30 de junho de 2026

Como poderá ser a interferência de Trump nas eleições, por Luís Nassif

O modelo de "parceria através de facção doméstica" não está morto, está à espera de mudança na correlação de forças interna.
Donald Trump - Foto de Daniel Torok - The White House Flickr

A Lava Jato foi um vetor de influência dos EUA no Brasil via força-tarefa doméstica em Curitiba.
Atualmente, o Estado brasileiro defende Moraes e impede cooperação externa contra ele na Justiça dos EUA.
Pressão de Trump nas eleições de 2026 depende da vitória bolsonarista e da criação de facção alinhada a Washington.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Quais as armas de que dispõe Donald Trump para interferir nas eleições brasileiras?

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Em outros tempos, quando a atuação do Departamento de Justiça era mais discreta, houve articulação mortal contra a democracia brasileira. Redes sociais estimularam as manifestações de desagrado para com o governo Dilma Rousseff. Aliados incondicionais dos EUA, a mídia encetou uma campanha de desgaste inclemente. 

A Lava Jato não foi um caso de um Estado estrangeiro impondo sua jurisdição sobre o Brasil de fora para dentro. Foi algo mais sofisticado e mais eficaz: um vetor de influência que penetrava o território nacional através de uma facção doméstica disposta, a força-tarefa de Curitiba.

Havia os mesmos interesses entre os dois grupos, e um gancho jurisdicional nítido — a Foreign Corrupt Practices Act, acionável porque a Petrobras tinha ações listadas em Nova York e a Odebrecht movimentava o sistema financeiro dos Estados Unidos.

Agora não há contraparte brasileira disposta. O Estado brasileiro está defendendo Moraes, não cooperando contra ele. A Advocacia-Geral da União ingressou na ação que tramita na Flórida para sustentar a imunidade de jurisdição do magistrado, e a Justiça americana aceitou o Brasil como parte interessada, suspendendo a possibilidade de julgamento à revelia.

O modelo de “parceria através de facção doméstica” não está morto, está à espera de mudança na correlação de forças interna. O próprio relatório do Judiciary Committee não esconde o vetor eleitoral: registra que Flávio Bolsonaro aparece tecnicamente empatado com Lula às vésperas de outubro de 2026. Em caso de vitória do bolsonarismo, haveria a montagem de uma facção alinhada a Washington, dentro da PF, do Congresso (os pedidos de impeachment de Moraes), ou de um futuro Executivo bolsonarista — é o que recriaria a engrenagem Lava Jato, agora apontada para o outro lado. O DoJ não inicia uma operação dessas; ele se acopla a uma demanda interna quando ela surge.

O pacote — tarifa, sanção, litígio privado, relatório parlamentar — é pressão de Estado a Estado. E é uma pressão que vem se revelando juridicamente instável e economicamente cara para quem a aplica. A tarifa original de 50% foi derrubada pela própria Suprema Corte americana por abuso de poderes de emergência; a nova investida, de 25% via Seção 301, já nasce reformatada para poupar o abastecimento alimentar — confissão tácita de que a reação dos compradores americanos, no episódio do café, saiu caro demais. 

Enquanto o Estado brasileiro permanecer institucionalmente coeso e Lula governar, a pressão de Trump fica contida no plano da intimidação com custo real, mas mordida limitada. A variável que reabre a possibilidade de uma Lava Jato ao contrário não é uma decisão tomada em Washington. É uma decisão tomada nas urnas brasileiras, em outubro.

O risco maior está na cooperação CIA-força tarefa do Master. A lógica do enquadramento das organizações criminosas brasileiras como terroristas tem, por trás, abrir espaço para a troca de informações entre CIA e ala lavajatista da Polícia Federal.

Na Lava Jato, informações críticas foram levantadas pelo DoJ e pela CIA, como foi o caso do Almirante Othon e dos arquivos da Odebrecht.

Ficam em aberto as intervenções das redes sociais, alavancando o bolsonarismo e restringindo a visibilidade dos demais atores.

LEIA TAMBÉM:

Receba os artigos de Luís Nassif pelo WhatsApp

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados