FUNDAMENTALISMO ATEÍSTA EM ESCRUTÍNIO: QUATRO ERROS ARGUMENTATIVOS NAS OBRAS “DEUS, UM DELÍRIO” E “DEUS NÃO É GRANDE”
por Saulo Barbosa Santiago dos Santos
Quem nunca conversou com um ateu? O comportamento e o conteúdo variarão, claro, isso é bastante saudável e importante para o desenvolvimento pessoal e da sociedade, mas há aqueles que não se conformam com o ateísmo, lutam para que outros sejam também e isto é um problema. Tratar sobre Deus e religiões não é fácil, exige muito conhecimento teológico, saber outras línguas e uma hermenêutica extremamente afiada, requer anos de aprendizagem e poucos têm isso, menos ainda os ateus. Devido a amplitude do assunto o objetivo é pôr em escrutínio, pelo menos, quatro erros compartilhados no fundamentalismo ateu das obras “Deus, um delírio” e “Deus não é grande”, respectivamente escritas por Richard Dawkins e do falecido Christopher Hitchens.
Primeiro, os dois pensadores querem, a todo custo, mostrar Deus como uma criatura grande e maldosamente poderosa que se comporta como um CEO do universo, mandando e desmandando, interferindo tanto quanto quisesse. Nas escrituras cristãs, Deus não é tratado desta forma, o ensinado é que Ele mantém a existência do universo despretensiosamente, sem exigir troca, tudo feito por amor. É triste ver fragmentos ideológicos sendo usados para enganar as pessoas sobre os evangelhos.
Segundo, a religião cristã não pretende ser rival da ciência como meio de explicar o mundo, bem como, não precisamos investigar Deus a partir da ciência porque a ciência é ateia desde sua gênese. Ambas não falam da mesma coisa, mas sim põem uma nova forma de autoconhecimento, nenhuma quer negar a outra, só basta pensarmos nas ciências que foram desenvolvidas dentro daquilo criado pela igreja católica e chamamos de universidades.
Terceiro, estes pensadores entendem que ser cristão significa ser pseudocientífico e ter fé cega, que o cristianismo isenta as pessoas de provas devido ao fundamentalismo de Jesus. Não é verdade, quando nos isentamos de provas, também nos isentamos da culpa, isentar-se da culpa seria o mesmo de tirar a deficiência que lhe ajuda a avançar, esta deficiência é a religião e não precisa abrir mão dela para explicar algo. O mundo não é binário, pelo contrário, é complexamente subjetivo. Não existe “fé cega”, mas sim “fundamentalismo”, fé é quando somo fieis ao amor capaz transformar o mundo, independentemente dos problemas que nos faça pensar o contrário. Fundamentalismo é fugir do mundo para não lhe transformar. Jesus foi um inocente mutilado e crucificado, punição dada aos criminosos políticos. Desta forma ele não era fundamentalista, fundamentalistas são antipolíticos, Jesus era um mártir porque mártires morrem por outros “pela graça divina” (chariti theou) ou por princípios que salvam vidas.
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Por fim, Dawkins e Hitchens tendenciosamente transpassa um Jesus liberal. Veja, se existe algo que liberal gosta é do comércio, como bem sabemos, um dos momentos onde Jesus demonstra raiva é justamente no comércio expulsando os comerciantes do templo de Deus (Jo 2, 13-15). E mais, Jesus andava com a ralé, longe da elite, ansiando mudar o mundo para que todos fizessem parte de uma sociedade justa e igualitária, sua luta era de acolhimento a todos que desejavam se salvar, independentemente de raça, religião, igreja, etc, por isso ele morreu.
Conclui-se que muitos buscam firmar o ateísmo dando saltos literários, lendo Dawkins, Hitchens e outros escritores que somente falam o que os leigos querem ouvir, ou seja, respostas rápidas e fáceis a partir de leituras superficiais sobre a bíblia. Sinto dizer, fazendo isso, só confirma aquilo que sabe, não adquirirá novos conhecimentos. Tais autores pouco entendem de Deus ou religiões, se quer são teólogos ou filósofos, suas obras estão repletas de erros e os leitores mais desavisados acreditarão piamente em cada parágrafo.
Saulo Barbosa Santiago dos Santos – Filósofo, guarda civil e autista
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Eliana Madeira
12 de setembro de 2022 9:08 amTexto fraco com pouca base compreensível e mal escrito. O GGN precisa selecionar melhor a qualidade do que publica.
josé Oliveira de Araújo
12 de setembro de 2022 9:18 amComo não li os livros citados, não posso dizer se a crítica do articulista é procedente. Mas como em todas as esferas de pensamento, existem argumentações mais simplistas e as mais sofisticadas.
Quando abordamos a questão da fé, o que se pode inferir, é que a mesma não se discute, mas se o crente afirma que a sua fé é a verdade, a mesma pode ser contestada.
Não podemos em sã consciência afirmar a existência ou inexistência de Deus ou Deuses. No entanto, lendo os chamados livros sagrados, das diversas religiões (Judaismo, cristianismo, islamismo, hinduísmo, budismo etc.) podemos levantar alguns questionamentos, pois muito do que está escrito, interfere nas nossas vidas para o bem e para o mal. Cito como exemplo, a questão do PECADO ORIGINAL contido na bíblia judaica que se propagou no cristianismo e que teve e até hoje e tem um efeito perverso sobre seguidores do Judaísmo e cristianismo.
Ora, não podemos afirmar que o deus bíblico tenha procedido assim com os seres humanos, mas quem escreveu a bíblia atribuiu o feito a ele. Portanto, a crítica a deus por esta ação é função do que se atribui a ele na bíblia.
gabriel
12 de setembro de 2022 11:43 amvergonhoso publicar um artigo desses, sem pe nem cabeça e muito mal escrito
AMBAR
12 de setembro de 2022 5:34 pmÉ doloroso ver o esforço que uma pessoa faz para justificar uma crença. Incapaz de pensar por si mesma ou funcionar sem parâmetros impostos, sem uma crença essa pessoa sucumbe. É criança com Papai Noel à espera do natal. Se o velho não vier, não será porque ele não existe, mas porque ela não mereceu os presentes pedidos. A crença é um dom. Cego, mas dom.
Michel
12 de setembro de 2022 10:56 pmParabéns! Gostei do texto. De fato, dos dois autores citados, um é um polemista barato, o outro é um cientista, mas não tem formação filosófica, ou humanística em geral.