4 de junho de 2026

“Quanto mais longe do circo, mais eu encontro palhaço”, por Rui Daher

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A Folha de São Paulo, aos sábados, publica coluna opinativa sobre o agronegócio. Já passaram por lá Roberto Rodrigues, Kátia Abreu e, mais recentemente, o excelente Marcos Jank, especialista em mercados globais, hoje trabalhando na BRF Cingapura.

Claro que sempre se pode discordar de algumas de suas opiniões, mas elas sempre estiveram embasadas em raciocínios claros, dados reais, e principalmente sem qualquer viés canastrão.

Mas, como diz quem já foi por aí, o que está ruim sempre pode piorar. Daí eu ter pedido a tal jornal nunca mais perguntar por mim.

Querem ver? A partir de hoje, quinzenalmente, a coluna da Folha sobre o agro será escrita pelo senador Ronaldo Caiado (DEM-GO).

Em sua estreia, hoje, depois de desfilar a pompa dos resultados da produção a partir de 1994 (?) e seus efeitos sobre a balança comercial e a sociedade até hoje, aponta uma lista incorreta de críticas ao Plano Safra 2015/16, muito bem recebido pelo setor agropecuarista e analistas sérios.

Pior: o texto traz mentiras exageradas, tergiversações cretinas, mal-intencionadas, que não comprovo ou escrevo, mesmo quando crítico, em minhas Andanças Capitais (http://www.cartacapital.com.br/colunistas/rui-daher).

Ronaldo (lembro-me de “Lobão e seus Ronaldos bem afinados”) reclama o ajuste Levy nas taxas de juros, sem dizer que continuam altamente subsidiadas; do atraso na liberação de recursos, sem dizer que o Plano vale a partir de 1º de julho, o que sugere o senador, hoje, no máximo, comemorar a Independência dos Estados Unidos, fato que nunca quis para o Brasil; pega a inflação de hoje, retroage a 1990, e assim justifica a volta do endividamento do setor, sem lembrar que o perrengue, se vier, estará na Bolsa de Chicago, não em algum bolivarianismo.

Enfim, falta com a verdade em tudo como sempre e faz palhaçada política, seu verdadeiro dom.

Tudo por única causa coonestada pelo jornal: “Infelizmente, a gestão bolivariana dos governos do PT nos sinaliza para um passado que a agricultura quer esquecer”.

Ué, mas não foi justamente no período citado pelo próprio Caiado em seu texto que a agropecuária bateu recorde atrás de recorde, ajudou o País a ter uma reserva cambial de US$ 372 bilhões, tornou-se líder de produção e exportação de diversos itens, cresceu em produtividade com economia em áreas de expansão? Onde o caos?

Ronaldo Caiado foi um dos líderes da União Democrática Ruralista (UDR), responsável por estigmatizar o termo, o setor, e a bancada no Congresso, o que me traz esforço imenso para mostrar que nem todos grandes produtores são um bando reacionário desprovido de ação republicana.

Não fui eu, mas sim um ex-senador de seu próprio partido, Demóstenes Torres, que o ligou ao esquema de Carlinhos Cachoeira.  

Mas, em essência, qual o porquê de Ronaldo Caiado vir se juntar aos tantos colunistas da Folha, instrumentalizados para induzir a população a um novo Golpe de Estado?Responde suas últimas palavras (bom que fossem) na estreia:

“Como brasileiros, precisamos abraçar um projeto para tirar o país da crise e promover uma correção de rumos. Para isso, defendo a realização de uma nova eleição para a Presidência da República”.  

Deixo vocês com Ismael Silva, por Jards Macalé. Sabem tudo sobre maus palhaços.

Rui Daher

Rui Daher – administrador, consultor em desenvolvimento agrícola e escritor

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8 Comentários
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  1. Odonir Oliveira

    4 de julho de 2015 3:27 pm

    Tá achando que eu sou trouxa, meu? Sou não !

    Desconfio… veja bem desconfio….  que essa música caia bem pra esse e outros palhaços que comparecem aos microfones… mas não …. (manter o paralelismo sintático, por favor)

    PALHAÇADA

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=1LfAsXHOwt8%5D

  2. Rui Daher

    4 de julho de 2015 4:57 pm

    Odonir,

    você sempre melhorando o que escrevo e sugiro. Li seus ótimos textos e sugestões. Amanhã vou de Dominó!

  3. Anna Dutra

    5 de julho de 2015 3:04 pm

    Caiado
    Rui,
    meu pai assistiu e se não me engano, tem gravado (me lembro vagamente e pedi que ele me contasse para compartilhar com vocês):
    Caiado era candidato a presidente. O programa “Roda Viva” fazia entrevistas individuais com os candidatos. O Tarso de Castro – assunto deste GGN em função do livro a seu respeito – foi um dos entrevistadores convidados.
    Tarso, dirigindo-se ao candidato, pediu confirmação  (apenas para pavimentar a estrada):  – O senhor é médico,  certo?   E dizem, um dos bons.  Caiado, com seu sorriso Rock Hudson, confirmou,  pavão. Tarso prosseguiu:  – como médico o Sr. fez um juramento que o obriga a salvar vidas, correto?  Caiado confirmou mais uma vez.  E o sagaz Tarso:  – como então o senhor explica sua ligação com a UDR, que manda matar gente?
    O sorriso RH logo desapareceu e Caiado o chamou de atrevido.
    Fecha o pano!

    O que vai restar ?  Aonde estamos indo? 

    Abraço!

    1. Lionel Rupaud

      5 de julho de 2015 3:08 pm

      Esse Tarso, sim, era

      f…..

      1. Rui Daher

        5 de julho de 2015 5:02 pm

        Tarso
        Odonir e Lionel, Tarso e Ivan Lessa são meus ídolos na crônica e no jornalismo pasquiniano. Se soubesse desenhar, incluiria Millôr, Jaguar, Ziraldo e Henfil. Li a 1ª edição do livro de Tom Cardoso sobre Tarso. Era aquilo mesmo em tempos menos fáceis. E namorar a Candice foi uma vitória canarinha.

  4. Lionel Rupaud

    5 de julho de 2015 3:06 pm

    Palhaços, esses sim são

    os “leitores” da tal folha de sp…

    1. edna baker

      5 de julho de 2015 4:09 pm

      Aliás os paulistas

      Aliás os paulistas conservadores de um modo geral.

  5. sergio m pinto

    5 de julho de 2015 3:31 pm

    Ô Rui, qual a razão que você

    Ô Rui, qual a razão que você acha que foi fundamental para a contratação do sepulcro para deitar falação sobre o agronegócio? 

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