Cisjordânia: Israel promove Terror contra Palestinos
por Ruben Rosenthal
Em face da escalada da violência na Cisjordânia, Israel precisará convocar reservistas em breve, para evitar a transferência de tropas estacionadas no Líbano.
Na sexta, dia 24, dois israelenses e quatro palestinos morreram como resultado de um confronto que irrompeu após colonos judeus armados entrarem na cidade palestina de Tell, próxima a Nablus (assista ao vídeo). Já é uma prática habitual dos colonos fazer incursões em território palestino para criar atrito com a população local, com a intenção de escalar a violência com atos de vandalismo e de terror. Há anos, os colonos dos assentamentos vêm recebendo rifles e outros armamentos enviados pelo ministro da Segurança de Israel, Itamar Ben-Gvir, de extrema-direita.
Os ataques dos colonos aumentaram consideravelmente após os eventos trágicos do 7 de Outubro, segundo a ONU. As incursões em terras palestinas fazem parte de um plano em andamento para escalar a tensão e gerar conflitos generalizados na Cisjordânia. Tal situação possibilitaria a Israel desmantelar a Autoridade Palestina, tomar mais territórios e criar uma crise de segurança antes das eleições de 27 de outubro. Netanyahu teria então o pretexto para adiar as próximas eleições, já que uma vez fora do governo ele precisaria acertar contas pendentes com a justiça.
O incidente em Tell. O confronto teve origem quando um grupo de residentes palestinos tentou barrar a entrada de colonos armados na vila de Tell. Imagens do incidente mostram um morador local sendo agredido na cabeça com a coronha de um rifle. Na sequência, um palestino toma a arma e mata um segurança do posto avançado1 de Havat Gilad, que acompanhava os colonos invasores. No confronto que se seguiu, soldados ou colonos israelenses mataram quatro homens da família Ramadam, que procuravam defender suas casas. Um major israelense, comandante de um batalhão de artilharia, também foi morto.
A maior parte da mídia israelense descreveu o incidente como resultante de um ataque terrorista promovido por palestinos. Segundo relato das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), um grupo de civis israelenses entrou ilegalmente em território controlado pela Autoridade Palestina enquanto fazia uma “caminhada” na região. O IDF informou que palestinos confrontaram o grupo e começaram a atirar pedras, o que teria dado origem ao confronto. No entanto, o grupo de colonos israelenses armados não estava simplesmente fazendo um passeio pela região, quando entrou acidentalmente na vila palestina. Trata-se de uma prática sistemática de provocação, exatamente para gerar tensões e conflitos.
Em resposta ao incidente, forças militares israelenses realizaram inúmeras incursões em municípios palestinos na Cisjordânia, envolvendo dezenas de buscas, interrogatórios e prisões.
IDF, a Força de Ocupação da Palestina. Pelos Acordos de Paz de Oslo, de 1993, assinados por Israel e Autoridade Palestina, a segurança de 18% do território da Cisjordânia ficaria sob controle palestino, 22% sob controle conjunto das forças palestinas e de Israel, e 60% sob controle total do regime sionista. O exército israelense, como força de ocupação, deveria garantir a segurança nas regiões sob sua responsabilidade, impedindo que colonos judeus ataquem palestinos.
Segundo um reservista israelense declarou ao Haaretz, as unidades do IDF responsáveis em conter as ações violentas dos colonos não possuem tropas suficientes para lidar com dezenas ou mesmo centenas de agressores. “Nós simplesmente observamos o desenrolar dos confrontos”, declarou. Em face da escalada da violência na Cisjordânia, Israel precisará convocar reservistas em breve, para evitar a transferência de tropas estacionadas no Líbano.
No entanto, não apenas o IDF vem falhando em sua atribuição por falta de pessoal, como vem ativamente atuando a favor dos colonos, prendendo palestinos que defendem suas casas e famílias. O próprio exército israelense tem realizado incursões em vilarejos e cidades, invadindo casas, efetuando prisões arbitrárias, arrancando oliveiras (assista ao vídeo), bloqueando estradas e isolando distritos da Cisjordânia.
Uma verdadeira limpeza étnica vem sendo orquestrada na Cisjordânia pelo governo israelense, enquanto prossegue o genocídio em Gaza e os bombardeios a áreas civis no Líbano. Até quando a comunidade internacional permanecerá passiva diante dos crimes cometidos por Israel?
Notas:
1. Os postos avançados são os embriões de novos de acampamentos de colonos, e fazem parte do processo da tomada de terras que haviam sido garantidas aos palestinos pelo Acordo de Oslo de 1993. Os postos foram inicialmente reprimidos pelo exército israelense, mas passaram a ser incentivados pelo governo Netanyahu.
Ruben Rosenthal é professor aposentado da UENF, responsável pelo blogue Chacoalhando.
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