não adianta, encoxador/racista até que às vezes vai preso em flagrante, às vezes, mas muuuuuito raramente são condenados. Tão raramente que já meti na minha cabeça que nem vale a pena acionar a Lei, melhor descer a porrada no idiota, pra ver se tem efeito amedrontador, da próxima vez ele pensa duas vezes antes de repetir a idiotice, coisa e tal.
Policial no Brasil não tem preparo/treinamento nem pra lidar com estupro, que é infinitamente mais grave, que dirá tomar uma providência num caso de encoxada. Periga é o agente da lei repetir pra vítima a frase do título do seu texto.
Alan Souza
4 de agosto de 2015 9:08 pmAinda não tive oportunidade de bater num racista
Mas há um ano eu ia no ônibus aqui em Brasília, na W3 Norte a caminho da Rodô, e um sujeito aproveitou o aperto pra se roçar numa moça, menina novinha, devia ter uns 17, 18 anos. Ela estava tão assustada que não tinha reação, só fazia se afastar e o tarado voltava à carga. Os olhos dela estavam esbugalhados, pedindo socorro. Quando notei a situação não contei conversa: larguei um tapa no pé do escuta-samba do sujeito (tapa, de mão aberta, é mais humilhante pra esses canalhas do que um soco…), gritei pro motorista “motora, para aí que vai descer um tarado aqui, que tá atacando uma garota!”. Botei o sujeito pra fora, a garota começou a chorar muito. Foi amparada por outras mulheres no ônibus, e nem conseguiu falar comigo. Também não esperei, desci na Rodô e peguei meu rumo. Feliz da vida….
Anarquista Lúcida
4 de agosto de 2015 9:24 pmLevei 1 susto… Q bom, Matê, q o post nao subscrevia o título
Abri preste a te enforcar, rs, aí li e me acalmei. Afinal, se fosse mesmo machismo seu, seria ainda mais grave do que machismo em boca de homem. Machismo em boca de mulher é insuportável em dobro.
Jair Fonseca
4 de agosto de 2015 9:41 pmE o inenarrável Alexandre
E o inenarrável Alexandre Frota processa uma blogueira feminista (Sâmia Bomfim) que o criticou por ele ter se vangloriado num programa da Band de ter agredido e estuprado uma mãe-de-santo. E sob aplausos, pedidos pelo inenarrável Rafinha Bastos.
http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2015/08/guest-post-estou-sendo-processada-por.html