O principal instrumento de repressão e de interferência geopolítica dos Estados Unidos chama-se DHS, correspondente ao nosso Gabinete de Segurança Institucional.
Ele começou a interferir na vida do país assessorando a Operação do Banestado, que acabou implicando um tal de José Serra, apontado como homônimo do político José Serra, e que jamais foi identificado.
Serra ficou tão temeroso que, quando governador, endereçou uma correspondência ao DHS, pedindo assessoria contra um suposto atentado que estaria sendo planejado contra o Metrô. A informação foi revelada pelo Wikileaks e demonstrava a influência do DHS no país.
Na sua constituição, o DHS incorporou os principais sistemas eletrônicos das demais agências, tornando-se uma super-agência, embora pouco falada,
Uma visita ao seu site, mostrará seu caráter fundamentalmente ideológico.

No dia 29 passado, a manchete era “O PIOR DOS PIORES: ICE prende múltiplos agressores violentos, estupradores e traficantes de drogas”. E o subtítulo “Enquanto os americanos aproveitavam o fim de semana, o ICE prendeu os piores dos piores para cumprir a promessa do presidente Trump de TORNAR A AMÉRICA SEGURA NOVAMENTE”.
Não se trata mais de um órgão de Estado, mas de um aliado incondicional do governo Trump.
Em outra reportagem, o DHS saúda o feito de “Governo Trump registra 11 meses consecutivos sem nenhuma libertação de presos na fronteira”.
”Hoje, o Departamento de Segurança Interna (DHS) e a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) anunciaram o 11º mês consecutivo sem liberações na fronteira sul, mantendo a tendência de níveis historicamente baixos de travessias de fronteira.
“Onze meses consecutivos sem nenhuma libertação na fronteira. Sob a liderança do presidente Donald Trump, estamos construindo a fronteira mais segura da história americana”, disse o secretário do Departamento de Segurança Interna, Markwayne Mullin . “O mundo sabe que as fronteiras dos Estados Unidos estão fechadas para quem infringe a lei.”
Nos EUA não existe um princípio constitucional da “impessoalidade” como na Constituição brasileira, mas há uma norma equivalente na prática: o Hatch Act de 1939, lei federal que proíbe funcionários federais de enviar e-mails ou mensagens que façam propaganda de um partido político ou candidato a cargo partidário enquanto em serviço ou em prédio federal. A lei existe para manter agências e programas federais sem viés partidário, proteger funcionários de pressão política e garantir que promoções sejam baseadas em mérito, não em política.
A página atual do DHS ilustra bem o padrão: título como “Making America Safe Again”, elogios recorrentes ao presidente (“thanks to President Trump…”, “Under President Trump and Secretary Noem…”), estatísticas de conquistas atribuídas pessoalmente a ele, e até secretários emitindo comunicados oficiais elogiando indicações do presidente — tudo isso em linguagem que soa mais como material de campanha do que comunicação institucional neutra.
Em crises anteriores do governo, como paralisações orçamentárias, a propaganda partidária ficava basicamente restrita às coletivas de imprensa e discursos de campanha — as agências, mesmo sob pressão, se mantinham neutras.
O que mudou
Em 2025, isso se rompeu de forma sistemática. Durante o “shutdown” de outubro de 2025, comunicações oficiais do governo — banners em sites, respostas automáticas de e-mail, mensagens autogeradas atacando “Democratas do Senado” ou “a Esquerda Radical” — marcaram uma ruptura clara com a prática anterior. A organização Common Cause documentou, por exemplo, que a secretária do DHS, Kristi Noem, enviou e-mails para toda a agência culpando democratas do Congresso pelo shutdown e elogiando a posição política do presidente, usando sistemas oficiais do DHS — numa aparente violação da proibição do Hatch Act de usar ferramentas pagas por impostos para atividade político-partidária. O mesmo se deu na página do Departamento de Justiça sob a procuradora-geral Pam Bondi. No total, a Common Cause apresentou 57 denúncias formais ao GAO, ao OSC e a diversas Inspetorias-Gerais.
O deputado Jamie Raskin resumiu o argumento institucional: uma das principais diferenças entre os EUA e a Rússia de Putin, a China de Xi ou a Coreia do Norte de Kim Jong-un é que os serviços e canais de comunicação do governo não podem ser transformados em instrumentos de propaganda partidária.
Vale notar que a fiscalização está enfraquecida: o presidente demitiu ou rebaixou mais de 20 Inspetores-Gerais, além do então chefe do Office of Special Counsel, Hampton Dellinger, o que ajuda a explicar por que o padrão persistiu sem consequências claras
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