4 de junho de 2026

O falso otimismo com a recuperação da indústria automobilística, por Luis Nassif

Os números mostram que o crescimento das exportações se deveu a países da América do Sul e México

Hoje em dia, qualquer melhora pontual nos dados econômicos é saudado como recuperação pela mídia. É até possível encontrar alguma ressalva técnica no corpo da matéria. Mas a hashtag dos jornais – as manchetes – invariavelmente expressam um otimismo muitas vezes longe da realidade.`

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Celebraram a suposta deflação, um IPCA de -0,34% em agosto. Uma análise fria mostra que o único ítem que caiu – e, ainda assim, de forma artificial – foram os combustíveis, Houve aumento no número de itens pesquisador que subiram de preço.

No caso da indústria automobilísticas ocorre o mesmo. Confiras as manchetes.

O que ocorreu, de fato, foi que a produção do setor foi afetada nos últimos meses pela falta de componentes. Quando normalizou a ofertas de componentes, obviamente aumentou a produção, inclusive para atender à demanda reprimida.

Daí a importância de analisar os dados sempre de uma expectativa de tempo mais longa.

Tomem-se os dados sobre licenciamento – os que melhor refletem o mercado interno. No mês de agosto, houve aumento de 2,41% no licenciamento total, em relação ao mês anterior; de 2,5% no licenciamento de automóveis nacionais e de 1,69% nos importados. A produção aumentou 3,52%, o que significa que houve melhora nas exportações, já que a produção (que incluir as exportações) cresceu mais que o licencisamento.

Quando se compara o acumulado de 12 meses até agosto de 2022, com o acumulado de 12 meses dos meses de agosto anteriores, o quadro é totalmente diverso.

No licenciamento total houve queda de 15,16% em relação a agosto do ano passado – período profundamente afetado pela pandemia. Houve 18,12% de queda no licenciamento de veículos nacionais e aumento de 22,16% no de importados – que, quantitativamente, representam muito pouco. Houve queda de 2,16% na produção em relação a agosto de 2021.

Repare que, apesar de uma leve melhora no accumulator de agosto, a prrodução está longe dos níveis de 2015 e mesmo de 2018.

A única melhoria ocorreu nas exportações, que cresceram 14,73% em relação ao ano passado, voltando praticamente aos mesmos níveis de dois anos atrás.

Agora compare as exportações do período com as de 12 meses e 120 meses atrás. Em agosto de 2012, as exportações somaram US$ 4,1 bilhões contra US$ 3,8 bilhões do acumulado até agosto de 2012. Houve aumento em relação aos US$ 3,1 bilhões do ano passado, que foi um período profundamente afetado pela pandemia.

Os números mostram que o crescimento das exportações se deveu a países da América do Sul e México. Já a queda foi puxada pela Argentina e países europeus.

Mesmo assim, a Argentina continua sendo o maior mercado para os carros brasileiros, seguido da Colômbia, México e Chile.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. jossimar

    10 de setembro de 2022 7:46 pm

    O que eles não fazem para ajudar o Bozó a se reeleger hein?

    E os bozós acreditam que a mídia é contra o seu mito(sic).

  2. José Carvalho

    11 de setembro de 2022 11:18 am

    A divulgação de números e dados estatísticos, tanto pode ser recebido racional e sóbriamente como pode induzir expectativas descoladas de uma realidade. O setor automobilístico no País já teve grande dimensão na oportunização de trabalho e atividades, contraditória mente com o crescimento do número de montadoras no Brasil houve uma redução em relação a isso. No que se refere ao significado de indústria, o Brasil está longe de fazer parte dessa indústria. Quem dá as cartas por aqui da são as montadoras, que praticam seus interesses e se preocupam com elas ou resolvem deixar o País como agora está acontecendo. Talvez por causa do próprio País e esse descompromisso demonstrado no avanço do tempo, em respeito ao desenvolvimento e crescimento. O Brasil é apesar do seu tamanho, um mercado secundário e que não defende seu próprio interesse sobre a existência do setor internamente. Essa subida e descida é somente mais um reflexo da ausência de rumo enfrentada por toda essa sociedade.

  3. Carlos

    11 de setembro de 2022 9:31 pm

    Primeiramente, alguém poderia passar um corretor antes de publicar, é grátis e ajuda na compreensão. Depois, além das estatísticas é necessário recordar que no referido período de 2012 havia o Inovar Auto, que dentre outra coisas injetou incentivos na indústria automotiva, mas que por falta de competência não teve continuidade, gerando um enorme passivo e capacidade ociosa por parte de montadoras e sistemistas, mostrando que incentivos mal planejados e mal executados geram crescimentos artificiais, pontuais e insustentáveis, impactando uma conta para a população que sustenta tudo isso. Com isso, a reputação do Brasil como potencial exportadora de veículos caiu por terra, perdendo a concorrência para outros paises mais eficientes no desenvolvimento e produção de veículos. Além do mais, a falta de uma objetividade, de real vocação do que produzir fez com que ficássemos para trás, distanciando novamente nosso parque circulante daqueles de mercados mais desenvolvidos. Uma pena, mas colhemos frutos não apenas da covid ou de uma suposta falta de apetite do governo atual continuar com incentivos a essa indústria mas muito maispor falta de competência em coordenar programas de incentivo que acabaram por nos colocar numa situação pior ao invés de trazer mais desenvolvimento.

  4. Sérgio Luiz Marcomini

    12 de setembro de 2022 9:52 am

    O Brasil virou um mero “apertador de parafuso” como se diz. A desindustrialização que começou na década passada se aprofundou. Os subsídios que as empresas recebiam através de corte de impostos não existe mais. É discutível se não poderia ser implantado novamente, uma vez que gerou um mercado de trabalho formal muito forte na década de 2000. Hoje existe um incremento só pra agronegócio, que com o dólar a 6 reais é muito mais vantajoso. O país é o maior produtor de soja do mundo e ainda sim o litro do óleo todos sabem o preço. Ainda sobre o dólar, na montagem de automóveis, toda eletrônica é importada da China. Pneu da França e por aí vai. Ou se olha pra indústria como parceira, geradora de emprego, ou vamos continuar vendo empresas irem embora do país.

Recomendados para você

Recomendados