4 de junho de 2026

Epitáfios políticos, por Francisco Celso Calmon

 Do Estado de direito: democracia, aguardo o seu retorno com ansiedade e esperança, Lula-já.

Epitáfios políticos

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por Francisco Celso Calmon

De Ciro: aqui jaz um homem que enganou a tantos por tanto tempo e alguns poucos até o suicídio político nesta comédia final, na qual representou o que sempre foi. Saiu da política para entrar no rabicho da história. Deixou a frase lapidar “Diga ao povo ignorante que me esqueça”. Assinado: O Magnífico (Enganador)

De Bolsonaro: Saio derrotado eleitoralmente, mas vitorioso na política. Enfrentei o maior partido dos trabalhadores da América e o venci na eleição de 2018, apesar da ‘fakeada’ e centenas de fakenews. Fiz um governo catastrófico e mesmo assim tive uma aprovação em torno de 30% da sociedade. Sempre fui um zero à esquerda, junto com os meus filhos zero um, dois e três, intelectual e culturalmente limitado, rude, mitômano de nascença, sem tratos, mas, apesar disso, enfrentei o maior líder popular do Brasil e tive o pesadelo de deixar minha derrota para o segundo turno. Precisou de uma grande frente de ex-golpistas e democratas, pelo voto útil, para me derrotar. Ofendi, prevariquei, pratiquei diversos delitos, fui improbo na Administração Pública, fui relapso com o povo, fui pária internacional, e mesmo assim não sofri impeachment, porque fui capaz de corromper o Congresso Nacional com o orçamento secreto.  Provei que os políticos corruptos e medíocres prevalecem neste país, que nunca amei, cujas Forças Armadas, a quem pertenci e trai, fui expulso, mas negociei e acabei na reserva bem renumerada, provei que não precisa de generais, pois, mesmo eu, um relapso ex-tenente,  expulso pelo meu comando, humilhei e comprei generais,  sem qualquer resistência, com polpudos soldos e agradinhos, como viagras, próteses penianas, canapés, leitinhos condensados, picanhas e camarões, uísques  e vinhos, enfim, tudo que o povo não pode comprar, mas, meu Exército pode. Dizem que eu só minto, vou cometer sincericídios: meu posto Ipiranga é o maior ilusionista e espertalhão, é capitalista raiz, se deixar, privatiza até o ar, foi um desastre no comando da economia, mas, aproveitou bem a senha do tesouro e ficou mais rico; o meu maior cabo eleitoral foi a Ciro, o impostor foi apenas um agitador; reagirei a minha iminente derrota, só passarei a faixa morto (ih, menti); fui genocida por convicção, porém, conto com defensores como o esmerado jurista golpista, Michel Temer, e o jornalista, demitido da Globo por comportamento racista, WW, e outros quadrilheiros secretos, que conseguirão que eu e família sejamos anistiados. Temo, contudo, que os defensores da Justiça de Transição impeçam e me levem aos cárceres. Volto para onde não deveria ter saído, o limbo da história. Assinado: Miliciano genocida.

 Do Estado de direito: democracia, aguardo o seu retorno com ansiedade e esperança, Lula-já.

Da democracia: já, já, voltarei ao seio do povo brasileiro com Lula presidente.

Francisco Celso Calmon, coordenador do canal pororoca e ex-coordenador nacional da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

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Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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  1. Bruno

    3 de outubro de 2022 7:41 am

    Teremos um segundo turno desafiador. O resultado se mostrou bem diferente das pesquisas.

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