4 de junho de 2026

Aras é acusado de proteger Bolsonaro em investigações, em peça no CNMP

Aras "vem, sistematicamente, deixando de praticar, ou retardando, atos funcionais para favorecer Presidente da República ou pessoas que lhe estão no entorno", aponta peça
Fotos Públicas

Jornal GGN – O atual procurador-geral da República, Augusto Aras, é alvo de uma representação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), acusado de proteger o presidente Jair Bolsonaro em investigações. A peça foi escrita pelo ex-PGR, Cláudio Fonteles, e mais quatro subprocuradores-gerais aposentados.

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No documento, Fonteles e os subprocuradores apontam que Aras “não cumpre” com a sua “relevante missão constitucional”, “deixando de agir, ou agindo com deliberada tibieza e tergiversação em determinados casos”.

Em um dos exemplos, a representação menciona a investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a produção de relatórios pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) para ajudar a defesa do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, com o intuito de anular a apuração sobre a “rachadinha”, no caso Queiroz.

Na ocasião, a ministra relatora, Carmen Lúcia, solicitou à PGR a continuidade da investigação, com diligências, ainda em dezembro de 2020. Os subprocuradores citam as medidas tomadas por Aras para atrasar a coleta dos depoimentos, entre eles Flávio Bolsonaro, e o secretário especial da Receita Federal, José Tostes Neto.

“Ora, por que o Dr. Antônio Augusto Brandão Aras, até hoje, passados quase 4 meses, nada fez?”, questionaram. “Faz-se inequívoco o retardo ilegal do Dr. Antônio Augusto Brandão Aras em assumir definitivo ato de ofício”, completam Fonteles e demais subprocuradores.

Também como exemplo, a representação cita a atuação do PGR na investigação contra o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, acusando a Procuradoria e o vice, Humberto Jacques de Medeiros, de “retardar pronunciamento conclusivo sobre a conduta funcional do Presidente da República” naqueles autos.

“Eis os fatos claríssimos e bastantes”, concluem, afirmando que Aras “vem, sistematicamente, deixando de praticar, ou retardando, a prática de atos funcionais para favorecer a pessoa do Presidente da República ou de pessoas que lhe estão no entorno de marcada confiança”.

Leia a peça na íntegra:

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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