“Quanto mais longe do circo, mais eu encontro palhaço”, por Rui Daher

A Folha de São Paulo, aos sábados, publica coluna opinativa sobre o agronegócio. Já passaram por lá Roberto Rodrigues, Kátia Abreu e, mais recentemente, o excelente Marcos Jank, especialista em mercados globais, hoje trabalhando na BRF Cingapura.

Claro que sempre se pode discordar de algumas de suas opiniões, mas elas sempre estiveram embasadas em raciocínios claros, dados reais, e principalmente sem qualquer viés canastrão.

Mas, como diz quem já foi por aí, o que está ruim sempre pode piorar. Daí eu ter pedido a tal jornal nunca mais perguntar por mim.

Querem ver? A partir de hoje, quinzenalmente, a coluna da Folha sobre o agro será escrita pelo senador Ronaldo Caiado (DEM-GO).

Em sua estreia, hoje, depois de desfilar a pompa dos resultados da produção a partir de 1994 (?) e seus efeitos sobre a balança comercial e a sociedade até hoje, aponta uma lista incorreta de críticas ao Plano Safra 2015/16, muito bem recebido pelo setor agropecuarista e analistas sérios.

Pior: o texto traz mentiras exageradas, tergiversações cretinas, mal-intencionadas, que não comprovo ou escrevo, mesmo quando crítico, em minhas Andanças Capitais (http://www.cartacapital.com.br/colunistas/rui-daher).

Ronaldo (lembro-me de “Lobão e seus Ronaldos bem afinados”) reclama o ajuste Levy nas taxas de juros, sem dizer que continuam altamente subsidiadas; do atraso na liberação de recursos, sem dizer que o Plano vale a partir de 1º de julho, o que sugere o senador, hoje, no máximo, comemorar a Independência dos Estados Unidos, fato que nunca quis para o Brasil; pega a inflação de hoje, retroage a 1990, e assim justifica a volta do endividamento do setor, sem lembrar que o perrengue, se vier, estará na Bolsa de Chicago, não em algum bolivarianismo.

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Enfim, falta com a verdade em tudo como sempre e faz palhaçada política, seu verdadeiro dom.

Tudo por única causa coonestada pelo jornal: “Infelizmente, a gestão bolivariana dos governos do PT nos sinaliza para um passado que a agricultura quer esquecer”.

Ué, mas não foi justamente no período citado pelo próprio Caiado em seu texto que a agropecuária bateu recorde atrás de recorde, ajudou o País a ter uma reserva cambial de US$ 372 bilhões, tornou-se líder de produção e exportação de diversos itens, cresceu em produtividade com economia em áreas de expansão? Onde o caos?

Ronaldo Caiado foi um dos líderes da União Democrática Ruralista (UDR), responsável por estigmatizar o termo, o setor, e a bancada no Congresso, o que me traz esforço imenso para mostrar que nem todos grandes produtores são um bando reacionário desprovido de ação republicana.

Não fui eu, mas sim um ex-senador de seu próprio partido, Demóstenes Torres, que o ligou ao esquema de Carlinhos Cachoeira.  

Mas, em essência, qual o porquê de Ronaldo Caiado vir se juntar aos tantos colunistas da Folha, instrumentalizados para induzir a população a um novo Golpe de Estado?Responde suas últimas palavras (bom que fossem) na estreia:

“Como brasileiros, precisamos abraçar um projeto para tirar o país da crise e promover uma correção de rumos. Para isso, defendo a realização de uma nova eleição para a Presidência da República”.  

Deixo vocês com Ismael Silva, por Jards Macalé. Sabem tudo sobre maus palhaços.

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8 comentários

  1. Caiado
    Rui,
    meu pai assistiu e se não me engano, tem gravado (me lembro vagamente e pedi que ele me contasse para compartilhar com vocês):
    Caiado era candidato a presidente. O programa “Roda Viva” fazia entrevistas individuais com os candidatos. O Tarso de Castro – assunto deste GGN em função do livro a seu respeito – foi um dos entrevistadores convidados.
    Tarso, dirigindo-se ao candidato, pediu confirmação  (apenas para pavimentar a estrada):  – O senhor é médico,  certo?   E dizem, um dos bons.  Caiado, com seu sorriso Rock Hudson, confirmou,  pavão. Tarso prosseguiu:  – como médico o Sr. fez um juramento que o obriga a salvar vidas, correto?  Caiado confirmou mais uma vez.  E o sagaz Tarso:  – como então o senhor explica sua ligação com a UDR, que manda matar gente?
    O sorriso RH logo desapareceu e Caiado o chamou de atrevido.
    Fecha o pano!

    O que vai restar ?  Aonde estamos indo? 

    Abraço!

  2. Ô Rui, qual a razão que você

    Ô Rui, qual a razão que você acha que foi fundamental para a contratação do sepulcro para deitar falação sobre o agronegócio? 

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