O golpe que André Tissot sugeriu ao capitão em 2019 pode acontecer em 2023?
por Fernando Castilho
Na última terça-feira, 23 de agosto, o presidente do TSE, Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes, autorizou a Polícia Federal a deflagrar operação de busca e apreensão nas casas de empresários de peso que apoiam um golpe de Jair Bolsonaro para continuar no poder em 2023.
De todas as horríveis frases divulgadas pelo site Metrópole, a que mais me chamou a atenção foi a de André Tissot, dono do Grupo Sierra: “O golpe teria que ter acontecido nos primeiros dias de governo. [Em] 2019 teríamos ganhado outros 10 anos a mais”.
Para os grandes órgãos de imprensa, a frase seria apenas mais uma entre o grupo, mas ela reúne um significado maior. No primeiro ano de governo Bolsonaro, já se cogitava um golpe branco! E o mais interessante, alertei naquele ano mesmo essa possibilidade. Felizmente, não aconteceu.
A pergunta que se deve fazer agora é: acontecerá?
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O capitão parece estar recuperando alguns pontos nas pesquisas de opinião. Por isso, sinaliza-se que o evento golpista de 7 de setembro está refluindo, já que os aliados do presidente já consideram a real possibilidade de ele ir para o segundo turno e virar sobre Lula, dentro das regras do jogo, até porque não foram até agora reunidas as condições necessárias para uma ruptura institucional.
Cabe agora indagar se, após uma ainda possível vitória do capitão, uma vez continuando a se sentar na mais importante cadeira do país, ele não tente se perpetuar no poder.
Sabemos que qualquer um que venha a governar o Brasil em 2023 se deparará com um país tremendamente difícil de administrar, haja vista a destruição que vem acontecendo desde 2018 e os montantes de dinheiro que estão sendo distribuídos pelo presidente nessa orgia eleitoreira que empreende para tentar reverter sua desvantagem em relação a Lula.
Se Bolsonaro vencer, não conseguirá recuperar o país, muito pelo contrário, até porque não possui, como já demonstrou, a competência para nos tirar do buraco onde nos enfiou.
Como, pela via institucional, terá somente mais 4 anos à frente do executivo, dificilmente correrá o risco de, em 2027, já sem poder, vir a ser preso.
A pergunta que se faz agora é: caso vença as eleições, Bolsonaro seguirá o conselho de André Tissot, dando um golpe para se perpetuar no poder?
Esse é o grande risco que corremos.
Seria de fundamental importância que Ciro Gomes criasse juízo abrindo mão de sua vaidade e apoiasse Lula já no primeiro turno para que evitássemos o mal que já sabemos que pode acontecer.
Somente assim os planos do capitão de perpetuação no poder se desmanchariam no ar.
Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor
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Paulo Dantas
27 de agosto de 2022 12:22 pmNuma democracia se pode pregar pela ditadura , numa ditadura não se pode pedir democracia , nào se pode financiar um golpe todavia. Podemos não comprar em empresas cujos donos tenham posições políticas diferentes das nossas. A questão é saber até onde foi a coisa.