4 de junho de 2026

A história se repete? Pois que se repita!, por José Manoel Ferreira Gonçalves

O país avança quando aumenta a confiança do povo, que reflete diretamente na confiança dos investidores.

A história se repete? Pois que se repita!

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

por José Manoel Ferreira Gonçalves

Já tive oportunidade aqui de dizer que a de primeira ferrovia brasileira foi inaugurada em 1854, e ligou o Porto de Mauá, na Baía de Guanabara, à Serra da Estrela, no caminho de Petrópolis.

Na sequência foram sendo construídas, sempre à força de braços humanos, novas ferrovias no Nordeste, no Recôncavo Baiano e, principalmente, em São Paulo. Estas ferrovias atendiam mais que tudo à economia cafeeira, em franco desenvolvimento à época.

Entre 1870 e 1920 vivemos a chamada “Era das ferrovias”, construindo 6.000 novos quilômetros por década. Contudo, trilhos, locomotivas e vagões eram basicamente financiados pelo capital de investidores ingleses, e assim visavam quase que exclusivamente à satisfação de seus interesses comerciais, sem o mínimo de planejamento estratégico que visasse o desenvolvimento.

Com a quebra da bolsa de NY em 1929, a Segunda Guerra Mundial e, depois, com o lobby da indústria automobilística, ficamos estagnados, como vimos mais amiúde na série recentemente aqui publicada, com vários arroubos no tempo, mas com um único momento de investimentos vultuosos e consistentes, durante os governos Lula da Silva.

Se hoje ficamos muito mal, em 2002 não estávamos tão melhores não, vivíamos no desonroso e ameaçador “cheque-especial” do FMI. Com a provável volta da civilidade e do desenvolvimentismo pelo voto popular, temos razões consistentes para voltar a sonhar na recuperação e volta de investimentos em ferrovias, o que significará mais divisas para o país via commodities, mais empregos, alimentos mais baratos na mesa do trabalhador, menor ataque ao meio ambiente – notadamente teremos menos emissões que agridem a camada de ozônio – e muito mais seguranças em nossas estradas.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: www.catarse.me/jornalggn

Se em seus governos passados o líder das pesquisas de opinião sobre as eleições deste ano se mostrou sensível a compreender a necessidade desses investimentos, não temos qualquer razão para crer que tenha mudado de opinião ou de determinação. Se olhando para o presente só temos a lamentar, independentemente de ideologia, temos todas as razões para vermos com esperança o futuro de médio prazo.

Temos projetos aprovados, com liberação ambiental, temos parte de obras prontas, dependendo unicamente de alguma recuperação dos danos das intempéries, temos demanda crescente, advinda do desenvolvimento do agronegócio enquanto estamos readquirindo estabilidade política e previsibilidade jurídica.

O país avança quando aumenta a confiança do povo, que reflete diretamente na confiança dos investidores.

Neste contexto, é importante que reflitamos muito no pleito que temos para este ano. Mais que plebicitário, é um pleito definidor e, como bem aponta o jornalista Jamil Chade, trata-se de um pleito em que vamos decidir quem somos.

Atentemos aos sinais, o governante de turno fala abertamente em eleições conturbadas, e cria empecilhos instransponíveis para aceitar o resultado das urnas. Enquanto isso agentes militares divulgam plano que sugere que pretendem se perpetuar no governo pelo menos até 2035.

Nós, engenheiros e ferroviaristas e desenvolvimentistas em geral, não podemos nos colocar acima destas questões, dependemos de reencontrar a reta via. Se a história se repete, que repitamos a melhor fase dela.

José Manoel Ferreira Gonçalves é jornalista, cientista político, advogado e doutor em engenharia. Dedica-se ao estudo da ecologia e meio ambiente, bem como aos modais de transporte, notadamente o ferroviário, para cuja bandeira milita.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

Leia também:

A engenharia em transe, por José Manoel Ferreira Gonçalves

O Desenvolvimento anda de trem, por José Manoel Ferreira Gonçalves

O triste Brasil sem ferrovias e sem prioridades, por José Manoel Ferreira Gonçalves

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados