11 de junho de 2026

O grande Antonio Adolfo, por Aquiles Rique Reis

Impregnado das genialidades de Jobim, ele selecionou nove músicas – repertório digno de ouvidos abertos à excelência.

O grande Antonio Adolfo

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por Aquiles Rique Reis

É com uma alegria robusta (hoje em dia é legal usar este adjetivo) que tratarei de Jobim Forever (AAM – CD digital), o novo álbum do compositor, arranjador e pianista Antonio Adolfo. Impregnado das genialidades de Jobim, ele selecionou nove músicas – repertório digno de ouvidos abertos à excelência.

Antonio Adolfo diz: “(…) A música de Antonio Carlos Jobim é uma fonte de belezas indescritíveis. (…) Os arranjos foram criados com variações melódicas e mudança de métrica, como costumo fazer quando abordo composições de outros compositores”. E prossegue: “(…) Quando faço arranjos, toco a música várias vezes até absorvê-la e senti-la como se eu fosse um parceiro do autor. (…) Deixo minha interpretação emergir e então posso criar diferentes harmonias, métricas, fraseados e formas, que adapto aos instrumentistas para os quais concebo os arranjos (…)”.

Vamos ao Jobim Forever. Abrir a tampa com “Garota de Ipanema” (Jobim e Vinícius de Moraes) tem um quê de desafio: após dezenas de gravações de brasileiros e estrangeiros, inclusive a seminal de Jobim, Antonio Adolfo rasga o véu da música, vestindo-a para chamar a atenção para o poder de ser bela de qualquer forma.

“A Felicidade” (Jobim e Vinícius) começa com a voz brilhante e afinada de Zé Renato cantando à capella. Compassos depois, amparado pela cozinha, o piano vem com a melodia. Num improviso jazzístico e inspirado, o trompete firme. O piano assume o protagonismo tocando a melodia. O naipe de sopros vem com o sax e com o destaque do flugelhorn.

“Favela (O Morro Não Tem Vez)” (Jobim e Vinícius) vem com o piano fraseando. Rola a melodia. A batera segura a onda. O flugel improvisa. O arranjo vem com uma métrica especial. O trompete improvisa. O coro come. O piano marca os compassos com acordes em bloco. O final se aproxima. O tamborim suinga no samba.

Eis aí o mapa da mina para decifrar o trabalho de Antonio Adolfo. Sua genialidade está presente em cada composição de Tom Jobim – dá até para pressentir que as mãos de Tom Jobim estão enredadas às de Antonio Adolfo.

Engrandecidas pelos instrumentistas que as interpretam, as músicas de Antonio Carlos Jobim estão presentes de corpo e alma, condecoradas que foram por Antonio Adolfo e por instrumentistas da mais alta qualidade.

Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

Ficha técnica:

Jessé Sadoc (trompete/flugelhorn); Danilo Sinna (sax alto); Marcelo Martins (sax tenor, soprano e flautas); Rafael Rocha (trombone); Lula Galvão (violão e guitarra); Jorge Helder (contrabaixo); Rafael Barata (bateria/percussão); Dadá Costa (percussão); participação especial Paulo Braga (bateria).

Repertório:

“Garota de Ipanema” (Tom, Vinícius e Norman Gimbel); “Wave” (Tom); “A Felicidade” (Tom e Vinícius); “Insensatez” (Tom, Vinícius e Norman Gimbel); “Favela – O Morro Não Tem Vez” (Tom e Vinícius); “Inútil Paisagem” (Tom e Aloysio de Oliveira); “Água de Beber” (Tom e Vinícius); “Amparo/intro: Por Toda a Minha Vida” (Tom e Vinícius); “Estrada do Sol” (Tom e Dolores Duran).

Aquiles Rique Reis

Músico, integrante do grupo MPB4, dublador e crítico de música.

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