
Artigo do Brasil Debate
Por Guilherme Ramon Garcia Marques
As reformas orientadas pelo e para o mercado, implementadas de modo a promover ajuste estrutural na economia mediante liberalização das relações comerciais, desregulamentação econômica, flexibilização das leis trabalhistas e redução dos gastos públicos foram exaustivamente colocadas na pauta eleitoral pela oposição durante as eleições presidenciais (e por analistas econômicos vinculados à ortodoxia), como medidas indispensáveis para o Brasil.
As vagas e indefinidas propostas em direção à adoção de “medidas impopulares” e liberalizantes apregoadas pela oposição, contudo, suscitam a necessidade de estabelecer um debate transparente e embasado no que tange às suas potenciais consequências sociais e econômicas.
É nesse sentido que a análise dos anos 1990 adquire especial relevância para o debate sobre a condução da economia pelo governo hoje.
Contrariando as promessas de prosperidade e desenvolvimento, a adoção deste receituário ao longo dos anos 1990 impôs altos custos sociais para as populações urbanas em todo o continente sul-americano.
O aumento na Taxa de Desemprego Urbano é o indicador que melhor retrata estes custos sociais, evidenciando o fato de todos os países da região chegarem ao começo do século 21 piores do que estavam ao início da década de 1990.
A situação se agrava ainda mais diante do desmantelamento das estruturas de proteção social imposto ao longo deste mesmo período, contribuindo para resultar nos alarmantes índices de população da região que viviam em situação de pobreza e indigência, comprometendo a formação de um mercado de consumo interno massificado e a solidez de um modelo de desenvolvimento econômico para a região.
Por sua vez, o dinamismo e crescimento econômico que se vislumbrariam para a região mediante a adoção das reformas liberalizantes acabaram por ser contrastadas pela emergência de um período marcado pela semiestagnação econômica e crescimento substancial dos déficits nos balanços de pagamentos dos países sul-americanos.
Este contexto de semiestagnação encontra um forte alicerce na desenfreada liberalização comercial adotada pelos países da região, que abririam suas economias para produtos provenientes das nações centrais do capitalismo mundial, favorecidas nos mercados sul-americanos por conta do maior grau de competitividade e solidez de seus aparatos industriais.
A esta perda de competitividade, soma-se a elevação das taxas de juros, que acabou por definitivamente comprometer os investimentos produtivos e aprofundar ainda mais o processo de estagnação produtiva e tecnológica, retroalimentando, por sua vez, a crise social.
Nesse sentido, o olhar pelo retrovisor com a perspectiva de não repetir os erros cometidos no passado se torna tarefa imprescindível dos representantes comprometidos com um projeto de desenvolvimento pensado em longo prazo e que leve em consideração as especificidades e particularidades próprias do país.
Importar receitas prontas até hoje se mostrou altamente prejudicial.
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Ivan Arruda
4 de novembro de 2014 12:11 pmRelembrando… sobre as
Relembrando… sobre as receitas extraordinárias e outros indicadores do governo “Amore Mio” e o cuidado para com “os ciclos de eventos que se repetem” DO DÉFICIT DE METAS ÀS METAS DE DÉFICIT: A POLÍTICA FISCAL DO GOVERNO FERNANDO HENRIQUECARDOSO – 1995/2002Fabio Giambiagi
Resumo
O artigo analisa a evolução das contas públicas no Brasil nos dois períodos do governo Fernando Henrique Cardoso: 1995/98 e 1999/2002. Procura-se mostrar que, para entender a dinâmica do déficit e da dívida pública, tão importante quanto o ritmo das chamadas “reformas estruturais” foi a atitude das autoridades. Assim, o elevado déficit do primeiro período (1995/98) é interpretado como o resultado de uma política expansionista, enquanto o ajuste de 1999 é visto como prova de comprometimento com o rigor fiscal e a necessidade de que o gasto público seja financiado de forma adequada. O texto mostra os dados das diversas rubricas em que se decompõe o resultado fiscal, destaca a importância das receitas extraordinárias para a redução do desequilíbrio e chama a atenção para a dimensão dos diversos ajustamentos patrimoniais que elevaram o valor da relação dívida líquida/PIB. Duas mensagens importantes que ficam são: a) a principal causa da piora fiscal no primeiro governo Cardoso foi a deterioração do resultado primário e não o aumento da carga de juros; e b) o gasto público primário federal total cresceu em termos reais em todos os oito anos – sem exceção – dos dois governos, a uma média de 6% a.a., mais que o dobro da taxa de crescimento médio do PIB, de 2,4% a.a.
O Mar da Silva
4 de novembro de 2014 12:27 pm“Importar receitas prontas
“Importar receitas prontas até hoje se mostrou altamente prejudicial”
Basta lembrar o que tem acontecido com a Europa depois da crise do subprime de 2008 em termos de desemprego e outros custos sociais. E não custa lembrar que a banca, causadora da crise, foi socorrida.
Aqui, o PSDB e o PSB tentaram convencer o eleitor de que merecíamos fazer o mesmo com os brasileiros. Mas não foi dessa vez.
Ainda bem.
Fernando Antonio Moreira Marques
4 de novembro de 2014 12:40 pmO liberarismo serve a quem?
Eles partem do princípio que na liberaridade econômica cada um se estabelece pelas suas iniciativas e esforços. Eles só se esquecem (de propósito) de assegurar a igualdade de oportunidades para todos. Logo só o pequeno grupo que está por cima da “carne seca” continuará a se “dar bem”. O resto… Que se exploda…
A manjada pregação de “Estado Mínimo”, “Redução de Impostos”,” Flexibilização de Leis Trabalhistas”, “Redução de Gastos Públicos” do liberalismo, afinal atende a quem?
Não precisa ser nenhum gênio da raça para descobrir.
Marcos Oliveira
4 de novembro de 2014 3:03 pmSamba do crioulo doido …
É uma pena que um site com um nome tão pomposo como “Brasil debate” permita a publicação de um texto que estaria mais adequado no sítio “Brasil viaja na maionese”! A lista de omissões, incorreções e extrapolações indevidas constantes no artigo é considerável, a saber:
– é feita uma comparação da taxa de desemprego de diversos países da América Latina. É notável a diferença entre 2002 em 2013, mostrando queda no desemprego na maioria dos países apresentados. O que o autor esquece de citar é que vários destes países mantiveram, entre 2003 e 2013, as políticas liberalizantes que ele tanto critica. Exemplos emblemáticos são o Peru e o Chile, que possuem hoje taxas de desemprego menores que as do início dos anos 90, mesmo adotando políticas “neoliberais” como desregulamentação e abertura de mercados. O que nos leva ao…
– efeito China: a maioria dos países da América do Sul cresceu fortemente nos anos 2000 devido à demanda crescente de commodities agrícolas e minerais oriunda da Ásia, acompanhada da melhora nas relações de troca ocasionada por esse fato. Realmente, no caso específico do Brasil, os programas de transferência de renda tiveram um papel relevante no crescimento da economia. No entanto, eles estão longe de serem a única razão para tal crescimento, fato comprovado pela atual estagnação econômica, em parte decorrente do crash nos preços das commodities.
– o texto critica a abertura comercial mas esquece de falar do problema que realmente destruiu a economia argentina e está acabando com a brasileira, embora de forma mais lenta: a sobrevalorização cambial. É evidente que a abertura comercial em condições de câmbio valorizado levará ao sucateamento da indústria local. Por outro lado, manter a economia fechada dificulta a abertura de mercado para produtos brasileiros no exterior e estimula a ineficiência – será que o autor já se esqueceu das “carroças” citadas pelo Collor? Como comparar a indústria automobilística daquela época com a de hoje? Ademais, não é necessário lembrar que o populismo cambial foi praticado – ao menos no Brasil – tanto pela “direita” como pela “esquerda”, então ele não é exclusividade dos governos “neoliberais”.
– quais estruturas de proteção social foram desmanteladas nos anos 90? Ao menos no Brasil, tais mecanismos começaram a ser implementados de forma mais intensa a partir desse período, principalmente como influência da constituição de 1988.
– quais países deram a maior guinada em relação às políticas liberalizantes dos anos 90? Venezuela e Argentina, coincidentemente (ou não) os que passam maiores dificuldades no momento, com escassez de divisas, inflação, problemas crônicos de abastecimento … a Bolívia, por outro lado, conciliou um governo de viés social com uma política econômica ortodoxa, e assim tem crescido significativamente nos últimos anos. O Brasil de 2014 está colhendo os frutos de uma guinada à heterodoxia que, embora tivesse pontos positivos como a desoneração fiscal, evidentemente não deu certo. E a conta apenas começou a chegar …
Em suma, os números oferecidos pelo autor do artigo não provam absolutamente nada. É válido e importante discutir os erros na condução das políticas econômica, de comércio e industrial nos anos 90, mas não vai ser com o cherry-picking de estatísticas e a generalização distorcida dos fatos que se vai alcançar esse objetivo.
altamiro souza
4 de novembro de 2014 8:48 pmmedidas impopulares:
venha a
medidas impopulares:
venha a nós o vosso lucro e vosso trabalho
e voss mais valia,
que ficaremos cada vez mais ricos.
Ze Guimarães
5 de novembro de 2014 9:12 amtraduzindo
Neoliberalismo é a arte de jogar a crise (se é que há crise) no colo dos mais pobres da sociedade, e dizer que resolveu o problema. É como jogar a sujeira para debaixo do tapete e depois se gabar do que fez.