A Fina Flor de Stanislaw Ponte Preta
por Jorge Alberto Benitz
– Alo? É você, Alberto?
– Sim. Soy yo. O mesmo que falou contigo pela última vez no início deste ano – Por sinal, este contato, para quem não acredita, ficou registrado no artigo https://jornalggn.com.br/cronica/stanislaw-ponte-preta-na-linha-por-jorge-alberto-benitz/amp/ – Também, como neste contato, foi iniciativa dele a conversa.
– Ah! Ainda bem. Estou há muito tempo atrás de você.
– Qual o motivo de tamanha distinção? Sempre sou eu que tento me comunicar contigo aí no céu, não é? A propósito, chamo- o pelo nome, Sérgio Porto, ou Stanislaw Ponte Preta? Voltando, não acredito que uma alma boa como a tua esteja no inferno.
– Ih! Já começou a complicar. Não importa onde estou e que nome uso aqui. Fiz esta ligação, digo, este contato via psicografia, para te pedir uma coisa.
– Mas bah! Faço qualquer coisa pelo amigo – ia complementar com o adjetivo defunto. Felizmente, me contive – que vive neste, digamos, outro lado.
– É coisa pouca. Não te preocupes. Somente quero que ajudes a divulgar meu livro “ A Fina Flor de Stanislaw Ponte Preta”, editora Companhia das Letras, que já está “nas boas casas do ramo” e para venda, também, neste negócio novo que existe por aí que ainda não compreendi bem o que é.
– Vou fazer o que posso. O que não é muito. Se você ainda não sabe, aviso que sou um quase desconhecido acantonado aqui no garrão do Brasil, isto é, no sul. Quase invisível, portanto. Para piorar não pertenço a nenhum dos grupos identitários que estão bombando hoje. Deixa pra lá! Este é um assunto que deves desconhecer.
– Faça o que der para fazer. Desde já agradeço. Tchau!
Diante desta despedida abrupta – A julgar pelos contatos com ele, parece que ser breve, telegráfico, é a regra “lá em cima” – não tive tempo de dizer que ainda não li o livro que ele quer que eu divulgue e nem o adquiri. Pensando melhor, isso não é problema. Todos os livros dele são bons, e uma compilação com a “Fina Flor” de seus escritos, com certeza é algo que dispensa considerações maiores.
Estava esquecendo, também, de falar que pedi para ele me explicar esta coisa inédita de mesmo estando “em outra dimensão” seguir interessado na divulgação de um livro seu e para saber sua opinião sobre as atribulações que estamos passando com este maluco de extrema direita no poder. Ele, sabiamente, não me respondeu nenhuma destas indagações impertinentes. Primeiro, porque este contato já é meio coisa de maluco. E segundo, os malucos e toscos no poder já foram exaustivamente (mal) tratados nos retratos mordazes feitos por ele em suas obras. O lado canalha e tosco da elite brasileira não mudou desde o tempo em que Stanislaw escrevia. Portanto, sua crítica continua atual, isto é, dá para c opiar e colar suas críticas aos ricos e poderosos de sua época e transpô- las para os ricos e poderosos de hoje. Elas se assentam nestes como uma luva, perfeitamente.
Fica a dica. Quem quiser se inteirar de uma forma sábia e bem-humorada sobre o que é aturar uma elite podre e branca, isto é, o que é ser brasileiro, deve ler os livros dele. Em especial este acima citado que saiu do forno agora.
Jorge Alberto Benitz é engenheiro e escritor.
Este texto não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN
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