
Há anos que empresas vêm abandonando ações de comunicação na mídia tradicional para usar as redes sociais, para falar com o seu público. Que mal tem o governo de fazer o mesmo?
Muitas assessorias de imprensa focam as redes sociais para divulgar seus clientes. Isso não é de hoje. E não é só por conta do desenvolvimento da internet como ferramenta de comunicação.
A progressiva diminuição de espaços na mídia tradicional à informação e ao jornalismo empurraram empresas a criarem seus canais próprios de comunicação – muitas agências inclusive estabeleceram áreas específicas para cuidar dessas ações na internet.
Aliás, vale citar que não é mais as relações com jornalistas dos meios de comunicação que dominam hoje as atividades das assessorias. Atualmente, imperam os serviços envolvendo elaboração de conteúdo para redes sociais e veículos de comunicação próprios, além de desenvolvimento de projetos para alavancar iniciativas nada a ver com a grande imprensa.
Quando começou o boom da internet, esse direcionamento deu-se início nas assessorias de imprensa. Com o tempo, a prática foi ganhando corpo, associada ao fato da mídia tradicional encolher, diminuir de tamanho e perder a audiência, a circulação e a importância. Houve ainda violenta restrição de temas nos jornais, revistas e telejornais nos últimos anos.
Enfim, ficou impraticável às empresas tentarem expor conceitos ou apresentarem produtos inovadores ao mercado por meio da área editorial da grande imprensa.
Assim, era natural que o governo também seguisse esta trilha, como de certa forma o fez formando agências de notícias virtuais e abrindo contas em redes sociais. Mas com relação às manifestações oficiais, isso curiosamente não aconteceu.
Pode-se argumentar que se o governo tem a disposição às emissoras de rádio e televisão para fazer pronunciamentos, então por que não usá-las.
Porém, em termos de técnicas de comunicação, na atual conjuntura aliada a força da internet, não faz muito sentido ao governo insistir em se pronunciar por poucos minutos no rádio e na televisão. Embora com permissão para fazer pronunciamentos, não tem lógica defender isso como ação eficiente de comunicação de governo, interrompendo a programação de emissoras para se manifestar e, depois, ficar a mercê de comentários previsivelmente negativos nos próprios meios.
Há outro fator relevante: por não ocupar espaço no horário nobre (e caro), da mídia eletrônica, é certo que será menos criticada por ela – uma das mais antigas reclamações das emissoras de rádios e televisão ao poder público são as suas incursões na programação delas, com A Voz do Brasil, programas políticos, campanha eleitoral…
Qualquer jornalista, com o mínimo de experiência em assessoria de imprensa, vai dizer da importância de se priorizar as redes sociais a um assessorado. Se a opção do governo de se pronunciar pelas redes foi para evitar panelaços, a chiadeira da varanda gourmet veio mais do que em boa hora.
Em um mundo onde as empresas correm há tempos para criar vínculos e atrair seguidores pelas redes sociais e a internet, era inadmissível que o governo não fizesse o mesmo com seus manifestos de ocasião.
Spin Ggnauta
14 de maio de 2015 1:26 pmNão dependendo do pig para falar à nação
Não dependendo do pig para falar à nação, esperamos que o próximo passo seja não depender também destes espaços para seus anúncios e acabe de vez com qualquer relação com os barões golpistas da midia e não lhes repasse mais sequer 1 centavo, ai farão o que ja fazem: oposição e não jornalismo