Jornal GGN – Faltando um ano para as eleições presidenciais no Brasil, Lula da Silva tem um caminho claro para lutar contra o presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro, diz editorial da publicação espanhola El País. Lula recuperou seus direitos políticos quando o STF anulou as condenações que o mantiveram preso por 19 meses e que, por decisão do próprio tribunal, o impediram de concorrer contra Bolsonaro em 2018. À anulação das sentenças seguiu-se outra importante decisão, a de que o juiz Sergio Moro não foi imparcial no julgamento de Lula. Tal decisão levou ao encerramento de praticamente todos os processos contra Lula, com apenas um ainda aberto, pontua o jornal.
Para o El País, o tempo está provando que Lula estava certo quando se proclamava inocente e que tinha confiança na Justiça brasileira e quando afirmava estar sendo vítima de perseguição judicial no âmbito da operação Lava Jato. Lula denunciou ser prisioneiro do juiz Moro, cuja atuação parcial foi demonstrada por seus pares.
A não ser que haja grande surpresa, diz o jornal, Lula e Bolsonaro serão candidatos nas eleições marcadas para outubro de 2022. Lula lidera com facilidade, mas é improvável que os votos da esquerda sozinha consigam derrotar os ultra-direitistas. Segundo o El País, Lula precisará forjar uma aliança ampla como a que lhe deu a primeira vitória eleitora, na quarta tentativa, há quase duas décadas.
Por outro lado, Lula tem a seu favor a erosão de Bolsonaro devido às 600 mil mortes por Covid-19 e a crise econômica. Além disso, o relatório do Senado apresentado ontem, recomenda que o presidente seja indiciado por crimes contra a humanidade pela gestão da pandemia. Mas, por outro lado, Lula tem contra a suspeita de boa parte da elite e da mídia, além das restrições devido à pandemia. Se Bolsonaro reina nas redes sociais, diz o jornal, o habitat natural de Lula é o contato direto com eleitores, comícios e abraços.
E, por fim, o jornal lembra que muitos brasileiros se arrependeram do voto dado ao capitão, mas isso não significa que irão apoiar o PT dentro de um ano, embora o ódio a Lula e seu partido perca força com o avanço do anticolonialismo. Lula, que ao longo de sua carreira tem se mostrado um bom estrategista, terá que se afinar para construir uma coalizão que dilua a rejeição que ainda desperta e reúna forças para transformar a presidência do populista de extrema direita Jair Bolsonaro em um pesadelo passageiro, conclui El País.
Deixe um comentário