por Nathan Caixeta*
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“Todos os dias de antes, como os de hoje são semelhantes em aspecto. Vivos, soltos, começam com a virada da lua em sol, até terminar de novo na escuridão da noite.
Outra risca com lasca de prego na parede, outras horas que se passam, sempre iguais.
Tudo muito organizado, como relógio. As celas abrem com o som do metrô.
Menos de um metro da outra.
A chave escorrega das mãos do poder. Ninguém a possui. Todos buscam-na.
Na ingênua missão de abrir o próprio cárcere.
As celas se fecham, feitos os bolsos do patrão.
A chave é o padrão, dá forma a tudo, mesmo não sendo nada mais que imaginação.
Na boa, é feita de ouro, liquido.
Na pior, feita de nada, no máximo, brilho gaseificado.
A chave só existe para o carcereiro.
Vendo-a como sua propriedade. Podendo a todo momento, transformá-la.
Se a todos fosse dado a chave, não haveriam prisões.
Mas todos cometem o crime comum: de a si se prenderem.
Ao hipnotismo da transformação.
De mão, em massa, de massa, em pão, de pão, concreto, dele, à chave, toda abstração.
Ainda real, porque a todos privados, da liberdade da imaginação.
No mito moderno. A chave é, em geral, decorada com cifrão, porque geralmente abre todas as trancas.
De Outra caverna. O Platô do novo mundo. Porque cegos, os presos nunca assistem seu próprio horizonte. A sombra, sobra do outro há quem ninguém vê.
A curva dos olhos é limitada. Seu limite: O próprio olho. As vistas coladas nas algemas.
Não enxergam que para além do muro, não existem chaves. Existem identidades.
Muro, pecado mortal, fortaleza, realeza, Capital”
*Nathan Caixeta, pós-graduando em desenvolvimento econômico no IE/UNICAMP e pesquisador do núcleo de estudos de conjuntura da FACAMP (NEC-FACAMP).
Este texto não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN
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