10 de junho de 2026

“Agente de satanás”, diz bispo emérito sobre Bolsonaro em Aparecida

Para bispo emérito, presidente e apoiadores “deveriam ser presos em flagrante como arruaceiros”; CNBB critica uso político da fé
Foto: Thiago Leon/Santuário Nacional - via fotospublicas.com

A tentativa do presidente Jair Bolsonaro (PL) transformar sua passagem pelo Santuário de Nossa Senhora Aparecida em comício político irritou diversos representantes da Igreja Católica.

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“Bolsonaro em Aparecida comportou-se como Agente de Satanás. Desrespeitou a Mãe de Jesus e seus outros filhos e filhas, peregrinos famintos de vida com dignidade e esperança”, disse o bispo emérito dom Mauro Morelli, da Diocese de Duque de Caxias.

“Com seus endiabrados seguidores deveriam ser presos em flagrante como arruaceiros. São Miguel, cuidado!”, ressalta o religioso em suas redes sociais.

Na última quarta-feira, Bolsonaro esteve acompanhado de outras autoridades para participar de uma missa em celebração ao dia de Nossa Senhora da Aparecida, na cidade de Aparecida do Norte, em São Paulo.

Contudo, a passagem do presidente pela Basílica foi marcada pela confusão e tumulto por parte de seus apoiadores, com direito a agressões a equipes de reportagem locais e perseguição a um homem que usava uma camiseta vermelha.

CNBB repudia mistura de religião com política

Na véspera do dia de Nossa Senhora, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou uma nota oficial onde repudia “a intensificação da exploração da fé e da religião como caminho para angariar votos no segundo turno”.

“Momentos especificamente religiosos não podem ser usados por candidatos para apresentarem suas propostas de campanha e demais assuntos relacionados às eleições. Desse modo, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lamenta e reprova tais ações e comportamentos”, diz a instituição.

A CNBB destaca que a “manipulação religiosa sempre desvirtua os valores do Evangelho e tira o foco dos reais problemas que necessitam ser debatidos e enfrentados em nosso Brasil”.

Além de condenar “veementemente” o uso da religião por candidatos como ferramenta eleitoral, a CNBB convoca cidadãos e cidadãs “a fazerem deste momento oportunidade de reflexão e proposição de ações que foquem na dignidade da pessoa humana e na busca por um país mais justo, fraterno e solidário”.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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