1 de julho de 2026

A queda continuada da indústria, por Luis Nassif

A Indústria Extrativa está praticamente no mesmo nível do início de 2016, época de grandes quedas no PIB e nas cotações internacionais de commodities.

Prossegue a caminhada da indústria rumo à década perdida.

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De acordo com a Pesquisa Mensal da Indústria (PMI) do IBGE, a Indústria de Transformação está apenas 4% acima do pior momento da primeira queda acentuada da economia, em 2015; e a Indústria extrativa está apenas 2% acima do piso.

Maio de 2021 foi o último mês com crescimento mensal da Indústria Geral e da Indústria de Transformação.     A Indústria Extrativa teve dois meses de crescimento – maio e setembro – mas sofreu uma queda rotunda de 8,62% em outubro.

A Indústria Extrativa está praticamente no mesmo nível do início de 2016, época de grandes quedas no PIB e nas cotações internacionais de commodities.

Na análise por setores, em outubro apenas 7 setores registraram alta, contra 20 setores em queda. Dão 20 setores em queda nos últimos 12 meses, 17 nos últimos 24 meses e 11 nos últimos 50 meses.

A comparação entre as maiores altas e maiores queda, desde outubro de 2021, dá um panorama desolador da situação da indústria.

Apenas um setor apresentou um crescimento relativamente significativo – Produtos de Fumo, com alta de 6,9%. Os demais 5 setores positivos registraram alta inferior a 4%.

No acumulado desde outubro de 2020, as 4 maiores quedas foram superiores a 20%. As 6 seguintes foram superiores a 10%.

Apenas um setor registrou crescimento expressivo, Impressáo e Repropdução de Gravações (21,5%), com 21,5%.

Some-se a esse quadro, a elevação continuada dos preços ao produtos (medida de Pesquisa de Preços Industriais), o aumento da inflação corroendo a renda e a alta dos juros e se terá um quadro complicado em 2022.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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  1. alex

    5 de dezembro de 2021 9:37 am

    O que o Nassif chama de “queda” eu chamo de implantação do neoliberalismo.
    Recomendaria estudar o modelo chileno de 1973 a 1980 período durante o qual TODA a indústria nacional daquele país foi falida premeditadamente para abrir as portas as grandes grupos internacionais que tomaram conta do Chile…. Com Brasil não será diferente o elo perdido é o Guedes.

  2. ze sergio/sorocabanoburaco

    5 de dezembro de 2021 11:37 am

    Indústrias? “Indústrias são para a Bélgica”. ‘…Uma construção intelectual aberrante imperou no Brasil nos estudos e prática da ciência econômica. Através da herança ortodoxa de EUGENIO GUDIN transportada para o Século XXI através da Escola de Economia da PUC Rio, o Brasil absorveu e transformou em uma espécie de “ciência econômica brasileira” um conjunto de ideias ortodoxas sobre a prática da economia como ciência e operação que não tem paralelo em nenhum outro grande País.
    É uma espécie de “neoliberalismo caboclo”, atrasado, de lição mal feita por alunos bolsistas brasileiros em universidades americanas, onde a ciência econômica é desligada de contextos culturais e históricos, elos fundamentais para a construção de uma política econômica referenciada no País, na sua geografia, seus recursos naturais e humanos…'(André Motta Araújo/GGN). A tal Industrialização Tardia do Golpe Ditatorial Caudilhista Absolutista Assassino Esquerdopata Fascista de 1930, que se impôs à vontade Soberana, Nacionalista e Democrática do Pensamento Industrial Paulista de Roberto Simonsen. Que Indústrias que tivemos, fora do discurso farsante do Revisionismo Histórico? 91 anos de tragédias, dos quais estamos finalmente e tardiamente Nos livrando. Pobre país rico. Mas de muito fácil explicação.

  3. antonio cesar perin

    5 de dezembro de 2021 11:51 am

    Realmente o texto é muito bom e retrata a realidade, Ciro está emparedado pelas qualidades que possui para colocar em prática um Plano que setores dominantes não querem e não aceitam. Os percentuais que atinge em pesquisas nos últimos anos, praticamente não sofre alterações. Esse percentual é composto por uma parcela da população majoritariamente de esquerda intelectualizada e que está convicta que o Brasil realmente precisa mudar. Além do emparedamento pela Direita que não quer um novo Projeto, ou que não entende esse novo projeto, estamos emparedados pelo saudosismo. A parte significativa dos apoiadores do Lula não são de esquerda ou direita, eles migram direto do Bolsonaro para o Lula ou vice versa. Estamos falando do POVÃO, que lembra da época que conseguia comprar o gás de cozinha, do filho que fez faculdade, da casa que financiou, da carne que comia, da gasolina barata e assim por diante. Tal contingente é gigantesco e não consegue ter tempo de se aprofundar em política, ainda mais a Brasileira com toda as suas complicações, ele está lutando para sobreviver e decidirá seu voto por questões práticas. Eu PREFIRO 200 vezes CIRO GOMES, mas a situação não é nada boa.

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